Segundo o presidente da Câmara, o governo não tem confiança dos investidores e dos consumidores
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que a relação do governo com o Congresso não influenciou a perda do grau de investimento do Brasil.
"Qual a proposta que o governo mandou este ano que não foi apreciada pela Câmara?. As três medidas provisórias do ajuste fiscal, a reoneração da folha de pagamento, tudo a Câmara aprovou. Semana passada, aprovamos a [mudança] da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos. O Congresso não negou nada que o governo pediu, inclusive de aumento tributário que já houve", disse Cunha.
"Consequentemente, não pode se dizer que é essa relação que está gerando este tipo de situação. O governo não tem confiança do mercado, dos investidores, dos consumidores para manter a atividade econômica. É isto que precisa ser reestabelecido. Se não reestabelecer, não vai recuperar. Não adianta dizer que só tem crise no relacionamento com o Congresso porque não é essa a causa da redução [do rebaixamento da nota], acrescentou o presidente da Câmara.
Renan - Na mesma linha, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que procura se cacifar como um dos solucionadores da crise, buscou ressaltar a agenda anticrise, apresentada pelo Senado, com propostas para reerguer a economia. "O Legislativo colaborou, aprovou o ajuste fiscal e apresentou a chamada Agenda Brasil, que é a única maneira de reverter a expectativa com relação ao grau de investimento. Avançar na regulação, nas reformas estruturais e preservar o interesse do país: isso tem de unir a todos nesse momento", afirmou o peemedebista.
O rebaixamento
A agência de classificação de riscos Standard&Poor's rebaixou ontem (9) a nota de crédito do Brasil de BBB- para BB+. Com isso, o país perdeu o selo de bom pagador e de ser seguro para investir. Segundo a Standar&Poor's, a proposta orçamentária do país para 2016, prevendo um déficit primário de R$ 30,5 bilhões em lugar do superávit de 0,7% estimado anteriormente, influenciou a decisão do rebaixamento.
Opiniões
Ontem (9), após a divulgação da nota, o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), disse que os investimentos externos no Brasil tiveram período promissor no governo de Dilma Rousseff. Segundo ele, o rebaixamento "faz é aumentar nossa responsabilidade na busca da solução dessa travessia que estamos enfrentando.” e que os investidores internacionais vão continuar apostando no país.
Já o senador Lasier Martins (PDT-RS) lembrou nesta quinta-feira (10) que há um ano a executiva Sinara Polycarpo Figueiredo já apontava os perigos para a economia brasileira caso a presidente Dilma Rousseff fosse reeleita.
E agora, um ano após o informe que lhe rendeu a demissão de superintendente de Investimentos do Banco Santander, a mais importante agência de classificação de risco, Standard and Poor’s, decide pela retirada do grau de investimento do Brasil.
E isso significa dólar mais alto, dificuldade de obtenção de empréstimo e demais problemas que agravarão ainda mais a crise da economia, afirmou Lasier Martins em Plenário.
Para o senador, esse fato, aliado a todos os outros equívocos do governo, mostra que a presidente da República, Dilma Rousseff, perdeu legitimidade política, popular e econômica.
— As contas públicas foram desequilibradas, investimentos foram malfeitos, o tripé macroeconômico do Plano Real foi desprezado e a corrupção espalhou-se como uma doença crescente e incontrolável na administração pública — avaliou.
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