Estudo aponta que indústrias sulistas podem sofrer alta de até 8,1% nos custos, enquanto Sudeste concentra maior valor absoluto com R$ 143,8 bilhões.

O levantamento detalha o impacto econômico setorial por região, destacando que a recomposição integral de horas é inviável para a indústria. A medida pressiona a folha de pagamentos em 7% e afeta diretamente a competitividade das cadeias produtivas nacionais.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta sexta-feira, 27, um estudo indicando que a região Sul será a mais atingida economicamente caso a jornada de trabalho seja reduzida para 40 horas semanais. A análise, reportada pelo InfoMoney, avaliou dois cenários de compensação para a medida: o pagamento de horas extras ou a realização de novas contratações. Em ambos os casos, o Sul lidera os impactos, com alta de 8,1% nos custos no primeiro cenário e 5,4% no segundo.

Impacto financeiro e divisões regionais

Embora o Sul sofra o maior impacto proporcional, o Sudeste registraria o maior aumento de custo em termos absolutos. A estimativa é de um impacto de R$ 143,8 bilhões para as indústrias da região. No panorama nacional, a redução da jornada pode elevar os custos com empregados formais em até R$ 267,2 bilhões por ano, o que representa um acréscimo de aproximadamente 7% na folha de pagamentos das empresas brasileiras.

No cenário que considera a compensação por horas extras, o ranking de aumento de custos por região ficou definido assim:

  • Sul: 8,1%
  • Sudeste: 7,3%
  • Nordeste: 6,1%
  • Norte e Centro-Oeste: 5,5%
  • Já na hipótese de novas contratações, os índices são: Sul (5,4%), Sudeste (4,9%), Nordeste (4,1%) e Norte e Centro-Oeste (3,7%). Mesmo neste formato, o Sudeste manteria o maior peso financeiro, com acréscimo de R$ 95,8 bilhões.

Desafios para a competitividade industrial

O presidente da CNI, Ricardo Alban, manifestou preocupação com a viabilidade da proposta. “Qualquer debate sobre a redução da jornada de trabalho no País precisa ser conduzido com cautela. O impacto não será igual em todas as regiões, porque o Brasil tem realidades produtivas diferentes, o que faz com que o aumento de custos seja ainda mais relevante em alguns lugares em relação a outros, menos intensivos de mão de obra, com reflexos negativos sobre a competitividade e a organização do trabalho”, argumentou.

Para a entidade, a recomposição integral das horas reduzidas é vista como economicamente improvável e operacionalmente inviável para grande parte dos segmentos. Alban alerta que a elevação dos custos do trabalho transborda para outros setores: “Estamos falando de um aumento de custos muito expressivo. Quando o custo do trabalho sobe dessa forma, o impacto não fica restrito a um setor ou a uma região. Ele se espalha ao longo das cadeias produtivas, encarece insumos, pressiona preços e afeta a competitividade do País”.


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