Entidade alerta para aumento de custos, risco de demissões e impacto sobre preços, especialmente em Santa Catarina

A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina avaliou que a aprovação da proposta pelo Senado representa um equívoco e pode gerar efeitos negativos para a economia brasileira. Para a entidade, a mudança na jornada de trabalho ignora as diferenças entre os setores produtivos e tende a afetar com mais força as empresas que já operam com margens apertadas.

O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, defendeu que a regulamentação da emenda constitucional leve em conta a realidade de cada segmento. Segundo ele, uma imposição generalizada pode comprometer a sustentabilidade financeira e a competitividade de boa parte da indústria, com impacto ainda maior sobre pequenos e médios negócios.

De acordo com levantamento da entidade, a redução da jornada elevaria o custo do trabalho em 11,4% em Santa Catarina. O estudo também projeta risco de extinção de 41,4 mil empregos no estado, sendo 19,1 mil apenas na indústria, além de uma queda estimada de 0,6% no PIB catarinense.

A FIESC afirma que, em um cenário de escassez de mão de obra qualificada, a obrigação de novas contratações pode tornar inviável a operação de pequenas e médias empresas. A consequência, segundo a federação, seria a necessidade de repassar parte desse custo aos consumidores, o que pressionaria os preços e alimentaria a inflação.

Na avaliação da entidade, o encarecimento do emprego formal também pode estimular a informalidade e favorecer a perda de postos com carteira assinada. O impacto seria percebido rapidamente no setor de serviços e, em seguida, na indústria e no comércio, afetando o custo de vida da população.

A FIESC sustenta ainda que a negociação coletiva já permitia acordos para jornadas e escalas diferenciadas, respeitando as características de cada setor. Para a federação, mudanças sustentáveis na jornada de trabalho só são viáveis quando acompanhadas de ganhos reais de produtividade, inovação e automação.

O Senado Federal aprovou a PEC 221/2019 no dia 14 de outubro, abrindo caminho para o fim da escala 6x1. Agora, a discussão deve avançar para a regulamentação da emenda, etapa em que a FIESC espera a inclusão de ajustes para reduzir os impactos sobre empresas e trabalhadores.

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