Santa Catarina quer aproximar produção e indústria na ovinocaprinocultura

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25/09/2026 11:00
Ovinocaprinocultura

Santa Catarina quer aproximar produção e indústria na ovinocaprinocultura

Por Jornalismo

Fonte: Sebrae SC

 Publicado 25/09/2026 11:00  – Atualizado 25/09/2026 11:00

 Encontro em Chapecó reuniu lideranças do setor e representantes do Sebrae/SC, Embrapa e Epagri para debater o desenvolvimento da cadeia.
  • Encontro em Chapecó reuniu lideranças do setor e representantes do Sebrae/SC, Embrapa e Epagri para debater o desenvolvimento da cadeia. (Fotos: Divulgação)

Sebrae/SC e Embrapa negociam cooperação técnica para levar genética, manejo e processamento à cadeia catarinense

Santa Catarina quer aproximar duas pontas que ainda avançam em ritmos diferentes na cadeia da ovinocaprinocultura: uma base produtiva pulverizada, com limitações de escala e produtividade, e uma estrutura industrial que já reúne 37 frigoríficos aptos ao abate. O tema foi debatido em reunião de governança da cadeia realizada no ChapeHub, em Chapecó, com representantes do Sebrae/SC, Epagri, Embrapa Pecuária Sul e lideranças do setor.

O principal encaminhamento é a construção de um acordo de cooperação técnica entre o Sebrae/SC e a Embrapa Pecuária Sul, de Bagé (RS). A proposta prevê a transferência de tecnologias de genética, manejo, sistemas de produção e processamento de carnes para propriedades, técnicos e agroindústrias catarinenses, com foco em elevar a eficiência da cadeia e ampliar a oferta de animais para o mercado formal.

Segundo o gestor do projeto estadual de ovinos e caprinos do Sebrae/SC, Filipi Andrade, a incorporação desse conhecimento pode acelerar o avanço do setor. A ideia é melhorar a genética dos animais, aprimorar os sistemas de manejo e aumentar a prolificidade, para que Santa Catarina consiga entregar mais volume ao abate formal sem depender apenas da expansão do rebanho.

O diagnóstico apresentado na reunião mostra desafios importantes, como baixa produtividade, escala reduzida, falta de padronização, deficiência de dados integrados e grande número de produtores sem assistência técnica. Ao mesmo tempo, o setor enxerga oportunidades claras: demanda acima da oferta, presença de frigoríficos, produtores dispostos a expandir a atividade e condições de clima, solo e estrutura técnica favoráveis ao crescimento.

Entre as tecnologias avaliadas estão programas de melhoramento animal, avaliação genômica, seleção para resistência à verminose e genes associados à prolificidade. A Embrapa também trabalha com estudos que favorecem partos múltiplos, o que pode aumentar a produção de cordeiros por matriz e elevar a eficiência do sistema produtivo.

Além do trabalho dentro das propriedades, a parceria mira soluções fora da porteira. A Embrapa desenvolveu processos para produtos como presunto cru, copa e uma versão de bacon à base de carne ovina. Essas tecnologias podem abrir espaço para itens em porções menores, com maior vida útil e maior valor por quilo, reduzindo a dependência da venda de cortes inteiros.

Para o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sul, Tiago Rolim, o pacote disponível cobre diferentes etapas da atividade, da produção à agroindústria. A intenção é levar soluções tecnológicas desde a propriedade rural até o processamento industrial, criando uma cadeia mais integrada e competitiva.

O pesquisador Marcos Borba avalia que Santa Catarina tem uma vantagem institucional importante, com capacidade de articulação entre produtores, entidades técnicas, governo e mercado. Para ele, esse ambiente favorece a organização da cadeia e a incorporação de novas tecnologias, especialmente pela forte presença de frigoríficos no Estado.

Hoje, Santa Catarina soma cerca de 349,5 mil ovinos, entre 12 mil e 15 mil produtores, além de 33,9 mil caprinos em aproximadamente 3,8 mil propriedades. Na ovinocultura, a produção anual é estimada em 143 mil animais, com 210 mil matrizes produtivas, enquanto apenas 28,3 mil seguem para abate inspecionado. O Estado também responde por 390 mil litros de leite de ovelha, o equivalente a 41,5% da produção nacional.

Entre as prioridades estão a atualização dos dados do rebanho, a melhoria dos modelos de produção, a gestão zootécnica, a padronização, a rastreabilidade e o aumento da escala e da regularidade da oferta. Para o Sebrae/SC, a organização das propriedades e a conexão com o mercado são essenciais para que a cadeia avance com planejamento, eficiência e maior competitividade.

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  • Gestor do projeto estadual de ovinos e caprinos do Sebrae/SC, Filipi Andrade, destaca que parceria dará escala à produção. (Divulgação)

  • Coordenador da Câmara Setorial de Ovinos e Caprinos de Santa Catarina, Paulo Gregianin, apresentou o potencial e os gargalos da cadeia. (Divulgação)

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