Jornal Imprensa do Povo faz um levantamento de como está a situação na cidade, uma das mais atingidas pelas fortes chuvas do mês de julho

O dia 14 de julho de 2015 está eternizado na memória de cada saudadense. Nesta data, o município de Saudades sentiu a fúria da água. Em questão de minutos, horas, famílias viram uma vida inteira de trabalho, de sacrifícios e sonhos levados embora com a força das águas. Uma dor que ficará estampada em cada semblante que vivenciou aquele momento.

Cerca de 50 dias após a inundação que devastou parte da cidade do Vale da Hospitalidade, pessoas ainda buscam forças para retomar e reconstruir suas vidas. São momentos em que a solidariedade toma conta deste município que tem em torno de 9.450 habitantes.

Daniel Kothe, prefeito de Saudades, fez um balanço sobre os prejuízos e os trabalhos que estão em andamento. Segundo ele, a estimativa para que o município volte à normalidade é de 4 a 5 anos.

Balanço

Segundo os dados, foram em torno de mil pessoas desalojadas, cerca de cinco mil pessoas afetadas diretamente, 300 casas inundadas, com prejuízo aproximado a R$ 9 milhões (somando a casa, eletrodomésticos, móveis). Deste total, 20 casas foram totalmente destruídas.

No comércio, 82 estabelecimentos afetados, chegando a um prejuízo de aproximadamente R$ 12 milhões (somando máquinas, equipamentos, caminhões, estoque de mercadorias, estrutura comprometida).

Na infraestrutura pública, 15 prédios foram atingidos e o prejuízo estimado é de R$ 4,3 milhões aproximadamente. Em torno de 80 pontos de desmoronamentos registrados nas estradas, além da destruição de 24 bueiros, o que gera um prejuízo estimado de R$ 189,5 mil, mais 18 pontes afetadas, entre elas 11 destruídas e a queda de 15 barreiras. 

Além disso, foram cerca de 2,5 mil caçambas de entulhos recolhidos e levados para um depósito provisório. Foram feitos cerca de 150 quilômetros de recuperação de entrada e recuperadas sete cabeceiras de pontes, entre outros serviços.

Famílias

Ações de ajuda humanitária foram prestadas a 250 famílias, que foram cadastradas e beneficiadas com cesta básica, água, roupas, colchões, material de limpeza, calçados. A Secretaria de Assistência Social permanece realizando a doação de donativos. Quem necessita materiais ou alimentos pode procurar diretamente o órgão no município. Praticamente todas as famílias já retornaram para suas casas, as que não voltaram, estão na casa de parentes e amigos.

Recursos

A administração está aguardando a liberação de recursos federais e estaduais para reconstruir as pontes, pontilhões e recursos para a reconstrução das 20 casas que foram destruídas. A expectativa é que seja em curto prazo. "Também estamos aguardando uma medida provisória do governo estadual que possa regulamentar a liberação de recursos via Badesc para as empresas atingidas", explica o prefeito.

Também são aguardadas medidas como políticas de crédito e destinação de dinheiro a fundo perdido para reconstrução das estruturas públicas. Têm prioridade aquelas que foram mais afetadas, como a escola EMEF, o CEI Trenzinho Alegre, Secretaria de Agricultura, Cidasc, Epagri. Na estrutura do módulo esportivo não há condições de em curto prazo realizar a reconstrução, pelo tamanho do dano.

Foram recebidos 30 mil litros de diesel, da Secretaria de Estado da Defesa Civil, utilizado nas máquinas usadas para a limpeza e recuperação das estradas. "Estamos concluindo o plano de trabalho para receber mais R$ 189 mil para aquisição de tubos para as estradas gerais. Aguardamos a liberação de mais dinheiro, mas é um período muito difícil, pois estamos fazendo contenção de despesas. Mas não temos nem como pensar em trabalhar meio período pela quantidade de serviço que temos. Estimamos que vamos demorar de 4 à 5 anos para voltar ao normal", diz o prefeito.

Ginásio do Módulo Esportivo

Segundo Kothe, deverá ser feita uma reforma no pavilhão. "A equipe de engenharia está trabalhando nessa parte. Estamos convocando os usuários do ginásio, as equipes de futebol, para ajudar e também trocar sugestões de como podemos realizar o trabalho de recuperação", disse.

Hidrocamping Hípica

Não existe investimento de recursos a curto prazo. "Temos que ir de acordo com a ordem de prioridade. Pelo grau de destruição que teve lá, temos que pensar praticamente num projeto 100% novo", explica Kothe.

A reportagem do Jornal Imprensa do Povo conversou com Alexandre Lauxen, um dos membros da família que precisou ser resgatada com o uso de um helicóptero, em Saudades, durante as fortes chuvas que atingiram a região no mês de junho.

Alexandre, que mora na mesma propriedade do irmão, teve a casa destruída e levada pela enxurrada. No local, as duas famílias mantinham uma área para camping, que está agora em processo de reconstrução.

Em poucas palavras, Alexandre Lauxen conta como estão as atividades das duas famílias e as ações para reconstruir o que existia no local.

Trabalho
Alexandre - Foi um mês de bastante trabalho, para se reorganizar, fazer a limpeza, mas aos poucos as coisas vão se ajeitando, dar tempo ao tempo, não ter pressa em querer apurar as coisas e bola pra frente, as coisas não caem do céu e vamos levando a vida.

Doações
Alexandre - De doações veio muita coisa, desde aparelho eletrodoméstico, cama, colchão, geladeira, roupas, temos que agradecer muito ao pessoal que fez questão em colaborar, melhor poder ajudar que ser ajudado, e nós ficamos gratos pela ajuda que recebemos.

Camping Lauxen
Alexandre - O campo de futebol já está praticamente pronto, só falta a iluminação, acredito que em torno de duas semanas estaremos voltando às atividades normais. Aos poucos tudo vai se ajeitando. O campo vai ficar bonito, mais valorizado e mais visitado do que antes.

Casa
Alexandre - Meu irmão já recebeu tijolos, cimento e ainda há promessa de mais doação. Mas isso tudo é doação particular, nada através do governo. Ele ainda está planejando onde construir a casa.

Rotina
Alexandre - Acredito que até novembro as atividades estarão normais. Como a cidade foi bastante afetada, depende da mão de obra e do trabalho de pedreiro, que hoje está limitado. Para onde se olha eles estão trabalhando, ai precisamos um pouco de calma.

Prejuízo
Alexandre - Levantamento exato não foi feito. Tem muita coisa que estamos sentindo falta e que antes a gente não notava. Quando vai buscar uma ferramenta, percebe que aquilo não existe mais. Mas há uma estimativa de prejuízo que gira em torno de R$ 600 mil, juntando o camping, galpão, campo de futebol e a casa.

Bola pra frente
Alexandre - Não é hora de o povo desanimar. Levantar a cabeça, bola pra frente que a vida continua. O que aconteceu foi destino da natureza, mas graças a Deus não levou nenhuma vida, que é o fator principal. Aos poucos vamos recuperando, trabalhando e batalhando. Não se pode ter pressa. Se tem saúde, tem trabalho, vai recuperando as coisas.

Agradecimento
Alexandre - Temos que agradecer a todos que se esforçaram, logo após a inundação. Os amigos, parentes, conhecidos, vizinhos, pessoas que a gente nem conhecia vieram em peso, o que tinha que fazer eles ajudaram, desde a limpeza do campo de futebol, a parte do camping que sobrou. Todo o pessoal ajudou. Foi trabalho voluntário, e trabalharam muito.

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