Santa Catarina sedia entre os dias 15 e 17 de setembro a 1ª Mostra Laboral do Sistema Prisional Brasileiro, no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis. Durante três dias, os visitantes poderão conhecer o trabalho que desenvolvido dentro das unidades prisionais brasileiras que vão de simples grampos de madeira a marcenaria sofisticada.
A mostra organizada pela Secretaria de Justiça e Cidadania e Ministério da Justiça apresenta à sociedade as políticas de trabalho nas unidades prisionais do país, os produtos fabricados pelos internos e as empresas que oferecem vaga de trabalho no sistema prisional brasileiro. "O Ministério da Justiça escolheu Santa Catarina para que as experiências laborais bem-sucedidas aqui sejam replicadas em outros estados", observa o secretário adjunto da Secretaria de Justiça e Cidadania, Leandro lima.
O evento não é apenas espaço de exposição de produtos, mas uma oportunidade para que a sociedade conheça e discuta as políticas de ressocialização e muitas de socialização dos presos não só de Santa Catarina, mas de todo o Brasil. No espaço de 400 metros quadrados que está sendo montado em frente ao CIC haverá mostra dos produtos fabricados nas unidades prisionais como peças de artesanato, malharia, roupas ecológicas, fogões, móveis, bicicletas, lâmpadas, marcenaria, brinquedos, jogos educativos entre outros produtos. Também será montada uma casa, pré-fabricada na unidade de Jaraguá do Sul, e mobiliada com tudo o que é feito nas penitenciárias e presídios de Santa Catarina.
O sistema prisional catarinense é considerado modelo no Brasil porque trabalha a reinserção social do detento por meio do trabalho. Hoje existem nove mil presos trabalhando e gerando renda para o sustento de sua família. Os internos em Santa Catarina, onde 42% cumpre pena por tráfico de drogas, também estão estudando. Há 2 mil reeducandos estudando ou fazendo curso de capacitação.
Na sala Lindolf Bell, no interior do centro Integrado de Cultura, o público poderá conhecer as atividades laborais que são desenvolvidas em todos os estados brasileiros. Internos em vias de conquistar liberdade e outros que já deixaram o sistema vão dar depoimento sobre o trabalho como agente de mudança da percepção do seu papel e responsabilidade na sociedade.
Paralelos à mostra ocorrerão seminários e conferências sobre assuntos ligados ao trabalho nas unidades prisionais com reconhecidos especialistas no tema.
O diretor do Instituto Eurosocial, o português Luis Couto, fará a conferência de abertura apresentando a experiência do trabalho no sistema prisional como meio à reintegração social na Europa e América Latina. O Eurosocial é um programa da Comissão Europeia para a cooperação entre a Europa e a América Latina a fim de aprimorar as políticas públicas por meio do intercâmbio de informações e financiamentos.
Doutora em Direito Penal e professora da Universidade Católica de Brasília, Soraya da Rosa Mendes será o destaque no painel O Contexto das mulheres em Privação de Liberdade no Mundo do Trabalho. A mulher tem uma situação diferenciada no sistema prisional porque, uma vez encarcerada, ela é esquecida pela família. Em Santa Catarina há algumas experiências em curso que tem qualificado a mão de obra feminina como o projeto Ecomoda da Udesc desenvolvido no Presídio de Tijucas.
Verbena Córdula Almeida é doutora em História e Comunicação no Mundo Contemporâneo pela Unversidad de Madrid e professora da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus (BA) será a conferencista do painel A Atuação da Mídia na Cobertura das Políticas de Trabalho no Sistema Prisional. O debate será mediado pelo jornalista Claudio Thomas e conta coma participação de Diogo Vargas (DC), Hélio Costa (Ric), Marcelo Pelegrini (Carta Capital) Marco britol (UOL/TAB) e Renata Maris (O Globo).
Desafios da Política de Trabalho no Sistema Prisional e Responsabilidade Social e Práticas Empresariais na Execução Penal também estão na pauta de debates.
A 1ª Mostra Laboral do Sistema Prisional será aberta dia 15, às 10h, no Teatro Ademir Rosa com a presença do governador Raimundo Colombo e dos Ministros das Justiça, José Eduardo Cardozo, do Ministro do Trabalho, Manoel Dias, e do Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Armando Monteiro.
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