Deficiente visual de Brusque utiliza óculos com inteligência artificial para ampliar autonomia e acessibilidade

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24/08/2026 13:48
Dispositivo Hey Meta

Deficiente visual de Brusque utiliza óculos com inteligência artificial para ampliar autonomia e acessibilidade

Por Jornalismo

Fonte: O Municipio / Blumenau - SC

 Publicado 24/08/2026 13:48  – Atualizado 24/08/2026 13:48

Morador de Brusque, Sidnei Pavesi encontrou na inteligência artificial uma maneira de auxiliá-lo nas atividades do dia a dia
  • Morador de Brusque, Sidnei Pavesi, encontrou na inteligência artificial uma maneira de auxiliá-lo nas atividades do dia a dia (Fotos: Mariana Beuting/O Município)

Aparelho foi adquirido quando a tecnologia ainda não havia chegado ao Brasil

O morador de Brusque, Sidnei Pavesi, é deficiente visual desde os 14 anos e, recentemente, encontrou na inteligência artificial uma maneira de auxiliá-lo nas atividades do dia a dia. Ele adquiriu um óculos Ray-Ban integrado à inteligência artificial da Meta.

A deficiência visual de Sidnei é hereditária. Ele conta que, até os 14 anos, enxergava muito pouco e foi nessa época que ficou totalmente cego. “Aí eu tive que reaprender a viver de forma diferente”, relata.

“A gente tenta levar uma vida da melhor forma possível. Usando, é claro, todas as tecnologias acessíveis que estão à nossa disposição. Começou lá atrás, com oito anos de idade, mais ou menos, onde eu usava um gravador de fita cassete que vinha do Paraguai, eu colocava em cima da carteira e eu gravava as instruções da professora”

Ao longo dos anos, ele passou a utilizar gravador manual portátil, máquina de datilografia, computador de mesa, notebooks e celulares com recursos de acessibilidade, até a chegada da inteligência artificial. "Eu digo que a IA veio abrir um campo muito grande para as pessoas com deficiência de acessibilidade".

Sidnei conta que sempre gostou muito de tecnologia e, quando ficou sabendo do Ray-Ban Meta com inteligência artificial integrada, se interessou pelo produto. Porém, na época, ainda não havia vendas do dispositivo no Brasil.

"Então eu fui lá pra Espanha, comprei e lá mesmo já programei. Utilizei um tempo ele em espanhol, depois em italiano. Depois de quatro meses começou as vendas também no Brasil e aí o aplicativo foi disponibilizado e eu consegui baixar a versão em português", disse.

Ele relata que, no mesmo dia em que comprou os óculos, passou cerca de oito horas explorando todas as possibilidades que a inteligência artificial poderia oferecer. A tecnologia é integrada a um aplicativo no celular, porém, Sidnei não precisa mexer no aparelho telefônico para que ela funcione. Basta dizer "Hey Meta" para que o dispositivo seja ativado e o usuário possa fazer diferentes solicitações.

"No óculos o áudio sai nas hastes e o ponto positivo disso, é porque daí a gente não precisa ficar com fone de ouvido. Porque com fone de ouvido, você não consegue interagir com o pessoal que está ao seu redor, já com óculos, você consegue ouvir as orientações da Meta, por exemplo, sobre um ambiente, e você consegue também interagir com as pessoas, porque você consegue ter o seu ouvido liberado, para poder ouvir as conversas ao seu redor, então é muito bom nesse sentido", explica.

Funções da tecnologia
A tecnologia pode ser utilizada para diversas funções, como escutar música pelo próprio óculos, ler algo que está à frente do usuário, descrever o ambiente em que ele está, orientar caminhos, localizar objetos perdidos dentro de um ambiente, realizar ligações, entre outras possibilidades.

