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Advogada empresarial Dra. Lidiane Feijó. (Fotos: Divulgação)
Especialista defende que empresas precisam cuidar das relações profissionais antes que surjam ações trabalhistas
Quando se fala em Direito do Trabalho, ainda é comum pensar primeiro em processos, passivos e conflitos. Mas uma mudança na forma de enxergar as relações profissionais começa a ganhar espaço dentro das empresas: prevenir problemas também passa por cuidar da forma como as pessoas são recebidas, lideradas, orientadas e até desligadas.
Com o início do Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio e à conscientização sobre saúde mental, essa discussão ganha ainda mais importância. Pressão excessiva, relações desgastadas, falta de diálogo e ambientes profissionais pouco saudáveis podem contribuir para o sofrimento emocional e para quadros de esgotamento, como o burnout.
Para a advogada empresarial Dra. Lidiane Feijó, esse cenário também exige uma mudança de postura das organizações. Mais do que agir quando surge um conflito, as empresas precisam observar o ambiente de trabalho, revisar práticas de gestão e preparar suas lideranças para lidar melhor com as pessoas.
Segundo ela, muitos conflitos trabalhistas não começam necessariamente em questões salariais ou contratuais. Eles podem surgir de falhas de comunicação, ausência de feedback, lideranças despreparadas ou situações mal conduzidas dentro do ambiente profissional, que aos poucos deterioram as relações.
“Segurança jurídica e relações humanas não são opostos. Na verdade, as melhores empresas conseguem construir os dois juntos. É possível estabelecer limites, cobrar desempenho e tomar decisões difíceis sem deixar de ter respeito pelas pessoas”, explica.
Na avaliação de Lidiane, olhar para a saúde das relações também é uma forma de gestão. Uma empresa precisa produzir, ter metas e buscar resultados, mas isso não significa ignorar sinais de esgotamento ou permitir que relações inadequadas se tornem parte da cultura.
Pequenas atitudes podem fazer diferença, como um processo de integração bem estruturado para novos funcionários, expectativas claras, canais de diálogo, feedbacks constantes e lideranças preparadas para identificar mudanças de comportamento e situações que precisam de atenção.
“O acolhimento não pode ser confundido com permissividade. Uma empresa pode ser humana e, ao mesmo tempo, ter regras muito claras. Quanto mais transparente e respeitosa for essa relação, menores são as chances de o problema crescer silenciosamente”, destaca a advogada.
Até mesmo o momento do desligamento merece cuidado, já que a forma como uma empresa encerra um vínculo profissional pode influenciar a percepção do trabalhador sobre toda a relação construída até ali. Por isso, a prevenção não deve começar apenas quando o conflito já está instalado.
Nesse contexto, o jurídico também pode assumir um papel mais estratégico. Em vez de ser acionado apenas quando aparece uma ação trabalhista, pode ajudar na criação de políticas internas, orientação de lideranças e construção de processos que conciliem segurança jurídica, produtividade e relações de trabalho mais saudáveis.
“A advocacia empresarial preventiva não precisa aparecer apenas quando existe conflito. Ela pode ajudar a empresa a construir relações melhores antes que o conflito aconteça. E cuidar dessas relações também é cuidar da própria sustentabilidade do negócio”, conclui Dra. Lidiane Feijó.
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