Com cerca de 330 mil nascimentos prematuros ou de baixo peso por ano no Brasil, os Bancos de Leite Humano do Sistema Único de Saúde (SUS) são estruturas essenciais para a sobrevivência neonatal.

Na Semana Nacional de Doação de Leite Humano, celebrada em 19 de maio e instituída pela Lei nº 13.227/2015, hospitais de Santa Catarina reforçam a importância da doação de leite materno e do papel desempenhado pelos bancos de leite no cuidado a recém-nascidos prematuros.

Coordenada pela Fiocruz, a Rede de Bancos de Leite Humano (rBLH) é considerada a maior e mais complexa do mundo, reunindo mais de 200 bancos e postos de coleta em todos os estados brasileiros. Em 2001, a Organização Pan-Americana da Saúde reconheceu a iniciativa como uma das que mais contribuíram para a redução da mortalidade infantil no país. Atualmente, cerca de 160 mil litros de leite humano são distribuídos anualmente a bebês de baixo peso.

O Hospital Hélio Anjos Ortiz, em Curitibanos, mantém um Banco de Leite Humano responsável pela coleta, processamento, análise e distribuição do leite doado, além do suporte às mães de recém-nascidos internados. Segundo Marcelo Pasolini, diretor do hospital e vice-presidente da Associação dos Hospitais do Estado de Santa Catarina (AHESC), o impacto começa em quantidades mínimas.

“Em neonatologia, mesmo 1 ml de leite humano pode ser extremamente benéfico, especialmente nos primeiros dias de vida. Ele pode ser administrado em forma de microalimentação, ajudando na maturação intestinal, estimulando o sistema imunológico e protegendo contra infecções”, explica.

A prática da microalimentação, em que pequenas quantidades de leite são oferecidas ao bebê em horários definidos, vai além da nutrição. “Não se trata apenas de alimentar, mas de proteger e preparar o organismo do recém-nascido para se desenvolver com mais segurança”, afirma Pasolini.

O leite materno, especialmente o colostro, é rico em anticorpos e fatores anti-inflamatórios que ajudam a reduzir complicações frequentes em prematuros, além de contribuir para o ganho de peso, o desenvolvimento neurológico e a redução do tempo de internação hospitalar.

Para a presidente da Federação de Hospitais e Entidades Filantrópicas de Santa Catarina, irmã Neusa Lúcio Luiz, os Bancos de Leite representam uma das formas mais concretas de cuidado integral oferecido pelos hospitais filantrópicos no SUS.

“Cuidar de um recém-nascido prematuro exige estrutura, equipe qualificada e atenção a cada detalhe. O Banco de Leite é parte fundamental desse cuidado, e as mulheres que doam tornam possível algo que nenhum medicamento consegue substituir”, destaca.

A doação pode ser feita por qualquer mulher saudável que esteja amamentando, produza leite além da necessidade do próprio filho e não utilize medicamentos incompatíveis com a amamentação. A coleta pode ocorrer no próprio banco de leite ou na residência da doadora, seguindo orientações específicas de higiene e armazenamento fornecidas pelas equipes de saúde.

Os frascos esterilizados são disponibilizados pelas instituições, e o transporte do leite coletado em casa deve ser feito em bolsa térmica com gelo.

Para o presidente da AHESC, Maurício José Souto-Maior, fortalecer os Bancos de Leite Humano é uma responsabilidade compartilhada por todo o sistema de saúde.

“Os Bancos de Leite são uma política pública consolidada e que salva vidas. Quando os hospitais estruturam bem esse serviço e a sociedade responde com doações, o SUS consegue oferecer um cuidado que faz diferença real na vida dessas crianças”, afirma.

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