Sidnei conta que a principal função que utiliza é a leitura de documentos durante o trabalho. "Eu faço atendimento ao público e eu tinha muita dificuldade porque eu tinha que pegar o celular na mão, pegar a identidade da pessoa, apontar a câmera, fazer o escaneamento para poder ler o documento. Com óculos eu simplesmente pego o documento da pessoa, e pergunto para a Meta o que é aquilo ali, e ela vai me ler todo o documento, a data de nascimento, tudo, e aí com o computador eu vou registrando o atendimento, registrando os dados e fica tudo certo."

Além disso, é possível fazer fotos do que está à frente e pedir para a Meta transformar a imagem em PDF. A ferramenta cria o documento e o envia diretamente para o celular.

Sidnei também utiliza a tecnologia para se locomover pelas ruas. “Hoje em dia sei de todas as placas que existem nos cruzamentos, de onde tem orientações e tal, sei o nome das lojas.”

Segundo ele, quando caminhava com a ajuda do cão-guia, conseguia se locomover sem esbarrar nos obstáculos, mas não tinha conhecimento do que estava ao redor. Hoje, pode conhecer até mesmo as lojas pelas quais passa. "Eu aponto o meu rosto para a loja, e pergunto o que tem na frente, a inteligência me lê o que tem na vitrine, explica tudo passo a passo, o nome da loja, promoções, o valor e tudo".

Além da leitura e descrição de ambientes, Sidnei utiliza os óculos para tradução simultânea. Hoje, consegue assistir a filmes em inglês acompanhando a tradução em português feita pelo próprio dispositivo.

Para ele, a leitura é a função que mais facilitou sua rotina. Antes, precisava retirar o celular do bolso e apontar a câmera para ler documentos, livros, recados e panfletos. Com os óculos, basta fazer o pedido por comando de voz.

"Eu percebo que, por exemplo, para ler me ajudou muito, porque eu lia bastante coisas, documentos, livros, recados, panfletos e tal, e eu tinha que sempre puxar o celular do bolso, apontar a câmera para fazer a leitura, e assim eu percebo que a leitura foi o que mais me facilitou."

Be My Eyes
Outro recurso utilizado por ele é o Be My Eyes, aplicativo que conecta pessoas cegas ou com baixa visão a voluntários que podem auxiliar em tarefas que exigem percepção visual. Os óculos também podem ser integrados a redes sociais, e-mails e aplicativos de mensagens.

"Se eu quiser ler e-mails, eu peço para ela abrir os meus últimos e-mails. Peço para ela ver as últimas mensagens. Ou ela me notifica quando eu recebo alguma mensagem do WhatsApp. Ele vai ler, vai ouvir. Eu posso mandar uma resposta em áudio de volta para ti sem tirar o celular do bolso."

Apesar das possibilidades, Sidnei destaca os mecanismos de privacidade do dispositivo. Quando uma foto ou gravação é feita, uma luz indica que a câmera está em funcionamento.

"Então, quando o óculos está fazendo um vídeo ou quando ele vai fazer uma foto, normalmente acende uma luz para identificar para as pessoas que estão sendo filmadas que elas estão realmente sendo filmadas. Justamente para proteger a questão da privacidade das pessoas que estão sendo filmadas."

Ampliando a autonomia
Para quem vive sozinho, a ferramenta pode ajudar a encontrar objetos perdidos dentro de casa. Segundo Sidnei, basta solicitar que o aplicativo procure determinado item para que o sistema faça a identificação e indique sua localização.

Para Sidnei, a inteligência artificial representa uma nova etapa no desenvolvimento de tecnologias acessíveis e pode ampliar as possibilidades de autonomia para pessoas com deficiência. Depois que apresentou a tecnologia a outros deficientes visuais, muitos também buscaram adquiri-la.

"Então, eu acho que ela veio para abrir um leque de atuação no mercado de trabalho, de orientação de mobilidade para a pessoa com deficiência, enfim, para tudo com relação à acessibilidade para a pessoa com deficiência visual."

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  • Sidnei Pavesi, adquiriu um óculos Ray-Ban integrado à inteligência artificial da Meta (Mariana Beuting/O Município)

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