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Depois de anos esbarrando na dificuldade de acesso ao crédito, o casal de avicultores Leandro e Simone encontrou na cooperativa o apoio que precisava para construir um aviário climatizado. (Fotos: Assessoria de comunicação Cresol)
Com crédito e assistência técnica, os Juriatti avançam para uma nova fase na avicultura familiar
A rotina na propriedade da família Juriatti, na Linha Vila Nova, em Chapecó (SC), começa cedo e o ritmo é intenso. Mas, entre o trabalho duro e as tarefas diárias da avicultura, o que prevalece é o brilho nos olhos de quem encontrou no campo o seu verdadeiro projeto de vida. Liderada por Leandro Juriatti e sua esposa, Simone da Silva, a família, que conta ainda com o jovem Henrique e a pequena Maria Luiza, compartilha uma paixão que atravessa gerações.
“Eu amo o que eu faço, sou muito feliz no que eu faço. É um orgulho para a gente. Muitas vezes eu entro dentro do aviário, me encanto, sento na mureta na lateral, faço foto pra mim mesmo, fico cuidando e olhando como os frangos estão se desenvolvendo”, relata Leandro.
Essa ligação com a terra vem do berço. O pai de Leandro trabalhou a vida inteira como empregado, cuidando de aviários para terceiros, um caminho que o próprio Leandro seguiu no começo. “Nós viemos de categoria de base. O meu pai foi empregado a vida inteira, e eu trabalhei dentro de aviário uns quatro, cinco anos”, relembra com orgulho de suas raízes. A virada de chave começou na transição para os anos 2000, quando a família se mudou para a atual propriedade e, com muito suor, ergueu o primeiro barracão convencional de 100 metros em 2002.
O obstáculo financeiro e o abraço cooperativo
Apesar da dedicação diária, o casal sempre nutriu a vontade de crescer, sonhando em construir um aviário moderno e climatizado. No entanto, o caminho para a expansão se mostrou cheio de barreiras. “O meu sonho, os meus projetos começaram há muito tempo. Várias tentativas, e o obstáculo maior sempre foi o banco”, desabafa Leandro.
O desabafo ecoa a realidade de milhares de produtores brasileiros e ajuda a explicar uma mudança no financiamento do campo. Em dez anos, as cooperativas de crédito passaram de 13% para 25% das operações de crédito rural no país, segundo dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central. Entre os médios produtores, atendidos pelo Pronamp, essa participação chegou a 50% em 2025. A presença física também pesa: conforme o Banco Central, em 1.072 municípios brasileiros há cooperativas de crédito, mas nenhuma agência bancária.
Foi por meio de conversas com vizinhos que a história da família tomou um novo rumo: a indicação para procurar a Cresol, cooperativa de crédito que, segundo a própria instituição, reúne mais de 1 milhão de associados e mais de mil agências em 20 estados.
Ao entrarem na agência, a família encontrou parceria e acolhimento humano. “A cooperativa nos acolheu de braços abertos, a gerente abraçou a minha causa do fundo do coração, com toda a força. Para mim, hoje, ela é uma segunda mãe. É um tratamento diferenciado que não se encontra em qualquer agência”, emociona-se Leandro ao destacar os rostos por trás da instituição.
Um movimento nacional
A experiência dos Juriatti se repete em escala. O cooperativismo de crédito reunia 21,2 milhões de associados no fim de 2025, alta de 10,4% em um ano, e ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão em ativos, de acordo com o Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, publicado pelo Banco Central. No mesmo ano, a carteira de crédito das cooperativas cresceu 13,1%, enquanto a do restante do sistema financeiro avançou 8,5%.
Boa parte desse crescimento passa pela agricultura familiar. Segundo a Cresol, a cooperativa liberou R$ 16,8 bilhões em crédito rural na safra 2025/26, 40% a mais que no ciclo anterior. Desse total, R$ 6,9 bilhões vieram do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), sua principal linha. Para a safra 2026/27, a meta é chegar a R$ 18 bilhões.
