Mesa-redonda reuniu empresas e especialistas para discutir soluções práticas de descarbonização na indústria brasileira
A programação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) na Semana do Clima de São Paulo terminou com debates sobre aço de baixo carbono e o avanço dos combustíveis sustentáveis no Brasil. O encontro, realizado na sede da entidade em São Paulo em parceria com o Orbis Instituto, reuniu representantes de diferentes empresas e setores.
Ao longo do evento, os participantes destacaram que a descarbonização da indústria exige ações coordenadas, investimentos de longo prazo e integração entre iniciativas públicas e privadas. A discussão também reforçou que a transição para uma economia de baixo carbono depende de soluções aplicáveis em toda a cadeia produtiva.
No painel sobre siderurgia, os debatedores afirmaram que a redução das emissões no setor é um desafio intersetorial, que precisa considerar o ciclo de vida dos materiais desde a mineração até a reciclagem. O tema foi tratado como estratégico para a indústria e para cadeias que dependem fortemente do aço.
João Irineu, da Stellantis, lembrou que ferro e aço representam cerca de 60% da massa de um veículo e que a descarbonização é essencial para o segmento automotivo. Ele defendeu a combinação entre políticas públicas e atuação privada, citando o Programa Mover como exemplo de apoio à transição.
Guilherme Abreu, da ArcelorMittal, apresentou o caminho para o carbono neutro como uma espécie de escada tecnológica, que vai de soluções já disponíveis, como gás natural e carvão vegetal de florestas renováveis, até alternativas mais disruptivas, como hidrogênio verde e eletrólise. Ele também destacou o papel da sucata e da inteligência artificial para ampliar a eficiência energética.
Paula Ferrador, da Saint-Gobain, mostrou resultados práticos ao relatar redução de quase 50% nas emissões diretas e indiretas de energia em unidades regionais. A executiva explicou que a empresa investe em eficiência processual, economia circular, produção nacional de óxido de alumínio e infraestrutura para reciclagem de abrasivos.
Na mesa dedicada aos combustíveis sustentáveis, o consenso entre os participantes foi de que o crescimento do setor depende da combinação entre regulação, incentivo e superação de barreiras comerciais internacionais. O debate também ressaltou a importância de direcionar esforços para segmentos em que a eletrificação é mais difícil, como aviação e transporte marítimo.
Ricardo Mussa, chair da Sustainable Business COP, defendeu uma regulação inteligente e políticas de fomento voltadas a áreas com maior complexidade tecnológica. Para ele, soluções como SAF e outras rotas de descarbonização precisam de estímulos específicos para ganhar escala.
Thiago Toscano, CEO da Itaminas, afirmou que a empresa trata a descarbonização como pilar estratégico e planeja investir R$ 1,5 bilhão até 2033 em minério de ferro de alto teor. Segundo ele, a iniciativa pode gerar benefícios para a siderurgia global, além de abrir espaço para frotas limpas e crédito verde.
Filipe Alvarez, da Ubrabio, alertou que barreiras internacionais ainda prejudicam a competitividade brasileira no setor de biocombustíveis avançados. Ele também afirmou que será necessário equilibrar escala de produção e preço final para consolidar o mercado.
No encerramento, Maria Emília Peres, cofundadora do Orbis Instituto, afirmou que a transformação necessária para aço e combustíveis sustentáveis não virá apenas de novas tecnologias. Segundo ela, a colaboração entre empresas, governo e sociedade civil é decisiva para acelerar mudanças na cadeia de valor.
Ela também reforçou o compromisso do Orbis em atuar como um acelerador do desenvolvimento socioeconômico e da implementação da agenda climática nos territórios, destacando a importância da articulação entre lideranças e parceiros para ampliar os resultados da transição verde.