A fase natural da vida feminina pode trazer sintomas importantes, mas há formas adequadas de avaliação e tratamento

Por muito tempo associada apenas ao fim da menstruação e às ondas de calor, a menopausa passou a ocupar um espaço mais amplo nas discussões sobre saúde da mulher. Celebrado em 18 de outubro, o Dia Mundial da Menopausa busca ampliar a informação sobre essa fase e estimular o debate sobre qualidade de vida, bem-estar, prevenção e acesso ao cuidado adequado.

A data também ajuda a combater a ideia de que sintomas como insônia, irritabilidade, ressecamento vaginal ou queda da libido precisam ser simplesmente suportados. O tema ganhou espaço nas políticas públicas brasileiras, com orientações recentes do Ministério da Saúde para qualificar o atendimento na transição para a menopausa, na menopausa e na pós-menopausa dentro da Atenção Primária do SUS.

Menopausa não é doença. O termo se refere à última menstruação, confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruar. Já o climatério é a fase de transição, que pode começar anos antes e envolve mudanças na produção hormonal, especialmente do estrogênio.

Durante esse período, podem surgir ondas de calor, suor noturno, insônia, alterações de humor, ressecamento vaginal, redução da libido, dores musculares e articulares, além de mudanças na composição corporal. A intensidade varia bastante: enquanto algumas mulheres quase não percebem alterações, outras enfrentam sintomas que interferem na rotina e na qualidade de vida.

A terapia hormonal é uma das opções mais eficazes para sintomas vasomotores, como os fogachos, além de poder trazer benefícios para sintomas geniturinários e para a saúde óssea em alguns casos. A reposição pode usar estrogênio isolado ou combinado a um progestagênio, dependendo da presença do útero e das características clínicas de cada paciente.

Mas a indicação não é automática. Idade, tempo desde a menopausa, histórico familiar e pessoal, riscos cardiovasculares, doenças prévias e tipo de sintoma precisam ser avaliados. Segundo especialistas, a discussão deve fugir tanto da banalização quanto do medo generalizado em torno das terapias hormonais.

Para a especialista em saúde hormonal Izabelle Gindri, o foco deve estar na seleção adequada das pacientes, na qualificação dos profissionais e no uso de protocolos respaldados por evidências científicas. Ela reforça que a menopausa deve ser entendida como uma transição biológica, e não como um colapso do organismo.

A cientista também chama atenção para casos de insuficiência ovariana primária, que pode ocorrer antes dos 40 anos e exigir investigação diante de alterações persistentes do ciclo menstrual. Em vez de fórmulas prontas, a orientação é buscar atendimento médico, avaliar o perfil de cada mulher e considerar opções hormonais ou não hormonais conforme a necessidade.

A principal mensagem é que a menopausa é uma etapa natural da vida, mas seus sintomas merecem reconhecimento e cuidado. Ao romper o silêncio em torno do tema, o Dia Mundial da Menopausa contribui para que as mulheres entendam melhor o próprio corpo e façam escolhas mais seguras e informadas.

Mais do que discutir se a reposição hormonal é “boa” ou “ruim”, o cenário atual aponta para uma abordagem individualizada, baseada em evidências e centrada na qualidade de vida. Falar sobre menopausa é também falar sobre saúde, dignidade e autonomia.

Siga-nos no Google notícias

Google News

Tags

  • climatério
  • Cor
  • Dia Mundial da Menopausa
  • Menopausa
  • qualidade de vida
  • saúde da mulher
  • sintomas da menopausa
  • SUS
  • terapia hormonal