ALESC debate experiências Waldorf na educação pública

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13/07/2026 15:53
Legislativo catarinense

ALESC debate experiências Waldorf na educação pública

Por Rita Lombardi

 Publicado 13/07/2026 15:53  – Atualizado 13/07/2026 15:53

 O Deputado Marquito mediou o debate sobre experiências da Pedagogia Waldorf na educação pública brasileira, com a participação de representantes de escolas, organizações sociais e projetos de formação de educadores.
  • O Deputado Marquito mediou o debate sobre experiências da Pedagogia Waldorf na educação pública brasileira, com a participação de representantes de escolas, organizações sociais e projetos de formação de educadores. (Fotos: Cris Odara/Divulgação)

Atividade promovida pela Comissão de Educação e Cultura reuniu educadores, gestores e representantes de projetos sociais para discutir práticas pedagógicas voltadas ao desenvolvimento integral

A importância de fortalecer uma educação mais humana, capaz de responder com sensibilidade, responsabilidade social e compromisso comunitário aos desafios vividos por crianças, jovens e famílias, esteve no centro da mesa-redonda “Experiências da Pedagogia Waldorf na educação pública brasileira”, realizada na manhã desta segunda-feira, 13 de julho, no Auditório Antonieta de Barros, da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis.

Promovido pela Comissão de Educação e Cultura da ALESC, o encontro reuniu um público numeroso, formado por educadores, gestores, pesquisadores, famílias e representantes de instituições educacionais de diferentes regiões do país.

A realização do debate no âmbito da Assembleia Legislativa reforçou a importância de tratar a educação como uma pauta pública fundamental, especialmente diante do aumento das desigualdades sociais, das dificuldades enfrentadas pelas comunidades escolares e dos desafios relacionados à convivência, à inclusão, à saúde emocional e ao desenvolvimento integral de crianças e jovens.

Proposta educacional

Com mais de cem anos de trajetória, a Pedagogia Waldorf é uma proposta educacional consolidada internacionalmente. Sua abordagem considera as diferentes etapas do desenvolvimento humano e valoriza, entre outros aspectos, o vínculo entre educadores e estudantes, o brincar, as experiências artísticas, a convivência comunitária, o contato com a natureza e a construção progressiva da autonomia.

No Brasil, essa proposta está presente não apenas em instituições particulares, mas também em escolas públicas, projetos conveniados, instituições comunitárias e entidades beneficentes.
Atualmente, a Rede de Organizações Sociais na Pedagogia Waldorf reúne 38 instituições que oferecem educação gratuita a crianças e jovens em diferentes contextos sociais. A rede envolve aproximadamente 450 professores e atende cerca de 5.250 estudantes.

Experiências de diferentes regiões do Brasil
A mesa-redonda foi mediada pelo deputado estadual Marquito, presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e membro da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

Participantes com larga expertise

Participaram como debatedoras Talita Acrênea Melone, Gabriela Silva de Morais, Maria Regina Giachetta e Rosemeire Resende Laviano.

Mãe, educadora e artista, Talita Acrênea Melone atua na Pedagogia Waldorf desde 2001. É professora da Escola Waldorf Municipal Cecília Meireles, cofundadora da Associação Pedagógica Cecília Meireles e diretora da Federação das Escolas Waldorf no Brasil, representando a Rede de Organizações Sociais na Pedagogia Waldorf. Também integra o Fórum de Tutores de Escolas Waldorf.

Gabriela Silva de Morais é professora desde 2006, pedagoga formada pela Universidade Federal da Bahia e pós-graduada em Pedagogia Waldorf pelo Instituto Social Micael. É cofundadora e diretora pedagógica da Escola Waldorf Flor de Laranjeira e coordenadora da Rede de Organizações Sociais na Pedagogia Waldorf.

Maria Regina Giachetta foi professora Waldorf durante 30 anos na Escola Waldorf Anabá, dos quais 28 dedicados à Educação Infantil. Desde 2001, atua como professora e coordenadora da Formação de Professores Waldorf em Florianópolis. Integra também o corpo docente do Instituto Maiana, acompanhando o projeto Nós da Primeira Infância.

Mestre em Saúde da Comunicação Humana, graduada em Letras e Pedagogia, Rosemeire Resende Laviano possui 12 anos de experiência como professora de Educação Infantil Waldorf. É fundadora, diretora, coordenadora pedagógica e docente do Instituto Maiana, além de atuar em cursos de formação de professores e como consultora educacional.

Durante o encontro, as participantes apresentaram experiências desenvolvidas em escolas públicas, instituições comunitárias, projetos sociais e programas de formação de educadores.
Os relatos demonstraram como princípios da Pedagogia Waldorf podem ser desenvolvidos em realidades educacionais distintas, respeitando as características sociais, culturais e territoriais de cada comunidade.

Entre os temas abordados estiveram a valorização da infância, a formação continuada dos professores, o fortalecimento das comunidades escolares, o vínculo entre escola e família e a construção de práticas pedagógicas que reconheçam cada criança como um ser humano em desenvolvimento.
O debate também evidenciou que ampliar o acesso a propostas educacionais humanizadoras exige articulação entre educadores, organizações da sociedade civil, universidades, governos municipais e estaduais e demais instituições comprometidas com a educação pública.

Escola pública de Passo Fundo é referência regional
Entre as experiências apresentadas esteve a da EMEI Waldorf Sepé Tiaraju, de Passo Fundo, considerada a primeira escola pública Waldorf do Rio Grande do Sul.
Integrada à rede municipal de Educação Infantil, a escola desenvolve uma proposta pedagógica orientada por princípios da Pedagogia Waldorf, com atenção ao brincar, ao ritmo cotidiano, às atividades artísticas, à convivência, à criatividade e ao contato com a natureza.

A experiência de Passo Fundo constitui uma referência especialmente próxima de Santa Catarina e demonstra a possibilidade de inserção da abordagem Waldorf em redes públicas de ensino, com acesso gratuito e compromisso com as comunidades atendidas.

Formação de educadores cresce em Santa Catarina
O interesse pela formação de educadores também vem aumentando em Santa Catarina.
O núcleo catarinense do curso Nós da Pequena Infância, oferecido pelo Instituto Maiana, conta atualmente com 70 pessoas matriculadas. Desde 2020, 110 educadores catarinenses já passaram pela formação.
Os números demonstram a expansão do diálogo sobre infância, desenvolvimento integral e práticas pedagógicas humanizadoras entre profissionais que atuam em diferentes instituições e redes de ensino.

A formação oferece aos educadores instrumentos para observar e compreender os processos de desenvolvimento infantil, respeitando os ritmos das crianças e valorizando experiências relacionadas ao brincar, à imaginação, à arte, ao movimento e à convivência.

Debate amplia diálogo sobre educação pública
A realização da mesa-redonda no âmbito da Comissão de Educação e Cultura da ALESC colocou em evidência experiências educacionais já desenvolvidas em diferentes regiões do país e abriu espaço para o diálogo entre o poder público, educadores e organizações da sociedade civil.

O encontro reforçou a importância de políticas e práticas educacionais que considerem o desenvolvimento integral das crianças, a formação continuada dos professores, o fortalecimento das comunidades escolares e o respeito às diferentes realidades sociais e territoriais.

Após a mesa-redonda, foi exibido o documentário "Sementes Monte Azul", que apresenta histórias de vida transformadas pela educação e pelo trabalho comunitário.

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  • Educadores, gestores, pesquisadores e famílias acompanharam a mesa-redonda promovida pela Comissão de Educação e Cultura da ALESC no Auditório Antonieta de Barros. (Cris Odara/Divulgação)

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