Com 52 mulheres assassinadas em um ano, deputada representante das mulheres na Alesc promove seminário para cobrar responsabilidades institucionais e mobilizar a sociedade; evento é aberto ao público

Santa Catarina convive com uma tragédia anunciada. Em 2025, foram registrados 52 feminicídios no Estado, entre eles três crianças assassinadas. No mesmo período, ocorreram 255 tentativas de feminicídio, o segundo maior número do país. E os números pioram: foram registradas mais de 31 mil medidas protetivas por mulheres ameaçadas por companheiros e ex-companheiros. Os números escancaram uma emergência pública do tema da violência contra a mulher.

Diante desse cenário, a deputada estadual Luciane Carminatti (PT) realiza no dia 5 de março, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, o seminário “Vivas e Decididas - contra o feminicídio”, um ato de denúncia, cobrança institucional e mobilização social contra o feminicídio.

Para Luciane, a mobilização é urgente. “Quando o Estado falha, a violência avança. Cada mulher assassinada é resultado de negligência institucional. Este debate precisa sair dos gabinetes e envolver toda a sociedade”, afirma.

O evento reunirá representantes de diferentes poderes e instituições públicas. Já foram confirmados membros do Executivo federal, Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Legislativo estadual, Tribunal de Contas e governo do Estado, além de universidades, movimentos sociais, sindicatos e organizações da sociedade civil. A expectativa é de cerca de 1.000 participantes, em um dos maiores encontros já realizados na Alesc sobre violência contra a mulher.

O seminário parte do entendimento de que feminicídio não é fatalidade, é um tipo de crime previsível e evitável. Logo pela manhã, uma mesa institucional colocará frente a frente os poderes públicos para discutir responsabilidades, falhas e ações concretas, culminando na assinatura pública de um compromisso entre as instituições

Programação

Ao longo do dia, o evento aprofundará o debate sobre as raízes estruturais da violência, com destaque para convidados e convidadas de reconhecimento nacional, pesquisadores, magistrados e ativistas, reforçando que os assassinatos de mulheres não são casos isolados, mas resultado de escolhas políticas, retrocessos institucionais e tolerância à violência.

No encerramento, serão anunciadas medidas concretas, como a criação de um Centro de Pesquisa de Enfrentamento ao Feminicídio em Santa Catarina, financiado por emenda parlamentar do mandato da deputada Luciane Carminatti, além do lançamento de materiais práticos e da leitura de uma carta política construída coletivamente.

O evento é aberto ao público e ocorre ao longo de todo o dia, no auditório Antonieta de Barros na Assembleia Legislativa, em Florianópolis.
Inscrições: https://forms.gle/kd6CyW3TBgcLoxMKA

Programação completa
8h30 – 9h | Credenciamento
Recepção do público e exibição contínua de vídeo institucional com dados sobre o feminicídio em Santa Catarina

9h – 9h30 | Abertura solene

9h30 – 10h45 | Mesa 1 — Institucional
Compromisso dos Poderes: do luto público à responsabilidade institucional

Participação de representantes do:
– Executivo federal (Ministério das Mulheres)
– Judiciário de Santa Catarina
– Ministério Público ou Defensoria Pública
– Legislativo estadual
– Movimentos sociais e sociedade civil

Mediação: Luciane Carminatti

Ato de Compromisso Interpoderes pela Vida das Mulheres em Santa Catarina
Leitura pública e compromisso formal entre os poderes

11h – 12h30 | Mesa 2 — Masculinidades, poder e violência: a ruptura necessária

Convidados especiais:
– Sandro Justo – Sociólogo, mestre em Educação (UFF) e doutor em Serviço Social (UFRJ)
– Raphael Barbosa – Juiz-corregedor do Núcleo de Direitos Humanos da Corregedoria-Geral da Justiça do TJSC
– Deputado Pedro Uczai
– Ricardo Bortoli

Mediação: Luciane Carminatti

12h30 – 13h30 | Almoço

13h30 – 14h | Abertura da tarde
Intervenção cultural

14h – 15h30 | Mesa 3 — Antifeminismo, crueldade e feminicídio
Quando a violência se intensifica

Convidadas especiais:
– Carolline Sardá – Comunicadora, ativista feminista e criadora de conteúdo
– Karla Garcia – Psicóloga, doutora em Psicologia Social, pesquisadora do IFSC
– Normélia Lalau de Farias – Mestra em Educação e coordenadora do NEABI/UNESC
– Justina Cima – Camponesa, pedagoga e dirigente do Movimento de Mulheres Camponesas de SC

Mediação: Luciane Carminatti

15h45 – 16h45 | Encerramento político e institucional

Lançamento do Guia de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres
Anúncio da criação do Centro de Pesquisa de Enfrentamento ao Feminicídio em SC
Leitura da Carta Aberta “Vivas e Decididas Contra o Feminicídio”


16h45 – 17h | Encerramento final
Síntese política, convocação à continuidade e apresentação cultural

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