Comunicação da indústria discute IA, advocacy e mídias sociais em Brasília

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20/08/2026 10:35
Comunicação institucional

Comunicação da indústria discute IA, advocacy e mídias sociais em Brasília

Por Jornalismo

Fonte: CNI

 Publicado 20/08/2026 10:35  – Atualizado 20/08/2026 10:35

Profissionais de comunicação das 27 federações participaram do encontro.
  • Profissionais de comunicação das 27 federações participaram do encontro. (Fotos: Divulgação)

Encontro nacional reuniu profissionais do Sistema Indústria para compartilhar experiências e repensar estratégias da área

Buscar novos olhares sobre a comunicação, compartilhar experiências e fortalecer a rede de profissionais que atua no Sistema Indústria. Com esse propósito, CNI, SESI, SENAI e IEL, em parceria com o Conselho Nacional do SESI, realizaram, na segunda-feira (17) e terça-feira (18), em Brasília, mais uma edição do Encontro Nacional de Comunicadores.

Durante dois dias, profissionais de comunicação das 27 federações das indústrias participaram de debates sobre tendências e estratégias para a área, com temas como mídias sociais, inteligência artificial (IA), advocacy, rádio e TV e comunicação interna.

A abertura do encontro contou com a participação do presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior, e dos diretores André Curvello (Comunicação), Roberto Muniz (Relações Institucionais), Cid Vianna (Corporativo), Danusa Amorim (Governança Interna e Externa), Paulo Mól (SESI) e Mario Sergio Telles (Desenvolvimento Industrial).

Na palestra “O panorama das mídias sociais”, o diretor de marketing da Social Labs, Rafael Kiso, destacou que uma estratégia eficiente nas redes sociais depende menos da quantidade de canais ou publicações e mais da capacidade de compreender o comportamento do público ao longo da jornada de comunicação.

A palestra foi moderada pela superintendente de Publicidade e Mídias Sociais da CNI, Mariana Flores.

Ao falar sobre alcance e viralização, Kiso alertou que números elevados de audiência não representam, necessariamente, uma estratégia bem-sucedida. Segundo ele, mais importante do que alcançar um grande volume de pessoas é chegar aos públicos certos e estabelecer uma frequência de contato capaz de gerar lembrança e aumentar a possibilidade de conversão.

“A provocação não é alcançar mais pessoas, mas alcançar as pessoas certas. O que vocês preferem: alcançar mil pessoas uma vez ou cem pessoas dez vezes? A frequência de impactos na mesma pessoa é o que gera lembrança de marca e aumenta a intenção de conversão”, afirmou.

Entre as tendências para 2026, Kiso apontou o TikTok como uma das plataformas que mais vêm atraindo investimentos de profissionais de marketing, seguido por canais como Instagram, LinkedIn e YouTube, de acordo com o perfil de cada público.

O especialista ressaltou, porém, que a estratégia não deve ser simplesmente estar presente em todas as redes. É preciso compreender as características de cada plataforma e escolher formatos compatíveis tanto com o comportamento dos usuários quanto com os objetivos da comunicação.

Comunicação e advocacy cada vez mais integrados

A aproximação entre comunicação e relações institucionais foi tema da primeira mesa-redonda do encontro, que discutiu como as duas áreas podem atuar de forma integrada nas estratégias de advocacy.

O debate reuniu representantes da CNI, da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) e da Seta Public Affairs, com moderação do superintendente de Jornalismo da CNI, Rafael Mônaco.

Para o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, a comunicação faz parte da própria missão institucional e deve estar associada a uma atuação técnica capaz de fortalecer a credibilidade das instituições.

“Relações institucionais e comunicação precisam trabalhar cada vez mais com uma estratégia única, baseada em confiança. Essa atuação de advocacy deve se basear em princípios como escutar antes de falar, compreender antes de convencer e ter evidências antes de opinião”, destacou.

A diretora de Relações Governamentais da Seta Public Affairs, Helena Mader, também ressaltou a conexão entre as áreas. Segundo ela, a integração contribui para construir uma narrativa coerente, otimizar recursos e ampliar a efetividade das estratégias.

Helena citou discussões públicas relacionadas a temas como “Devedor contumaz” e “Taxa das blusinhas” para exemplificar a importância de uma atuação coordenada entre comunicação e relações institucionais. “O assunto é como pensar na comunicação como uma ferramenta, ou a principal ferramenta, de advocacy. É preciso ter integração entre as áreas para a estratégia ter sucesso”, pontuou.

O gerente executivo de Comunicação da FIESC, Elmar Meurer, apresentou a experiência da federação e explicou como a estratégia de advocacy contribuiu para ampliar a divulgação das ações da instituição. Segundo ele, a comunicação passou a trabalhar de forma mais segmentada, a partir de uma curadoria de informações relevantes para os industriais de cada região.

Comunicar — e inovar — no rádio e na TV

O segundo dia do encontro começou com a palestra “Criatividade que conecta: inovação no rádio e na TV”, conduzida pelo especialista em mercado, inteligência artificial, consumo e mídia Fernando Morgado e moderada pela gerente de Conteúdos Multimídia da CNI, Letícia Luvison.

Morgado destacou que cada meio de comunicação possui características e linguagens próprias e alertou para o risco de tentar transformar um mesmo conteúdo em um formato único para diferentes plataformas. “Existe uma ansiedade dos comunicadores em criar um formato adaptável para todo lugar. Quando se fala em convergência, cria-se uma falsa ideia de que é uma coisa só”, afirmou.

