A iniciativa percorre comunidades produtoras e já atende 111 mil agricultores em dois estados

No Dia Nacional do Campo Limpo, o setor do tabaco destaca o Programa de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos, uma iniciativa pioneira que atua há quase 26 anos no meio rural. O trabalho leva a coleta até as comunidades produtoras, com roteiros itinerantes e pontos de recebimento próximos às propriedades, facilitando a devolução correta dos recipientes.

O programa atende atualmente 111 mil produtores rurais em 394 municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, com 1.800 pontos de coleta em localidades rurais. As embalagens precisam ser devolvidas previamente limpas, perfuradas e secas, conforme orientações repassadas pelos canais do setor e divulgadas com antecedência à população rural.

Segundo o balanço da iniciativa, os roteiros percorrem cerca de 13 mil quilômetros por ano. Desde outubro de 2000, quando o programa começou, já foram rodados aproximadamente 338 mil quilômetros, distância equivalente a 8,44 voltas ao redor da Terra.

As embalagens recebidas são encaminhadas aos postos e centrais do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), responsável pela destinação dentro do Sistema Campo Limpo. De acordo com a coordenação do programa, 100% dos recipientes rígidos, que representam a maior parte dos produtos usados no tabaco, são reciclados e transformados em outros itens plásticos.

Esses materiais retornam ao ciclo produtivo principalmente como insumos para a construção civil e como novas embalagens para produtos químicos. Já as embalagens flexíveis e outras impróprias para reciclagem seguem para incineração controlada, garantindo destinação ambientalmente correta.

Ao longo de mais de duas décadas, o Sistema Campo Limpo consolidou-se como referência em logística reversa no Brasil. O modelo já garantiu a destinação ambientalmente correta de mais de 900 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas, com 75.996 toneladas apenas em 2025, o maior volume anual da história do programa.

Hoje, 100% das embalagens devolvidas recebem destinação adequada, sendo 92% encaminhadas para reciclagem. O processo permite que o material volte à cadeia produtiva na forma de 38 artefatos homologados utilizados em diferentes setores da economia.

A data mobiliza ações em todo o país, incluindo cerimônias, visitas a agricultores, atividades em escolas, encontros com parceiros e iniciativas em unidades de recebimento. Para o inpEV, o objetivo é reconhecer os elos que tornam possível a logística reversa e reforçar o papel do Brasil como referência mundial no tema.

O programa do setor do tabaco antecede a legislação sobre logística reversa e também se conecta a iniciativas semelhantes em outras regiões, reforçando a responsabilidade compartilhada, a educação ambiental e a economia circular no campo.

O material divulgado também destaca que o tabaco está entre as culturas que menos utilizam defensivos agrícolas. Segundo estudo da Esalq/USP com dados do Sindiveg, o consumo é de 1,01 quilo de ingrediente ativo por hectare, bem abaixo de outras lavouras, como o tomate.

Além disso, o setor afirma investir em boas práticas agrícolas, uso de agentes biológicos, cartilhas, campanhas e treinamentos para reduzir riscos e evitar intoxicações, com foco no uso correto de EPIs e no cumprimento das orientações de segurança.

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