O cenário favorece quem quer investir. O Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/27, lançado pelo governo federal, prevê R$ 97,3 bilhões para o segmento, sendo R$ 85,2 bilhões em crédito do Pronaf, 9% a mais que na safra anterior, com redução de juros em diversas linhas. É esse tipo de recurso que transforma projetos como o de Leandro e Simone em barracões de pé.
Da obra ao aprendizado
Com o financiamento aprovado e as obras em andamento, surgiu um novo desafio: a adaptação à tecnologia. Acostumados com o modelo tradicional a vida inteira, eles precisaram dominar a automação do novo aviário. “A nossa maior dificuldade foi entender o sistema elétrico trabalhando em si, porque é completamente diferente”, explica o produtor.
Nesse momento, o modelo cooperativista mostrou outra face: a força da rede. A Aurora Coop forneceu toda a assistência técnica e veterinária, ensinando o manejo na prática e levando a família para conhecer outras instalações climatizadas antes mesmo de o barracão ficar pronto. Crédito de um lado, suporte técnico do outro: uma estrutura cooperativa que acompanha o produtor de ponta a ponta.
E no meio de tijolos, equipamentos e muito aprendizado, a vida mandou uma surpresa: bem na época da construção, Simone descobriu que estava grávida. Hoje, a bebê Maria Luiza acompanha a correria dos pais pela propriedade.
Uma engrenagem de uma máquina gigante
A propriedade se transformou. Onde antes havia apenas um sonho no papel, em breve haverá capacidade para alojar quase 100 mil aves por lote. Esse volume coloca a família Juriatti dentro de uma das cadeias mais competitivas do agronegócio brasileiro.
O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo: em 2025, produziu 15,3 milhões de toneladas e embarcou 5,3 milhões de toneladas para 153 países, com receita de US$ 9,8 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O valor bruto da produção do setor chegou a R$ 112,6 bilhões. A Região Sul concentra 65,7% do abate nacional, e Santa Catarina ocupa a segunda posição entre os estados, com 13,65%, atrás apenas do Paraná.
Para a família, o salto estrutural deve mudar por completo a realidade financeira e o padrão de vida.
O futuro já tem nome
Para os próximos anos, os planos são continuar investindo, com a expectativa de quitar os barracões em uma década e ver o filho Henrique, em cerca de cinco anos, assumindo ainda mais a linha de frente dos negócios.
O plano tem um peso que vai além da porteira. A agricultura familiar responde por 77% dos estabelecimentos rurais do país e por 67% das pessoas ocupadas no campo, segundo o Censo Agropecuário 2017, do IBGE. Mas o campo também envelhece: entre 2006 e 2017, a fatia de produtores com 65 anos ou mais passou de 17,5% para 23,2%. No sentido oposto, os produtores de 25 a 34 anos caíram de 13,6% para 9,3%, e os com menos de 25 anos, de 3,3% para 2%. Diante desse cenário, uma família que já sabe quem vai continuar o negócio é exceção.
Ao olhar para trás e ver tudo o que foi construído, Leandro resume o sentimento que carrega no peito: “O cooperativismo para nós é uma união, uma força a mais. Se não fosse essa ajuda da Cresol e da Aurora Coop, a gente não estaria aonde chegou.”
EM NÚMEROS: o cooperativismo de crédito e o campo
21,2 milhões de brasileiros são associados a cooperativas de crédito (Banco Central, dez/2025);
R$ 1 trilhão em ativos no sistema cooperativo de crédito (Banco Central, dez/2025);
25% das operações de crédito rural do país passam por cooperativas, ante 13% há dez anos (Sicor/Banco Central);
1.072 municípios têm cooperativa de crédito e nenhuma agência bancária (Banco Central, dez/2025);
R$ 85,2 bilhões em crédito do Pronaf no Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/27 (Governo Federal);
153 países compram carne de frango brasileira (ABPA, 2025).
Texto por Comunicação Ocesc com informações de Assessoria de comunicação Cresol.
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