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. (Fotos: Divulgação)
No Mês da Mulher, a Sociedade Catarinense de Oftalmologia (SCO) chama atenção para sintomas que atravessam ciclo menstrual, gravidez, pós-parto, uso de anticoncepcionais e menopausa
Nem sempre é “cansaço” e nem sempre é só tela. Há mulheres que percebem os olhos arderem em semanas específicas do mês, que passam a lacrimejar por irritação depois de iniciar um anticoncepcional, ou que começam a estranhar as lentes de contato em fases de maior oscilação hormonal. Esses sinais, muitas vezes discretos, têm um ponto em comum: a superfície ocular depende de uma lágrima estável para manter conforto e nitidez, e isso pode variar conforme o corpo muda.
Há desconfortos oculares que muitas mulheres aprendem a “aguentar” como se fossem parte do pacote da rotina. Ardor, sensação de areia, vermelhidão, lacrimejamento por irritação e visão que oscila ao longo do dia entram nessa lista.
De acordo com um artigo publicado em 2026 na revista Contact Lens & Anterior Eye, a prevalência global de olho seco foi maior em mulheres (39,1%) do que em homens (30,8%).
Outro ponto de atenção é o uso de contraceptivos hormonais. Um estudo publicado em 2022 na revista Eye (The Royal College of Ophthalmologists), usuárias regulares de contraceptivos hormonais tiveram 2,73 vezes mais chance de desenvolver olho seco do que não usuárias.
Para o oftalmologista Dr. André Frutuoso, presidente da Sociedade Catarinense de Oftalmologia, o risco está em deixar o sintoma sem investigação. “Quando a visão fica flutuante, quando a lente passa a incomodar, quando o ardor é recorrente, isso merece investigação. Em muitas mulheres, existe relação com fases hormonais e há tratamento. O problema é conviver com desconforto que afeta leitura, trabalho e direção”, afirma.
O que pode acontecer quando o desconforto é ignorado
Sem cuidado, o olho seco pode provocar irritação persistente, piora da qualidade visual (especialmente em ambientes com ar-condicionado), maior sensibilidade à luz e dificuldade progressiva para usar lentes de contato. Em alguns casos, a superfície ocular fica mais vulnerável a inflamações e pequenas lesões que alimentam um ciclo de ardor e visão instável.
Como reduzir sintomas e evitar piora
Perceba o padrão: sintomas que acompanham semanas específicas do ciclo, o início de anticoncepcionais, gestação, pós-parto ou menopausa devem ser relatados na consulta.
Faça pausas de tela e lembre-se de piscar: períodos longos de foco reduzem a piscada e aumentam a secura.
Cuidado com vento e ar-condicionado direto: eles aceleram a evaporação da lágrima.
Lente de contato não é para “insistir”: se começou a incomodar, pare e procure orientação antes de retomar.
Evite colírios “para tirar vermelhidão” por conta própria: eles podem mascarar o problema e piorar o quadro em algumas situações.
A SCO reforça que a consulta oftalmológica fica mais precisa quando a paciente leva junto a história hormonal: fase do ciclo, uso de anticoncepcional, período gestacional ou pós-parto, menopausa e tratamentos em andamento. Esses detalhes ajudam a diferenciar o que é passageiro do que precisa de manejo contínuo, com conforto e visão estável como meta.
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