O resultado pode ser sintomas como olhos secos, sensibilidade à luz, visão embaçada ou sensação de areia nos olhos


Março, marcado pelo Dia Internacional da Mulher, é um momento oportuno para falar sobre um tema pouco comentado: como as mudanças hormonais que acompanham fases importantes da vida feminina - menstruação, gravidez e menopausa - podem influenciar a saúde ocular e provocar desconfortos visuais.


Segundo a oftalmologista Cláudia Nascimento, diretora Clínica do Hospital de Olhos de Florianópolis (HOF), alterações hormonais podem afetar a produção e a qualidade da lágrima, além de provocar flutuações temporárias na visão. O resultado pode ser sintomas como olhos secos, sensibilidade à luz, visão embaçada ou sensação de areia nos olhos.


A médica explica ainda que muitas mulheres não relacionam esses sintomas às mudanças hormonais do organismo. “Os hormônios influenciam diversas partes do nosso organismo, inclusive os olhos. Em fases como gravidez, ciclo menstrual ou menopausa, é comum ocorrerem alterações na superfície ocular e no filme lacrimal, causando desconforto visual", comenta.


Durante a gestação, por exemplo, o aumento de níveis hormonais pode provocar alterações temporárias na córnea, no cristalino e na produção de lágrimas, o que pode levar à visão embaçada ou maior sensibilidade à luz. Já na menopausa, a queda do estrogênio pode reduzir a produção lacrimal, favorecendo o aparecimento da chamada Síndrome do Olho Seco.

 

Segundo a Dra. Cláudia, apesar de muitos desses sintomas serem temporários, eles não devem ser ignorados. “É importante entender que o olho seco e outras alterações visuais não fazem parte de um processo natural que precisa ser simplesmente aceito. Hoje existem tratamentos eficazes que ajudam a controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida das mulheres”, afirma.


Outro ponto de atenção é que algumas mudanças visuais podem indicar condições que exigem avaliação médica. Durante a gravidez, por exemplo, visão turva persistente pode estar associada a quadros como pré-eclâmpsia, que exigem acompanhamento especializado.


Para a especialista, o principal caminho para a prevenção é manter acompanhamento oftalmológico regular ao longo da vida. “Assim como a mulher cuida da saúde ginecológica em diferentes fases da vida, a saúde ocular também precisa fazer parte dessa rotina. Um exame oftalmológico pode identificar precocemente alterações e evitar que pequenos sintomas evoluam para problemas maiores”, conclui a diretora clínica do HOF.


Com o aumento da expectativa de vida feminina e a maior exposição a fatores como telas digitais e mudanças hormonais, a especialista reforça que olhar para a saúde dos olhos também é uma forma de cuidar da qualidade de vida da mulher em todas as fases.

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