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Dados da SCGÁS mostram concentração do consumo em setores intensivos em energia, enquanto a indústria metalmecânica reúne o maior número de unidades conectadas à rede de distribuiçã. (Fotos: Gerência de Marketing e Comunicação - SCGÁS)
Levantamento da SCGÁS mostra forte concentração do insumo em poucos setores e diferença entre volume consumido e número de pontos de entrega
A indústria cerâmica respondeu por 41% de todo o volume de gás natural distribuído pela SCGÁS em Santa Catarina no mês de julho de 2026, consolidando-se como o principal segmento consumidor do insumo no estado. Os dados mostram que a demanda está concentrada em atividades industriais de maior intensidade energética, com destaque também para o setor metalmecânico, que ficou com 28% do volume distribuído.
Na sequência aparecem os setores têxtil, com 8%, GNV, com 6%, e de vidros e cristais, com 5%. Juntos, esses cinco segmentos concentraram 88% de todo o gás natural consumido no período, reforçando a importância de poucos ramos industriais na composição da demanda estadual.
A liderança do setor cerâmico está ligada ao próprio processo produtivo, que depende de fornos em operação contínua e em altas temperaturas. Esse tipo de produção exige uma fonte de energia capaz de garantir estabilidade no fornecimento e controle preciso da temperatura, fatores que influenciam diretamente a qualidade final de revestimentos, pisos e outros produtos cerâmicos.
Por concentrar poucas plantas com consumo individual elevado, a indústria cerâmica acaba se destacando no volume total, mesmo sem liderar em número de unidades conectadas à rede de distribuição. Isso ajuda a explicar por que o setor aparece como o maior consumidor, embora tenha base menor de pontos de entrega.
Quando o recorte passa para o número de pontos de entrega industriais, o cenário muda. O setor metalmecânico lidera com 142 unidades conectadas à rede de gás natural, quase quatro vezes mais do que a indústria cerâmica, que soma 37 pontos de entrega. A diferença revela perfis distintos de utilização do insumo.
Enquanto a cerâmica concentra grandes volumes em poucas unidades produtivas, o metalmecânico reúne mais empresas distribuídas, que utilizam o gás em etapas como tratamento térmico, fundição, forjamento, corte e aquecimento de processos industriais. Essa diversidade de aplicações amplia a capilaridade da rede, mas com consumo médio inferior ao da cerâmica.
A indústria de alimentos também se destaca pela presença na rede, com 60 pontos de entrega, a segunda maior quantidade entre os ramos industriais. Ainda assim, responde por apenas 2,6% do volume total consumido. Situação semelhante é observada no setor têxtil, que reúne 57 unidades consumidoras e representa 8,4% do consumo estadual.
Na sequência aparecem os setores químico e de borrachas e materiais plásticos, ambos com 21 pontos de entrega. Também fazem parte da rede os segmentos de extração e tratamento de minerais, papel e papelão, material elétrico e de comunicação, vidros e cristais, madeira, bebidas, confecção, calçados e vestuário, siderurgia, cerâmica vermelha e produtos farmacêuticos, com participações menores no volume distribuído.
O levantamento evidencia dois perfis complementares do mercado catarinense de gás natural: de um lado, setores como a cerâmica concentram grandes volumes de consumo em poucas unidades; de outro, segmentos como metalmecânico, alimentos e têxtil ampliam a base de consumidores, refletindo a diversidade de aplicações do insumo na indústria do estado.
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