Saúde mental ganha espaço estratégico nas empresas

logo RCN

Ultimas :

29/07/2026 10:34
Saúde mental

Saúde mental ganha espaço estratégico nas empresas

Por Jornalismo

Fonte: ASCOM - Employer Recursos Humanos

 Publicado 29/07/2026 10:34  – Atualizado 29/07/2026 10:34

  • A saúde mental deixou de ser um tema restrito aos consultórios para ocupar um lugar estratégico dentro das empresas. (Fotos: Banco de Imagens )

Primeiros socorros emocionais se consolidam como ferramenta de acolhimento e prevenção no ambiente corporativo

A saúde mental passou a ocupar um espaço estratégico nas empresas brasileiras diante do crescimento dos casos de ansiedade, depressão e esgotamento profissional. Nesse cenário, os primeiros socorros em saúde mental vêm sendo adotados por organizações como uma ferramenta para identificar sinais de sofrimento psíquico, acolher colaboradores e encaminhá-los para atendimento especializado.

O avanço dessas iniciativas acompanha o aumento dos afastamentos do trabalho por transtornos mentais. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), com base no SmartLab, mostram que os benefícios por incapacidade temporária concedidos por esse motivo saltaram de 201 mil, em 2022, para 472 mil, em 2024 — um crescimento de 134% em dois anos.

Entre os afastamentos relacionados à saúde mental, as principais causas são reações ao estresse (28,6%), transtornos de ansiedade (27,4%) e episódios depressivos (25,1%).

Diferentemente de um tratamento psicológico ou psiquiátrico, os primeiros socorros em saúde mental consistem em um acolhimento inicial e imediato à pessoa em sofrimento, oferecendo suporte até que ela consiga acessar atendimento especializado. O objetivo é reduzir o risco de agravamento das crises e preservar a segurança do colaborador.

Saúde mental passa a integrar a estratégia das empresas

Segundo Francielli Vitali, Head de Negócios da Esset – Employer Saúde e Segurança do Trabalho - investir em saúde mental deixou de ser uma ação complementar e passou a integrar a estratégia das organizações.

"Os Primeiros Socorros em Saúde Mental promovem um ambiente onde as pessoas se sentem mais seguras para falar sobre suas dificuldades e buscar ajuda. As empresas que investem nessa capacitação observam aumento do conhecimento em saúde mental, redução do estigma e maior confiança entre os colaboradores para oferecer suporte uns aos outros. Hoje, saúde mental é parte da saúde ocupacional e precisa estar integrada à estratégia da organização", afirma.

Ela destaca que um dos principais desafios é transformar ações pontuais em uma cultura permanente de cuidado. Embora qualquer colaborador possa receber o treinamento, líderes e profissionais de Recursos Humanos têm papel estratégico por estarem mais próximos das equipes.

"Não basta tratar o tema como uma exigência de compliance. É preciso incorporar os primeiros socorros em saúde mental à cultura organizacional, fortalecendo a segurança psicológica e entendendo que o bem-estar das pessoas é um dos pilares da produtividade e da sustentabilidade do negócio", acrescenta.

Além da capacitação das equipes, especialistas apontam que as lideranças são fundamentais para identificar precocemente sinais de sofrimento emocional. Mudanças persistentes de comportamento, como queda na produtividade, isolamento, irritabilidade, desânimo ou alterações frequentes de humor, podem indicar que o trabalhador precisa de apoio.

A orientação é que a abordagem seja feita com empatia, escuta ativa e respeito à privacidade, sem que o gestor assuma funções de diagnóstico ou tratamento.

Para a advogada trabalhista Dra. Letícia Pereira, da Employer Recursos Humanos, a construção de ambientes psicologicamente seguros faz parte das discussões atuais sobre saúde ocupacional e gestão de pessoas.

"A construção de ambientes psicologicamente seguros deixou de ser apenas uma boa prática e passou a integrar as discussões sobre saúde ocupacional, gestão de pessoas e responsabilidade corporativa. O papel do líder é acolher e encaminhar, nunca diagnosticar ou tratar. Esse equilíbrio preserva a autonomia do colaborador, respeita sua privacidade e fortalece uma cultura organizacional baseada no cuidado", explica.

Em situações de crise, os primeiros socorros orientam gestores e colegas a reconhecer sinais como taquicardia, falta de ar, tremores, cansaço intenso, choro descontrolado, confusão mental, irritabilidade e sensação de perda de controle. A recomendação é oferecer escuta sem julgamentos, manter a calma e facilitar o acesso aos canais de apoio disponíveis.

Além de fortalecer o bem-estar das equipes, programas estruturados de primeiros socorros em saúde mental contribuem para ampliar as redes de apoio entre colaboradores, melhorar a gestão da carga mental e favorecer a recuperação após situações de crise.

O tema também ganha relevância no cenário internacional. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a OIT, cerca de 15% da população economicamente ativa convive com algum transtorno mental. Depressão e ansiedade são responsáveis pela perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, gerando um impacto estimado em US$ 1 trilhão em perda de produtividade.

Para os especialistas, esses indicadores reforçam que a promoção da saúde mental deve fazer parte das estratégias permanentes das empresas, indo além de campanhas pontuais. O objetivo é criar ambientes de trabalho mais seguros, acolhedores e preparados para que os colaboradores possam buscar ajuda quando necessário.

Siga-nos no Google notícias

Google News
  • Francielli Vitali, Head de Negócios da Esset - Employer Saúde e Segurança do Trabalho. (Ascom - Employer Recursos Humanos)

  • Dra. Letícia Pereira, advogada trabalhista da Employer Recursos Humanos. (Ascom - Employer Recursos Humanos)

Tags

  • ansiedade
  • Bem-estar
  • crise
  • depressão
  • empresas
  • liderança
  • Mental
  • primeiros socorros
  • Produtividade
  • RH
  • Saúde Mental
  • trabalho

Deixe seu comentário

Mais lidas