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Encontro realizado pelo Sistema FIESC e entidades parceiras durante a Techcon reuniu especialistas para discutir produtividade, gestão de riscos, cidades inteligentes e cenário do setor (Fotos: Débora Favretto/MB Comunicação)
Encontro realizado pelo Sistema FIESC e entidades parceiras durante a Techcon reuniu especialistas para discutir produtividade, gestão de riscos, cidades inteligentes e cenário do setor
Tecnologia, produtividade e segurança dividiram espaço no I Seminário da Construção Civil, realizado na quinta-feira (27), no SENAI Chapecó. Integrante da programação da Techcon 2026, o encontro reuniu profissionais e empresários para discutir caminhos para uma construção civil mais eficiente, segura e preparada para as transformações do setor.
A iniciativa é da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), por meio do SESI e do SENAI, em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção e de Artefatos de Concreto Armado do Oeste de Santa Catarina (Sinduscon Oeste) e o Sindicato da Habitação do Oeste de Santa Catarina (Secovi Oeste/SC).
A diretora de Cidade Inteligente da Prefeitura de Chapecó, Cássia Bertotti, apresentou uma reflexão sobe o conceito de cidades inteligentes. De acordo com ela, apenas tecnologias não tornam um município inteligente. Sistemas, conectividade e inteligência artificial devem funcionar como ferramentas para melhorar serviços, orientar decisões e aproximar a gestão pública da população.
“A tecnologia é um meio para resolver os problemas”, frisou Cássia. Ela citou como exemplo a iluminação pública inteligente, que permite identificar falhas antes mesmo de uma solicitação do morador. Também mencionou projetos para ampliar o atendimento digital da Prefeitura e o uso da inteligência artificial na gestão pública.
Para Cássia, a construção de cidades mais inteligentes também exige participação efetiva da população. “É preciso chamar o cidadão, ouvir, caminhar nos bairros e ter uma escuta ativa”, afirmou. Sustentabilidade, resiliência e utilização de indicadores também foram apontados como elementos necessários para preparar os municípios para o futuro.
A eficiência dentro dos canteiros foi abordada por Sidnei Natal Milak, na palestra sobre Lean Construction. A metodologia, inspirada no sistema Toyota de produção, busca identificar atividades que consomem recursos e tempo sem agregar valor ao processo.
Milak chamou atenção para situações comuns nas obras, como equipes paradas por falta de material ou informação, deslocamentos desnecessários, retrabalho e improvisações. “Cobrança não gera produtividade”, salientou. Para ele, pressionar trabalhadores pode produzir uma resposta imediata, mas não resolve problemas estruturais do processo.
A aplicação do Lean passa pelo mapeamento do fluxo de trabalho, observação direta das atividades no canteiro e participação dos profissionais envolvidos na execução. Entre as soluções apresentadas estiveram organização, padronização, testes de novas ferramentas e processos e ações de melhoria contínua, os chamados kaizens. A proposta, segundo Milak, é olhar além do desperdício de materiais. Espera, transporte desnecessário, retrabalho e falta de aproveitamento do conhecimento dos próprios trabalhadores também representam perdas que comprometem a produtividade.
SEGURANÇA NO CANTEIRO
A engenheira civil e engenheira de segurança do trabalho Cindy Zanettin trouxe a responsabilidade profissional para o centro da discussão. Ela ressaltou que um acidente de trabalho não deve ser analisado apenas a partir do momento em que ocorre.
“O acidente não começa lá quando aconteceu. Ele tem toda uma trajetória”, explicou. Uma ocorrência no canteiro pode ter origem ainda no projeto, no planejamento, na ausência de previsão orçamentária para equipamentos de proteção ou em decisões tomadas durante a execução. Cindy também questionou a tendência de atribuir automaticamente a responsabilidade ao trabalhador ou ao técnico de segurança. Conforme explicou, diferentes agentes podem ter participação no processo, desde trabalhadores e encarregados até engenheiros e empresas.
A engenheira defendeu que a segurança seja incorporada desde as primeiras etapas do empreendimento. Se uma medida de proteção coletiva não é considerada no planejamento e no orçamento, por exemplo, sua implantação durante a execução pode se tornar mais difícil.
O gerente de Saúde e Segurança do SESI/SC, Lucas Bergmann, aprofundou o debate ao tratar da gestão de empresas e profissionais terceirizados, realidade cada vez mais presente nos canteiros. Ele dividiu esse processo em etapas que começam antes da contratação. Planejamento, definição de requisitos e documentos, avaliação de riscos e homologação do fornecedor devem anteceder a entrada do terceiro na obra. Depois, é necessário acompanhar a execução das atividades e verificar o cumprimento das condições estabelecidas.
“Vocês sabem quem são os terceiros de vocês hoje?”, questionou Bergmann. O gerente pontuou que a gestão não se limita aos profissionais que permanecem diariamente no canteiro, mas alcança empreiteiras, prestadores, autônomos e pessoas jurídicas contratadas para diferentes serviços.
Durante a execução, ferramentas como auditorias, controles de acesso e tecnologias de reconhecimento podem auxiliar no acompanhamento. Bergmann também defendeu que a implantação de processos de gestão seja gradual, principalmente em empresas que já trabalham com grande número de terceiros, para que a adequação não comprometa contratos e cronogramas.
DADOS SANTA CATARINA
O presidente do Sinduscon Oeste, Alexandre Fiorini, apresentou indicadores que dimensionam a importância econômica da construção civil em Santa Catarina e destacou o crescimento registrado pelo setor. Entre os números apresentados estão um PIB de R$ 19,2 bilhões na construção civil catarinense, aproximadamente 150 mil empregos formais, cerca de 24 mil estabelecimentos e um volume de 21 milhões de metros quadrados em obras. O Estado também foi apontado como o segundo maior mercado imobiliário do Brasil.
O presidente também reiterou o Programa Obra Mais Segura, iniciativa do Sistema FIESC que atua na prevenção de acidentes e na promoção de ambientes de trabalho seguros. Para Fiorini, programas desse gênero contribuem para uma mudança cultural que ultrapassa os limites de uma única empresa, pois o trabalhador incorpora práticas de segurança e leva esse conhecimento para outros ambientes profissionais.
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Tecnologia, produtividade e segurança dividiram espaço no I Seminário da Construção Civil, realizado nesta quinta-feira (27), no SENAI Chapecó (Débora Favretto/MB Comunicação)
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Integrante da programação da Techcon 2026, o encontro reuniu profissionais e empresários para discutir caminhos para uma construção civil mais eficiente, segura e preparada para as transformações do setor (Débora Favretto/MB Comunicação)
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