Audiência pública vai discutir concorrência com importados e alta de custos que afetam produção catarinense

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou, na manhã desta quarta-feira (29), o Requerimento nº 50/2026, de autoria da deputada federal Daniela Reinehr (PL/SC), que solicita a realização de audiência pública para discutir a situação da produção de alho em Santa Catarina. A iniciativa foi articulada pela parlamentar diante do cenário de pressão crescente sobre os produtores.

A ideia, como a deputada vem defendendo, é reunir governo federal, governo estadual, prefeituras e produtores para colocar o problema de forma direta na mesa, com atenção especial aos municípios de Brunópolis e Curitibanos, que concentram parte relevante da produção no estado. Na avaliação da parlamentar, ouvir quem está no campo é o único caminho para construir respostas que, de fato, funcionem.

O diagnóstico apresentado pela proponente catarinense passa por um desequilíbrio claro. O Brasil produz entre 150 mil e 180 mil toneladas de alho por ano, mas consome mais de 300 mil toneladas. Esse espaço vem sendo ocupado por importações, principalmente da China e da Argentina, que chegam ao mercado com preços abaixo do custo de produção nacional. É aí, segundo a deputada, que está o ponto central da crise enfrentada pelo produtor brasileiro.

A esse cenário estão incluídos custos cada vez mais altos com insumos, logística e mão de obra, uma combinação que, como a deputada vem alertando, corrói a competitividade do setor. Em Santa Catarina, onde a produção é majoritariamente familiar, o impacto atinge diretamente a economia dos municípios.

Em regiões como Brunópolis e Curitibanos, a cultura do alho sustenta emprego, renda e a permanência das famílias no campo. Ao levar o tema para debate na Comissão, Daniela Reinehr busca dar visibilidade a essa realidade e abrir espaço para medidas que reequilibrem o mercado.

“Precisamos garantir condições justas para o produtor brasileiro competir. Hoje, quem produz aqui enfrenta custos elevados e regras rigorosas, enquanto o produto importado entra mais barato. Esse desequilíbrio precisa ser enfrentado”, afirma a deputada.

A audiência pública deve servir, na prática, para organizar esse diagnóstico junto ao setor e avançar em soluções concretas, com foco na recuperação da competitividade da produção nacional. A data do encontro ainda será definida pela Comissão.

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