Agosto Dourado reforça a importância da amamentação em Santa Catarina

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21/08/2026 10:53
Agosto Dourado

Agosto Dourado reforça a importância da amamentação em Santa Catarina

Por Jornalismo

Fonte: Agência ALESC

 Publicado 21/08/2026 10:53  – Atualizado 21/08/2026 10:53

Banco de Leite Humano da Maternidade Carmela Dutra, em Florianópolis, desenvolve um trabalho que aproxima ainda mais as doadoras.
  • Banco de Leite Humano da Maternidade Carmela Dutra, em Florianópolis, desenvolve um trabalho que aproxima ainda mais as doadoras. (Fotos: Rodrigo Correa/Agência Alesc)

Campanha destaca bancos de leite humano, doação e apoio às mães

O mês de agosto ganha a cor dourada em Santa Catarina para reforçar a importância do aleitamento materno para a saúde e o desenvolvimento dos bebês. No estado, o Agosto Dourado é dedicado à conscientização, ao incentivo e à valorização da amamentação.

A campanha também chama atenção para uma importante rede de solidariedade: os bancos de leite humano, que recebem doações, processam o leite e o destinam principalmente a bebês internados em unidades neonatais, como prematuros e recém-nascidos que precisam de cuidados especiais.

Agosto Dourado é lei em Santa Catarina

O Agosto Dourado foi instituído em Santa Catarina pela Lei nº 16.906/2016, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado (Alesc).

A iniciativa criou um período específico no calendário estadual para ampliar as ações de informação e conscientização sobre a importância da amamentação, além de estimular políticas de apoio às mulheres que amamentam.

No âmbito nacional, o mês do Aleitamento Materno foi instituído pela Lei Federal nº 13.435/2017, que determina a intensificação, durante agosto, de ações de conscientização e esclarecimento sobre o tema. A cor dourada faz referência ao chamado “padrão ouro” de qualidade do leite humano.

Na Maternidade Carmela Dutra, em Florianópolis, o Banco de Leite Humano mantém uma rede de doadoras que contribui para o atendimento de bebês internados.

Mulheres que produzem leite em quantidade superior à necessidade dos próprios filhos podem procurar o banco de leite e receber orientações e materiais para fazer a coleta em casa.

Segundo a enfermeira Cecília Mello, da unidade, as doadoras recebem os materiais necessários, como frascos de vidro, touca, máscara e itens de higiene. Depois, a equipe retorna à residência para recolher o leite. “Hoje, a doadora que está em casa, uma mulher que amamenta e produz mais leite do que a necessidade do seu bebê, pode entrar em contato com o banco de leite mais próximo da sua região”, explica.

A quantidade doada varia de acordo com cada mulher. Algumas conseguem retirar entre 100 e 200 mililitros, enquanto outras chegam a doar litros ao longo do período de amamentação. Na Maternidade Carmela Dutra, o banco mantém aproximadamente 60 a 70 doadoras ativas por mês.

E não é preciso produzir grandes volumes para fazer a diferença. “Uma pequena quantidade de leite, como 10 ou 15 mililitros, já consegue alimentar às vezes várias crianças”, destaca Cecília.

Leite humano é prioridade para bebês internados

A doação ganha ainda mais importância nas unidades neonatais. Na Maternidade Carmela Dutra, o leite humano é priorizado na alimentação dos bebês internados, seja o leite da própria mãe ou aquele recebido por meio do banco de leite.

De acordo com Cecília, a disponibilidade de leite doado ajuda a reduzir a necessidade de fórmulas infantis na unidade.

Além de fornecer nutrientes, o leite humano contém componentes que auxiliam na proteção do organismo do bebê. Essa característica é especialmente relevante para prematuros e recém-nascidos de baixo peso, que apresentam maior necessidade de cuidados. “Ele tem muitas substâncias que podem proteger essa criança”, afirma a enfermeira.

Cecília trabalha há quase uma década na instituição e destaca a satisfação de acompanhar o trabalho das doadoras. “É muito gratificante trabalhar com as doadoras porque elas são pessoas muito especiais. Elas doam com muito carinho esse leite.”

Entre as mulheres que encontraram na doação uma forma de ajudar outras famílias está Carina Oliveira, doadora do Banco de Leite da Maternidade Carmela Dutra.

A decisão surgiu após uma experiência marcada pela perda. No dia em que morreu seu filho Apolo, de apenas um ano e oito meses, Carina descobriu que estava grávida novamente.

Com o nascimento da filha, Marisol, ela passou a produzir mais leite do que a menina precisava. Foi então que uma reportagem sobre a importância da doação despertou seu interesse em procurar o banco de leite. “Foi em um momento de dor que eu queria transformar um pouco dessa dor em amor, em um ato de amor”, conta.

Carina iniciou o processo de doação e, há cerca de dez meses, compartilha parte do leite que produz com outros bebês.

Para ela, o gesto ganhou um significado especial diante da própria história. “Eu me sinto muito feliz. [...] Me faz muito bem esse ato de doação, em saber que eu tô ajudando outra criança, o coração fica cheio de alegria”, afirma.

Carina também considera que a doação é uma experiência vivida em conjunto com Marisol. “Essa jornada não é só minha, é dela também. Tem um pouquinho da Marisol, um pouquinho da mamãe e a gente ajuda outros bebês”, diz.

Ao falar sobre o significado do leite materno, ela resume sua experiência em três palavras: “amor, doação, Deus”.

A maternidade, para Carina, também representa esperança e capacidade de seguir em frente diante das dificuldades. “Mãe é vida, é esperança de um momento melhor, uma vida melhor, um mundo melhor. Mãe é esperança em não desistir, resiliência”, afirma.

Uma rede de cuidado que vai além da amamentação

Histórias como a de Carina mostram que o Agosto Dourado vai além da conscientização sobre os benefícios nutricionais do leite materno.

A campanha também evidencia a importância da solidariedade entre mulheres, do apoio às famílias e da atuação dos bancos de leite humano, que formam uma rede de cuidado para atender bebês que precisam de alimentação adequada durante a internação.

Em Santa Catarina, o Agosto Dourado também reforça a necessidade de garantir informação, acolhimento e condições para que as mulheres possam amamentar e, quando possível, doar leite humano.

Mais do que uma cor no calendário, o dourado simboliza uma rede que reúne saúde, cuidado, solidariedade e proteção à primeira infância.

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  • A relação com a filha também faz parte dessa experiência. Carina considera que a doação é uma jornada compartilhada entre as duas. (Rodrigo Correa/Agência Alesc)

  • Ao falar sobre o significado do leite materno, Carina resume a experiência em três palavras: "Amor, doação, Deus." (Rodrigo Correa/Agência Alesc)

  • Carina entrou em contato com a maternidade e iniciou o processo de doação. (Rodrigo Correa/Agência Alesc)

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