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. (Fotos: ASCOM)
Unindo gestão de ativos, tecnologia industrial e impacto social na ponta, a Celesc é o ponta pé inicial de um modelo de economia circular que já retirou e encaminhou para a reciclagem cerca de 75 toneladas de cabos de telefonia excedentes e irregulares
O emaranhado de cabos irregulares e fios clandestinos que tomou conta dos postes pelo Brasil deixou de ser apenas um problema de poluição visual para se tornar uma crise de segurança pública e infraestrutura urbana. Enquanto capitais e grandes municípios de todo o país recorrem a forças-tarefas e aplicação de multas pesadas para tentar conter o perigo nas ruas, uma iniciativa em Santa Catarina começa a desenhar uma rota de solução definitiva.
Unindo gestão de ativos, tecnologia industrial e impacto social na ponta, a Celesc é o ponta pé inicial de um modelo de economia circular que já retirou e encaminhou para a reciclagem cerca de 75 toneladas de cabos de telefonia excedentes e irregulares. A engrenagem criada no estado transforma o que antes era um passivo perigoso e sem valor comercial em sustento para dezenas de famílias e insumo bruto para o abastecimento da grande indústria siderúrgica nacional.
Do Caos Urbano à Renda na Ponta
A resposta catarinense para o problema que desafia prefeituras de Norte a Sul do país cumpre as diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), proibindo o descarte de materiais recicláveis em aterros. O ciclo começa com as operações de fiscalização e limpeza nos postes e avança por meio da doação dos cabos recolhidos para cooperativas, como a Reciclavale, de Itajaí.
Para as cooperadas — muitas delas chefes de família que encontram na reciclagem sua única fonte de subsistência —, a "crise dos fios" transformou-se em oportunidade real de dignidade.
"Esse resíduo é o que garante a nossa sobrevivência, pagando as contas da semana e mantendo a cooperativa ativa. Por isso, inclusive, nossas cooperadas olham para a Celesc com orgulho e dizem que é a nossa empresa", afirma Marli das Dores Martins, presidente e fundadora da cooperativa, que conta com 16 colaboradores diretos e impacta indiretamente cerca de 30 famílias na comunidade. Além disso, móveis antigos e fora de uso da Celesc são restaurados por elas e doados para casas de recuperação, igrejas e famílias carentes.
Tecnologia e Escala Industrial
O ecossistema ganha tração industrial ao avançar na cadeia produtiva. Após a triagem minuciosa em Itajaí, os cabos seguem para a Soffer Sucatas, em Tijucas (SC). Atuando neste processo desde 2012, a empresa mobiliza uma força de trabalho de 12 funcionários diretos registrados e aproximadamente 21 colaboradores indiretos, garantindo renda para dezenas de pessoas na região por meio do recebimento mensal desses lotes.
Na unidade, um maquinário de alta performance (shredder) tritura e separa o plástico e a borracha dos componentes metálicos.
"Neste processo industrial, realizamos a separação rigorosa das impurezas e a classificação dos metais. O material deixa de ser um resíduo bruto das ruas e se transforma em matéria-prima limpa e altamente preparada para abastecer a siderurgia", explica Katrini Vicente Ventura, administradora da Soffer Sucatas.
Nova Vida: Dos postes de SC para a infraestrutura nacional
Após o processamento e a classificação rigorosa em Santa Catarina, a sucata metálica limpa segue para o destino final: os fornos elétricos de uma das maiores multinacionais do setor metalúrgico instaladas no país. Na última etapa desse ecossistema circular, o resíduo é derretido e transformado em aço líquido de alta qualidade, fazendo parte de uma cadeia industrial de reaproveitamento que recolhe milhões de toneladas de sucata por ano e gera impactos socioambientais positivos para mais de 1 milhão de pessoas no Brasil.
Totalmente reciclado, o metal ganha "nova vida" moldado em vergalhões, perfis metálicos, chapas e arames. Esses insumos retornam ao mercado para sustentar grandes obras de infraestrutura e a construção civil de Norte a Sul do país, fechando um ciclo completo de sustentabilidade que evita a extração de novos recursos naturais.
Tendência nacional no setor elétrico
Em outra frente de destaque no cenário nacional, o Grupo CPFL Energia converteu a sustentabilidade em escala de negócio por meio de sua Reformadora de Equipamentos,localizada em São Paulo. A unidade promove uma verdadeira renovação do sistema elétrico ao recuperar e estender em até 20 anos a vida útil de ativos estratégicos, como transformadores, religadores e reguladores de tensão.Os materiais que não podem ser diretamente reaproveitados são direcionados a uma rigorosa cadeia de logística reversa e reciclagem de cobre e alumínio. A iniciativa evita anualmente a emissão de milhares de toneladas de gás carbônico no planeta e reduz o custo de aquisição de novos insumos para a rede.
Um Modelo Replicável para o País
O sucesso da iniciativa catarinense acena para um setor elétrico nacional que busca respostas urgentes para a ocupação desordenada de suas estruturas de compartilhamento.
"A retirada do cabeamento em excesso ou irregular resolve uma equação complexa de engenharia e segurança que hoje aflige cidades em todo o Brasil", pontua o gerente de telecomunicações da Celesc, Eduardo Marcussi. "Ao transformarmos esse problema em um ativo de valor social, abrindo mão do retorno financeiro em prol de cooperativas locais, criamos um ciclo de triplo ganho. Mostramos que é possível limpar as cidades, gerar emprego na base e abastecer a grande indústria nacional através da sustentabilidade real", conclui.
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