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A alta do diesel, que voltou ao centro das discussões sobre o mercado de combustíveis após chegar a R$ 7,33 por litro no Brasil, é parte de um cenário econômico de forte pressão sobre as margens do transporte. (Fotos: CNT)
Alta do combustível, juros elevados e aumento de outros insumos reforçam a pressão sobre as transportadoras
A alta do diesel, que voltou ao centro das discussões sobre o mercado de combustíveis após chegar a R$ 7,33 por litro no Brasil, é parte de um cenário econômico de forte pressão sobre as margens do transporte. Dados do Boletim de Conjuntura Econômica de outubro da CNT mostram que outros componentes dos custos operacionais também registraram aumento neste ano, reforçando a importância de monitorar os preços dos insumos e as condições econômicas que influenciam a atividade dos negócios.
Até setembro, o preço do óleo diesel subiu 15,26%, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), impulsionado pela valorização do petróleo Brent ao patamar de US$ 100,00. Naquele mês, o combustível avançou 1,69%, após quatro meses consecutivos de queda, mesmo com a subvenção federal de R$ 2,12 por litro. Esse choque de custos em 2026 contrasta com o observado no mesmo período de 2025, quando o acréscimo era de 1,57%.
O movimento inflacionário também se estendeu a outros insumos relevantes para a operação do transporte. O óleo lubrificante ficou 14,09% mais caro entre janeiro e setembro, ante 1,58% no mesmo período do ano anterior. Já o pedágio encareceu 4,65%, revertendo a queda de 2,53% observada nos nove primeiros meses de 2025.
Os dados indicam que a escalada dos custos não se restringe aos combustíveis. Observar o comportamento de diferentes itens permite compreender melhor o ambiente operacional das companhias e subsidiar o planejamento financeiro e a gestão dos recursos.
Além dos preços, os indicadores de inflação e juros ajudam a contextualizar o quadro econômico em que as empresas de transporte tomam decisões. Em setembro, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta de inflação. Nesse intervalo, o grupo Transportes acumulou variação de 3,94%.
A taxa básica de juros, a Selic, permaneceu em 13,75% ao ano em outubro. Mesmo após cinco reduções consecutivas que totalizaram 1,25 ponto percentual desde março, o Brasil continuou apresentando o maior juro real entre as principais economias consideradas no boletim, alcançando 8,77% ao ano.
Para quem atua no transporte, a manutenção dos juros em patamar elevado encarece significativamente o custo de capital nas decisões de financiamento, seja para capital de giro, seja para renovação de frota e aquisição de equipamentos. Nesse contexto, a trajetória desses preços e das condições de crédito compõe o conjunto de variáveis que precisam ser consideradas na estratégia corporativa.
Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, a análise conjunta dos indicadores econômicos é fundamental para compreender os fatores que afetam a operação das transportadoras. “A evolução dos custos dos insumos, combinada às condições de crédito e ao comportamento da atividade econômica, reforça a importância do planejamento das empresas de transporte e do acompanhamento do cenário econômico detalhado para a tomada de decisões.”
Desempenho varia entre os segmentos
O boletim também apresenta diferenças no ritmo da atividade econômica entre os segmentos do transporte, refletindo a perda de dinamismo geral. Segundo a PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), do IBGE, as atividades de transporte, serviços auxiliares aos transportes e correio recuaram 1,5% de janeiro a agosto de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Nesse intervalo, o transporte terrestre cresceu 0,8%, impulsionado pelas altas de 2,6% no transporte rodoviário de passageiros e de 0,5% no de cargas.
No acumulado do ano, o transporte aquaviário recuou 0,2%, o segmento de armazenagem, serviços auxiliares e correio caiu 2,2%, e o transporte aéreo teve a maior retração, de 13,6%. Apesar do saldo anual negativo, o mês de agosto revelou pontos de resiliência: o transporte aquaviário atingiu recorde histórico no volume de serviços, ficando 49,3% acima do nível pré-pandemia.
Texto por Fetrancesc com informações de CNT.
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