A prefeitura catarinense substituiu a fila presencial por um sistema digital na rede pública de saúde

Em São João do Sul, no Extremo Sul catarinense, a marcação de consultas na rede pública de saúde deixou de depender da fila na porta da unidade. Agora, o agendamento é feito pelo celular, por meio do aplicativo Atende.Net, o que mudou a rotina de moradores e profissionais da rede.

No primeiro grande dia de abertura da agenda, pouco mais de um mês após a implantação do sistema, foram registrados 893 agendamentos entre 8h e 17h. O número chamou atenção por representar quase uma marcação para cada dez habitantes do município, que tem população estimada em 9.278 pessoas.

Antes da mudança, a agenda de médicos e dentistas era liberada nos primeiros dias de cada mês e só podia ser acessada presencialmente. Com o aumento da procura, as filas começaram a se formar cada vez mais cedo, o que motivou a prefeitura a adotar uma solução digital para evitar que as pessoas precisassem madrugar na porta da unidade.

A implementação ocorreu em etapas ao longo do primeiro semestre. A administração orientou a população a baixar o aplicativo, promoveu mutirão de cadastro com apoio das equipes de saúde e tecnologia da informação, contou com agentes comunitárias de saúde e divulgou vídeos explicativos nas redes sociais. O agendamento on-line começou pela odontologia e depois foi ampliado para todas as consultas médicas e odontológicas das três unidades de saúde.

O pico de 893 marcações aconteceu em 31 de julho, na abertura da agenda de agosto. Segundo o secretário municipal de Administração e Finanças, a resposta da população foi mais rápida do que a gestão imaginava, reforçando a percepção de que a digitalização tende a se consolidar mesmo em cidades pequenas.

A prefeitura avalia que o novo modelo traz conforto para os moradores, previsibilidade para os profissionais da ponta e mais segurança para planejar despesas e investimentos. Em municípios com até 10 mil habitantes, no entanto, a adoção de tecnologia na gestão pública ainda é menos frequente, como mostra a TIC Governo 2025.

De acordo com a pesquisa, 22% das prefeituras desse porte usaram alguma ferramenta de inteligência artificial nos 12 meses anteriores ao levantamento, bem abaixo das cidades com mais de 500 mil habitantes. O caso de São João do Sul mostra que a digitalização de serviços públicos pode avançar mesmo em estruturas municipais menores.

A experiência foi viabilizada com apoio da IPM, empresa brasileira de tecnologia fundada em 1996 e especializada em gestão pública. Com sede administrativa em Florianópolis e Centro de Tecnologia em Rio do Sul, a companhia desenvolve soluções integradas e em nuvem para prefeituras e outros órgãos públicos.

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