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Novo estudo mostra que vegetarianos têm menor risco de 5 tipos de câncer (Fotos: Imagem ilustrativa)
Pesquisa da Universidade de Oxford indica menor incidência de tumores de mama, próstata e rim em indivíduos que não consomem carne.
A análise da Oxford Population Health com 72 mil participantes identifica que a ausência de carne processada e o alto consumo de fibras protegem contra mieloma múltiplo e cânceres de rim e pâncreas, embora exija atenção nutricional para evitar carcinomas esofágicos e intestinais.
Estudo de Oxford detalha benefícios da alimentação sem carne
Pesquisadores da Unidade de Epidemiologia do Câncer da Oxford Population Health identificaram que a adoção de uma dieta vegetariana está diretamente associada a menores chances de desenvolver cinco tipos de câncer: mama, próstata, rim, pâncreas e mieloma múltiplo. O estudo, publicado no British Journal of Cancer, baseou-se na análise de 72 mil participantes para entender como diferentes padrões alimentares influenciam o surgimento de tumores.
Segundo o portal InfoMoney, a equipe comparou o risco de 17 tipos de câncer em cinco grupos distintos: consumidores de carne, consumidores de aves, pescetarianos, vegetarianos e veganos. “O câncer é uma das principais causas de morte em todo o mundo, sendo responsável por quase uma em cada seis mortes. Padrões alimentares que priorizam frutas, vegetais e alimentos ricos em fibras, e evitam carnes processadas, são recomendados para reduzir o risco de câncer. Nosso estudo ajuda a esclarecer os benefícios e os riscos associados às dietas vegetarianas”, explica Tim Key, Professor Emérito de Epidemiologia da Oxford Population Health e co-pesquisador do estudo.
Variações de risco entre vegetarianos e veganos
Embora a dieta vegetariana tenha apresentado proteção contra diversos tumores, os pesquisadores notaram um risco estatisticamente maior de carcinoma de células escamosas do esôfago nesse grupo. Já entre os veganos, observou-se uma maior probabilidade de desenvolvimento de câncer colorretal (intestinal) em comparação aos consumidores de carne.
Aurora Perez Cornago, investigadora principal do estudo, esclarece as possíveis causas dessas variações: “Os vegetarianos normalmente consomem mais frutas, vegetais e fibras do que os consumidores de carne e não consomem carne processada, o que pode contribuir para um menor risco de alguns tipos de câncer. O maior risco de carcinoma espinocelular do esôfago em vegetarianos e de câncer de intestino em veganos pode estar relacionado à menor ingestão de certos nutrientes mais abundantes em alimentos de origem animal. São necessárias mais pesquisas para entender o que está causando as diferenças no risco de câncer encontradas em nosso estudo”.
Dados complementares da Universidade Loma Linda
A correlação positiva entre a redução de carne e a saúde oncológica também foi reforçada por um estudo da Universidade Loma Linda, na Califórnia, publicado na revista The American Journal of Clinical Nutrition. Ao acompanhar 80 mil membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Norte por oito anos, os cientistas constataram que abandonar produtos de origem animal pode reduzir o risco de câncer colorretal, de estômago e linfoma em até 25%.
Os principais achados dessa pesquisa paralela indicam que:
- Vegetarianos têm risco 12% menor de desenvolver qualquer tipo de câncer.
- O risco para cânceres de “média frequência” (melanoma, tireoide, ovário, pâncreas, estômago e linfomas) é 18% menor.
- Reduções específicas foram de 21% para câncer colorretal e 45% para câncer de estômago.
Apesar dos resultados promissores, os cientistas de ambas as instituições reforçam que não houve evidências de que o risco em veganos fosse diferente dos consumidores de carne para outros tipos menos comuns de câncer, destacando a necessidade de novos estudos populacionais para confirmar os benefícios em longo prazo de dietas estritamente plant-based.
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