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Grupos etários que mais votam aumentaram de dois anos para cá; além disso, engajamento em eleições gerais tende a ser maior. (Fotos: Vicente Schmitt/Agência Alesc)
Levantamento do TRE-SC mostra crescimento de grupos que votam mais, avanço dos idosos e maior diferença entre mulheres e homens no cadastro
Santa Catarina chegou a 5.725.753 eleitores em 2026, segundo dados do TRE-SC, o que representa 85 mil votantes a mais do que em 2024. A atualização do cadastro mostra mudanças relevantes no perfil do eleitorado e ajuda a projetar o nível de participação na próxima eleição geral.
O Estado vinha superando a média nacional de comparecimento nas últimas eleições gerais, mas essa distância diminuiu. Em 2024, Santa Catarina registrou 78% de participação no primeiro turno, exatamente o mesmo índice do país. Para 2026, a Justiça Eleitoral acompanha especialmente a evolução dos grupos que costumam ir mais às urnas.
Adesão ao voto e abstenções
Entre 2024 e 2026, o conjunto de eleitores de 30 a 69 anos aumentou em 71 mil pessoas. Esse grupo concentra parte importante do eleitorado com maior adesão ao voto e pode contribuir para conter uma nova queda na participação. Já a faixa de 18 a 29 anos perdeu 61 mil eleitores, embora siga sendo observada pela Justiça Eleitoral por reunir o segmento mais jovem do voto obrigatório com menor presença nas urnas.
Os eleitores de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, cresceram em 4 mil pessoas e vêm apresentando reação positiva a campanhas de incentivo no Estado. Segundo o TRE-SC, a participação desse grupo cresce de forma consistente desde 2018, reforçando o papel de ações de conscientização para ampliar o engajamento eleitoral.
O grupo de 70 anos ou mais passou a representar 10% do eleitorado catarinense e ganhou 73 mil eleitores desde 2024. A tendência de envelhecimento da população deve ampliar ainda mais esse contingente nos próximos anos. Embora a participação dos idosos tenha aumentado desde 2018, ela ainda fica abaixo da média, principalmente entre os votantes com 80 anos ou mais.
O TRE-SC destaca que não há uma única razão para a abstenção entre os mais velhos. Questões de saúde, mobilidade e desânimo político aparecem entre os principais obstáculos. Para reduzir essas barreiras, a Justiça Eleitoral garante prioridade nas filas a partir dos 60 anos, prioridade especial para quem tem 80 anos ou mais e o direito de entrar na cabine acompanhado por pessoa de confiança, em casos de mobilidade reduzida.
Público feminino
As mulheres continuam sendo maioria entre os eleitores catarinenses e ampliaram a diferença em relação aos homens. Em 2024, havia 212 mil eleitoras a mais; agora, a distância subiu para 258 mil. O efeito desse dado sobre a participação ainda é incerto, já que a presença feminina foi um pouco maior que a masculina nas eleições de 2022 e 2024, mas levemente menor em 2020.
Escolaridade
O levantamento também mostra avanço da escolaridade, embora o Ensino Médio completo siga como formação mais comum. Na autodeclaração de cor/raça, a mudança foi pequena, e apenas cerca de um em cada dez eleitores informou essa condição à Justiça Eleitoral.
O debate sobre o comparecimento às urnas vai além do perfil do eleitorado. A distância até os locais de votação e a qualidade da mobilidade urbana aparecem entre os fatores que mais desestimulam parte do público. Entre os eleitores de voto obrigatório, a ausência sem justificativa pode gerar restrições como impedimento em concursos, posse em cargo público, emissão de passaporte e regularização de documentos.
Após três eleições sem votar, o título pode ser cancelado, mas a regularização é considerada simples e envolve multas de baixo valor. Para o desembargador Sérgio Francisco Carlos, do TRE-SC, a participação eleitoral fortalece a democracia, mas campanhas de conscientização seguem sendo a principal forma de estimular o voto e reduzir a abstenção no Estado.
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