No Dia Mundial da Hipertensão, lembrado neste domingo, 17/5, especialistas alertam para o avanço da doença em Santa Catarina e reforçam a importância do diagnóstico precoce

Silenciosa e muitas vezes sem sintomas, a hipertensão arterial segue entre os principais fatores de risco para infarto, AVC, insuficiência renal e doenças cardiovasculares. No Dia Mundial da Hipertensão, lembrado neste domingo, 17/5, especialistas alertam para o avanço da doença em Santa Catarina e reforçam a importância do diagnóstico precoce.

A preocupação ganhou ainda mais atenção em 2026 após a publicação da 9ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. A atualização reforça a atenção para níveis de pressão acima de 120 por 80 mmHg, considerados marcadores de maior risco cardiovascular e que demandam avaliação individualizada e medidas preventivas.

Historicamente tratado como referência ideal, o índice de 120/80 mmHg passou a ser observado com maior cautela diante de estudos que demonstram aumento progressivo do risco cardiovascular mesmo em níveis anteriormente considerados normais.

De acordo com a pesquisa Vigitel 2025, a prevalência da hipertensão entre adultos brasileiros se aproxima de 30%, acompanhando o avanço da obesidade, diabetes e sedentarismo. O maior desafio, porém, ainda está no controle da doença: segundo relatório global da Organização Mundial da Saúde citado pelo Ministério da Saúde, apenas 21% das pessoas hipertensas conseguem manter a pressão arterial controlada. Dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde¹ apontam que os atendimentos relacionados à hipertensão no SUS passaram de 29,8 milhões em 2019 para 61,9 milhões em 2023 no Brasil.

*Uma em cada 5 pessoas apresenta hipertensão em SC*

Em Santa Catarina, o avanço foi ainda mais expressivo. Os atendimentos relacionados à hipertensão passaram de 851 mil em 2019 para mais de 3,6 milhões em 2023. O aumento pode refletir maior procura por atendimento, ampliação do acesso e melhora dos registros assistenciais nos últimos anos. Atualmente, aproximadamente uma em cada cinco pessoas cadastradas na Atenção Primária à Saúde no estado possui diagnóstico de hipertensão.

O crescimento foi mais expressivo entre pessoas acima dos 60 anos. A faixa etária de 60 a 69 anos concentrou o maior número de atendimentos, representando 27,9% dos casos entre mulheres e 30% entre homens.

Além do crescimento no número de casos, especialistas observam mudanças nos critérios de atenção à pressão arterial. Embora o diagnóstico de hipertensão continue sendo estabelecido, na maior parte dos casos, a partir de 140 por 90 mmHg, níveis acima de 130 por 80 mmHg já são considerados associados a maior risco cardiovascular em diferentes diretrizes e contextos clínicos².

Outro dado que preocupa especialistas é a mortalidade associada à doença. Entre 2010 e 2023, cerca de 6% de todos os óbitos registrados no Brasil tiveram associação com hipertensão, segundo o Ministério da Saúde.

Entre os principais fatores associados ao desenvolvimento da doença estão obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo frequente de álcool, estresse e predisposição genética.

A diretora médica do Laboratório Santa Luzia, marca da Dasa, Dra. Annelise Wengerkievicz Lopes, explica que muitos pacientes descobrem a hipertensão apenas após complicações graves.

“A hipertensão costuma evoluir de forma silenciosa durante anos. Muitas vezes, o paciente só descobre a doença após complicações como AVC, infarto ou comprometimento renal. Por isso, acompanhamento preventivo, aferição periódica da pressão e avaliação laboratorial dos fatores de risco são fundamentais”, afirma.

Segundo a médica, além da aferição regular da pressão arterial, exames laboratoriais ajudam a identificar fatores de risco e possíveis causas secundárias da doença. Entre eles está a dosagem de renina, exame utilizado em casos selecionados, principalmente na investigação de hipertensão resistente — quando a pressão não reduz mesmo com o uso de medicamentos. O teste auxilia na identificação de alterações hormonais e problemas relacionados à circulação renal³.

O cardiologista Marcelo Bittencourt, da Dasa Genômica, reforça que o controle da hipertensão depende principalmente de acompanhamento contínuo e mudança de hábitos.

“A hipertensão é uma doença silenciosa, mas com impacto direto sobre coração, cérebro, rins e circulação. O diagnóstico precoce e o controle adequado reduzem significativamente o risco de complicações cardiovasculares graves”, ressalta.

Além dos exames específicos, especialistas recomendam monitoramento periódico com testes como colesterol, glicemia, creatinina, eletrocardiograma e MAPA — monitorização ambulatorial da pressão arterial. Para prevenção, médicos orientam redução do consumo de sal e alimentos ultraprocessados, prática regular de atividade física, controle do peso, abandono do cigarro, moderação no álcool e acompanhamento médico regular. A recomendação do Ministério da Saúde? é que adultos façam aferição da pressão pelo menos uma vez ao ano, mesmo sem sintomas.

Apesar de silenciosa, a hipertensão pode ser identificada precocemente e controlada na maioria dos casos. Especialistas reforçam que diagnóstico precoce, acompanhamento regular e mudanças no estilo de vida continuam sendo as principais estratégias para reduzir mortes cardiovasculares.
*Referências*
1.Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde
2.Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina — prevenção à hipertensão
3.Dasa NAV — Exame de Renina
4.Ministério da Saúde — Hipertensão

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