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. (Fotos: ASCOM)
Gás associado e não associado se diferem pela extração, composição e uso
A maior parte do gás natural utilizado hoje foi formada pela degradação da matéria orgânica de animais e vegetais, um processo que levou milhões de anos. As bactérias anaeróbicas e a exposição ao intenso calor e pressão são as responsáveis pela conversão de parte desse material em gás natural.
O GN é uma mistura de hidrocarbonetos que permanece em estado gasoso em condições atmosféricas normais e é extraído de reservatórios de petróleo ou de gás. O que diferencia o gás associado do não associado está, principalmente, no tipo de reservatório de onde o produto é extraído.
Qual a diferença entre gás associado e não associado?
O gás associado se forma junto ao processo geológico do petróleo e é encontrado no mesmo reservatório, dissolvido no óleo ou acima dele, na chamada "capa de gás". Ele é extraído junto com o petróleo durante a produção dos poços e, por isso, sua oferta depende da presença e do ritmo de produção do óleo, e não da demanda por gás. Após a extração, o gás precisa ser separado do óleo bruto e passar por limpeza e processamento, para então estar pronto para distribuição e consumo.
A produção nacional é predominantemente de gás associado: segundo a ANP, em 2025, 89,7% do gás produzido no Brasil tinha essa origem.
Parte do gás associado não chega ao mercado: uma fração é usada na própria plataforma, por exemplo na geração de energia, e outra é reinjetada no reservatório para manter a pressão e favorecer a produção de petróleo.
O gás não associado, por sua vez, não depende da presença de petróleo no mesmo local. Ele é extraído de reservatórios de gás, em terra ou no mar, e ocorre na camada rochosa da jazida, livre de óleo e de água. Isso permite que a produção seja basicamente de gás natural e que possa ser ajustada à demanda, o que dá mais flexibilidade.
Também há diferença de composição entre os tipos de gás. O gás não associado costuma ter maior proporção de metano e menos hidrocarbonetos pesados, como etano, propano e butano. Já o gás associado é mais "rico" nesses componentes, que podem ser separados no processamento e originar líquidos de gás natural, como o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o popular gás de cozinha.
Nesse contexto, fala-se em gás seco e gás úmido. O gás seco é formado quase só por metano, com pouca presença de componentes líquidos. O gás úmido contém maior fração de hidrocarbonetos mais pesados, que podem ser condensados e recuperados.
Assim, as diferenças observadas entre os tipos de gás natural refletem as particularidades dos processos de extração e distribuição. O gás associado está ligado ao petróleo, e sua oferta depende do ritmo de produção do óleo, já o gás não associado vem de reservatórios de gás, o que permite ajustar a produção à demanda com mais flexibilidade. Entender essa distinção ajuda a compreender a oferta e o uso do gás no país.
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