Ação gratuita do Ministério da Justiça segue até sexta-feira e mobiliza 342 postos em todo o país

Começou na segunda-feira (24) a 4ª Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas, iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) que busca ampliar a identificação de pessoas desaparecidas em todo o país.

A mobilização ocorre em referência ao Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimento Forçado, celebrado em 30 de agosto, e segue até sexta-feira (28). Durante o período, 342 postos oficiais de coleta estarão disponíveis em todas as regiões do Brasil. O procedimento é gratuito e permite que familiares forneçam material genético para auxiliar nas buscas.

As amostras coletadas são cadastradas e inseridas nos bancos Estadual, Distrital e Nacional de Perfis Genéticos. A partir daí, os dados podem ser cruzados para identificar possíveis vínculos genéticos com pessoas desaparecidas.

A estratégia também é integrada ao Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD), plataforma que reúne e organiza informações sobre casos registrados em todo o país. Segundo o MJSP, o material genético coletado será utilizado exclusivamente para a busca e identificação de pessoas desaparecidas.

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) considera a mobilização um avanço nas políticas de busca e identificação de pessoas desaparecidas, mas chama atenção para a distribuição dos postos de coleta.

Segundo a entidade, grande parte das unidades está concentrada nas capitais e nos grandes centros regionais. Apenas cerca de 20% dos pontos estão instalados em Municípios com menos de 50 mil habitantes, embora esse seja o perfil da maioria dos Municípios brasileiros.

Para a CNM, a mobilização também representa uma oportunidade de fortalecer a atuação integrada entre as áreas de segurança pública, assistência social e proteção às famílias.

Nesse contexto, a rede do Sistema Único de Assistência Social (Suas), por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), pode contribuir para divulgar a campanha, orientar familiares sobre os procedimentos, indicar os pontos oficiais de coleta e realizar os encaminhamentos necessários dentro das atribuições da política de assistência social.

Quem pode doar?


A prioridade é para familiares biológicos de primeiro grau da pessoa desaparecida, como:

Pai e mãe;
Filhos;
Irmãos que tenham o mesmo pai e a mesma mãe.
Caso esses familiares não estejam disponíveis, outros parentes poderão ser considerados.

Crianças também podem fornecer material genético, desde que estejam acompanhadas pelo responsável legal. Quem já realizou a coleta de DNA anteriormente não precisa repetir o procedimento.


A doação pode ser realizada em qualquer um dos 342 pontos oficiais de coleta espalhados pelo país, independentemente do Estado ou Município onde ocorreu o desaparecimento.

Também não há limite de tempo: familiares podem participar mesmo que o desaparecimento tenha ocorrido há muitos anos.

A relação de endereços e telefones dos postos está disponível na página oficial da campanha.
No dia da coleta, o familiar deve apresentar:

Documento oficial de identificação;
Informações do Boletim de Ocorrência (BO), como número, Estado onde foi registrado e delegacia responsável.

O MJSP recomenda levar uma cópia do BO, mas o documento não é obrigatório para a realização da coleta. Caso ainda não exista registro do desaparecimento, a família deve procurar a delegacia mais próxima para registrar a ocorrência.

Também é possível levar objetos pessoais da pessoa desaparecida, desde que possam conter material genético. Esses itens podem auxiliar no processo de identificação.
O procedimento é realizado por peritos oficiais, de forma gratuita, rápida e indolor.

A coleta utiliza um cotonete na parte interna da bochecha. Não é necessário retirar sangue nem fazer jejum antes do procedimento.

Caso o familiar não consiga comparecer ao posto de coleta, o MJSP recomenda entrar em contato com a unidade mais próxima. A equipe poderá avaliar a possibilidade de realizar o procedimento por outra forma.

Se o cruzamento dos dados resultar na identificação de uma pessoa desaparecida, é emitido um laudo oficial de identificação, que é encaminhado à delegacia responsável pelo caso. A autoridade policial, então, entra em contato com a família para orientar sobre os próximos procedimentos.

Mais de 51 mil desaparecimentos registrados em 2026
A mobilização ocorre em um cenário de números expressivos de desaparecimentos no Brasil.

Segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais, de Rastreabilidade de Armas e Munições, de Material Genético, de Digitais e de Drogas (Sinesp), 51.234 pessoas foram registradas como desaparecidas em 2026.

O número representa uma taxa de 41 desaparecimentos para cada 100 mil habitantes, equivalente a aproximadamente 242 pessoas desaparecidas por dia.

A média mensal chega a 7.319 registros em todo o território nacional.

São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Paraná aparecem entre os Estados com maior número de registros.

A campanha busca justamente ampliar a quantidade de perfis genéticos disponíveis para comparação e, dessa forma, aumentar as possibilidades de localização e identificação de pessoas desaparecidas e de resposta às famílias.

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