Prefeito critica condução do partido e reafirma apoio à reeleição do governador Jorginho Mello

O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, oficializou na manhã desta quinta-feira (19) o pedido de desfiliação do Partido Social Democrático. A decisão foi comunicada por meio de uma carta aberta encaminhada à executiva estadual da sigla.

No documento, o prefeito afirma que a saída ocorre em meio a divergências políticas dentro do partido. Entre os pontos citados está o apoio dele à reeleição do governador Jorginho Mello, do Partido Liberal, nas eleições de 2026.

Topázio também criticou a condução interna do PSD e afirmou ter sido alvo de pressões e tentativas de expulsão após defender publicamente o apoio ao atual governador. Na carta, ele citou diretamente o presidente estadual do partido, Eron Giordani, e o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, dizendo que ambos teriam atuado em conjunto para exigir sua saída da legenda.

Segundo o prefeito, nos últimos dias integrantes do partido passaram a agir com “truculência, intimidação e socos na mesa”, postura que classificou como incompatível com a forma como acredita que a política deve ser conduzida.

Outro ponto mencionado foi a discordância em relação aos rumos políticos do PSD. O partido trabalha para lançar João Rodrigues como candidato ao governo do Estado em 2026, enquanto Topázio mantém apoio à continuidade da gestão de Jorginho Mello.

Na carta, o prefeito também afirmou que sua decisão considera a sinalização de que o PSD não deve apoiar uma eventual candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Topázio rebateu ainda críticas internas e afirmou que o alinhamento com o PL é conhecido desde sua campanha eleitoral de 2024. Segundo ele, a posição foi comunicada previamente ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e ao presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Júlio Garcia.

Com a desfiliação, o prefeito ainda não confirmou qual será seu próximo partido. Em entrevistas, ele afirmou que recebeu convites de diferentes siglas, entre elas o Podemos.

Carta na íntegra

À Executiva do Diretório Estadual do PSD de Santa Catarina

Através desta carta aberta, encaminho formalmente meu pedido de desfiliação do Partido Social Democrático. Abaixo, minhas razões.

Política para mim é diálogo, gratidão e respeito. Considero a palavra dada o bem mais valioso de um homem público. E tenho repulsa aos que acreditam que política se faz com truculência, intimidação e socos na mesa. Nos últimos dias, integrantes do meu partido decidiram agir dessa forma comigo, como retaliação às posições que defendo.

Como é de conhecimento geral, o Presidente Estadual do PSD de Santa Catarina, em conluio com o Prefeito de Chapecó, passou a exigir minha expulsão imediata do partido. Ainda que perplexo, considero essa grotesca encenação uma medalha: eu sei quem sou, e sei também a forma que eles costumam fazer política.

Recuso o silêncio que tentam me impor por discordar de uma candidatura do partido ao Governo do Estado. Apesar das ameaças pessoais, não me intimido e nem me omito. Como dirigente do PSD, não posso deixar de alertar sobre os danos devastadores que essa decisão poderá causar às chances de vitória dos nossos candidatos a deputado e deputada na próxima eleição.

Ao se tornar candidato de si mesmo, o prefeito de Chapecó transformou seus companheiros de partido em reféns de um projeto sem sentido, escancarando o que tantos comentam em voz baixa: seu ego, vaidade e sua sede de poder valem mais que o bem coletivo. É a isso que me oponho de forma convicta, porém respeitosa e civilizada.

Por justiça, dou ao Prefeito de Chapecó o direito à ignorância sobre minhas intenções. É possível que não tenha conseguido compreender as razões que me levaram a propor um caminho alternativo às suas desconexas e inconsequentes atitudes.

Há dois anos, defendo, de forma pública e transparente, o que acredito ser o melhor projeto para o bem de Santa Catarina: o apoio à reeleição do Governador Jorginho Mello. Esta decisão compartilhei, desde o primeiro minuto, com o Presidente Gilberto Kassab e o Deputado Júlio Garcia. De ambos, recebi compreensão, respaldo e anuência.

É de conhecimento de todos que essa parceria harmoniosa entre o PL e o PSD nasceu durante a minha vitoriosa eleição a Prefeito de Florianópolis, em 2024. Portanto, muito anterior a qualquer manifestação de uma pré-candidatura do PSD ao governo do estado. Por isso, repudio o rótulo de traidor que tentam, de forma covarde, me imputar.

Apoio o Governador Jorginho por que provou que é um gestor competente e um trabalhador obstinado. Seu governo é transformador e, seguramente, o maior parceiro das prefeituras na história de Santa Catarina. São investimentos gigantescos e milhares de obras espalhadas por todos os 295 municípios do estado, sem qualquer discriminação, seja ideológica ou política. Por que não ter a humildade e reconhecer quem está trabalhando direito?

Por isso, cabe a pergunta: em nome do quê alguém propõe trocar um governo cuja gestão é a mais bem avaliada do país, com mais de 75% de aprovação popular? Aliás, qual projeto de estado o prefeito apresentou até o momento? A mim, nenhum. O que propõe de forma planejada e aprofundada? Desconheço. Além de bravatas, só ouço o seu silêncio sobre os temas que, verdadeiramente, interessam ao povo catarinense.

Minha decisão de desfiliação traz ainda uma outra razão fundamental: a forte indicação que o PSD não irá apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro a Presidente da República. Nesse momento em que as forças de direita no Brasil deveriam se unir em torno de um nome sólido e viável, o PSD vai na direção contrária ao que deseja o eleitor catarinense.

Para finalizar, reafirmo que sou de construir pontes e aproximar pessoas. Por isso, jamais me perdoaria se uma decisão minha causasse qualquer desarmonia dentro do meu partido, ainda que alinhada com nossas principais lideranças. Diante disso, reitero meu pedido de desligamento imediato dos quadros do PSD. Que Deus abençoe Santa Catarina.

Florianópolis, 19 de março de 2026.

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