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Os produtores de soja devem reforçar o monitoramento da mosca-branca (Bemisia tabaci) durante a safra 2026/27. (Fotos: Portal do Agronegócio)
Especialista alerta para risco elevado na safra 2026/27 e reforça que o controle começa com monitoramento precoce
Produtores de soja devem ficar atentos ao avanço da mosca-branca na safra 2026/27. A combinação de temperaturas elevadas e períodos de seca, especialmente em áreas sob influência do El Niño, pode criar um cenário favorável para a multiplicação da praga e elevar o risco de prejuízos no campo.
O pesquisador Germison Tomquelski destaca que a preparação antecipada será decisiva para reduzir danos. Segundo ele, identificar as primeiras infestações e fazer o controle no momento correto é essencial para impedir que a praga se mantenha na lavoura durante todo o ciclo da cultura.
A mosca-branca se desenvolve melhor em ambientes quentes e secos, o que amplia a preocupação em safras marcadas por irregularidade das chuvas. Em ciclos anteriores com condições semelhantes, houve aumento da pressão da praga e maior demanda por inseticidas específicos, em alguns casos com dificuldade de abastecimento no mercado.
Tomquelski cita a safra 2022/23 como exemplo de cenário favorável ao avanço do inseto. Para ele, a lição deixada por esse histórico é clara: o planejamento do manejo precisa começar antes que a população atinja níveis críticos e comprometa a eficiência das medidas de controle.
Sem controle adequado, a praga pode causar perdas estimadas entre 10% e 70% na soja, dependendo da intensidade do ataque e do potencial produtivo da área. Em termos práticos, o impacto pode variar de cinco a 30 sacas por hectare, de acordo com o pesquisador.
Os danos ocorrem tanto pela sucção de seiva quanto por efeitos indiretos. A mosca-branca também libera substâncias açucaradas nas folhas, favorecendo a fumagina, que reduz a área fotossintética. Além disso, pode transmitir viroses, atrasar o crescimento da planta, diminuir o peso dos grãos e comprometer o rendimento na colheita.
O acompanhamento frequente dos folíolos é apontado como uma das principais ferramentas para detectar a infestação cedo. O produtor deve observar adultos, ovos e, principalmente, ninfas na face inferior das folhas, intensificando as avaliações antes do fechamento das entrelinhas, quando a cobertura das aplicações e a visualização da praga ficam mais difíceis.
O especialista recomenda atenção quando forem encontradas entre duas e três ninfas por folíolo, mas reforça que a decisão final precisa considerar o histórico da área, as condições da lavoura e a orientação de um engenheiro-agrônomo. O atraso no controle aumenta o risco de perdas expressivas e dificulta a quebra do ciclo da praga.
Um erro comum, segundo Tomquelski, é esperar o calendário de fungicidas para incluir o inseticida no mesmo momento. Como o intervalo para o manejo de doenças nem sempre coincide com o ciclo da mosca-branca, essa prática pode permitir a formação de novas gerações e tornar o controle menos eficiente.
Entre os ingredientes ativos disponíveis, a buprofezina atua principalmente sobre as formas jovens do inseto e apresentou eficácia próxima de 80% nos estudos citados. Para funcionar melhor, o produto precisa ser aplicado no início da infestação, dentro de uma estratégia de manejo integrado que inclua rotação de mecanismos de ação, uso de produtos registrados e respeito às recomendações técnicas e de bula.
Com a possibilidade de uma safra marcada por calor e irregularidade das chuvas, acompanhar a lavoura desde os primeiros estádios será fundamental. Para o produtor, estar preparado e agir cedo pode fazer a diferença entre preservar a produtividade ou conviver com a praga ao longo de todo o ciclo da soja.
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