Para o especialista, embora diferentes conteúdos possam ser consumidos em um mesmo ambiente, isso não elimina as particularidades de cada linguagem.

Entre as recomendações apresentadas estão compreender as métricas específicas de cada meio, produzir conteúdos próprios para o rádio em vez de simplesmente reaproveitar o áudio da televisão, considerar a linha editorial de cada emissora e planejar campanhas de forma integrada. “A vida é um caos. Ninguém se informa só por um lugar”, resumiu Morgado.

SESI, SENAI e IEL: integração para ampliar a conexão

A comunicação do SESI, SENAI e IEL também esteve no centro das discussões. A mesa-redonda, moderada pelo gerente de Comunicação Integrada da CNI, Guilherme Queiroz, reuniu diretores, superintendentes e gerentes para compartilhar experiências, apresentar resultados e discutir os próximos desafios das instituições.

Pelo SESI, o diretor-superintendente Paulo Mól destacou a importância de traduzir temas complexos para a sociedade de maneira simples e estratégica.

Entre os desafios apontados estão a integração entre o Departamento Nacional e os departamentos regionais, a definição de linguagens adequadas para cada público e a participação da comunicação desde a concepção dos projetos. “O desafio é comunicar em rede e com estratégia”, resumiu.

A gerente de Comunicação do Conselho Nacional do SESI, Vanessa Ramos, destacou a atuação integrada entre as equipes e a necessidade de fortalecer a marca e demonstrar, por meio de dados e histórias, o impacto das iniciativas da entidade.

Já a superintendente nacional do IEL, Sarah Saldanha, ressaltou o papel estratégico da comunicação no posicionamento e reposicionamento da marca e na integração das diferentes frentes de atuação do Instituto.

Entre os avanços citados estão iniciativas relacionadas a desenvolvimento de carreiras, educação executiva, gestão empresarial, pesquisa e inovação, além de programas como o Prêmio IEL, Educação Executiva Global e Inova Talentos. “A comunicação é parte estratégica do posicionamento do IEL”, afirmou Sarah.

Representando o SENAI, os gerentes Mateus Simões e Maicon Lacerda defenderam uma comunicação cada vez mais conectada às necessidades da indústria e aos resultados gerados pelas soluções oferecidas.

Mateus destacou a importância de ampliar o diálogo com empresas, sociedade e governo, enquanto Maicon reforçou que tecnologia e inovação devem ser apresentadas a partir dos desafios concretos enfrentados pela indústria.

Inteligência artificial abre novos caminhos para a comunicação

O painel “Possibilidades do uso da IA na Comunicação com foco em produtividade e resultados” discutiu como a inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta para execução de tarefas e passando a integrar processos, fluxos e estratégias de comunicação.

Um dos principais pontos debatidos foi a necessidade de avaliar onde a IA realmente pode gerar valor, considerando a importância da curadoria, dos processos e da participação humana.

Entre as possibilidades apresentadas está a criação de agentes de apoio com memória própria e bases de conhecimento estruturadas, capazes de trabalhar de acordo com padrões editoriais, históricos e contextos específicos das organizações.

O gerente executivo de Marketing da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) e consultor em IA, Jefferson Lobo, apontou três frentes para os próximos meses: desenvolver agentes que conheçam padrões e contextos das organizações, automatizar tarefas manuais e repetitivas e compreender como a tecnologia está transformando o escopo das profissões.

No jornalismo, por exemplo, parte da produção textual pode ser apoiada pela IA, enquanto os profissionais passam a dedicar ainda mais atenção à apuração, curadoria, orientação e validação das informações. “Mesmo escrevendo menos, o jornalista precisa escrever bem para ensinar a IA”, resumiu o gerente de Planejamento e Conteúdo Digital da CNI, Tiago Santos, que moderou a conversa.

A gerente de Marketing Institucional da FIEP, Fabíola Sant'Anna, ressaltou que o potencial da IA aparece principalmente quando a tecnologia é aplicada a problemas concretos. A equipe humana, segundo ela, continua responsável pelos insumos, pela análise e pela produção final.

Um dos exemplos apresentados foi a campanha “Ostenta com SENAI”, premiada no Paraná, na qual a inteligência artificial foi utilizada durante a fase de pré-produção para apoiar as áreas técnicas na compreensão e aprovação da ideia.

O CEO e cofundador da Indigo Hive, Frederico Andrade, destacou ainda o potencial da IA como ferramenta de produtividade e como uma nova fronteira cognitiva, capaz de ampliar as possibilidades de trabalho e criação.

Comunicação interna: conexão, pertencimento e novos desafios

A mesa-redonda que encerrou o encontro foi dedicada à comunicação interna e aos desafios de disputar a atenção dos colaboradores em um cenário marcado pelo excesso de informação.

Os participantes destacaram a necessidade de fortalecer a conexão e o sentimento de pertencimento, além de ampliar a segmentação dos conteúdos e dar mais protagonismo às lideranças na comunicação com as equipes.

A diretora-geral da Involv, Lígia Rocca, abordou a sobrecarga de informações e apresentou dados da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje). Segundo o levantamento citado por ela, 65% dos profissionais querem ampliar a segmentação e a personalização das narrativas, enquanto 40% das marcas conseguem fazer isso de forma rotineira.

A inteligência artificial também aparece nesse processo. De acordo com os dados apresentados, o uso da tecnologia na comunicação interna passou de 36%, em 2024, para 91%, em 2026.

A gerente de Comunicação Interna da CNI, Alessandra Glerian, apresentou a reestruturação da área realizada em parceria com a Superintendência de Desenvolvimento Humano da instituição.

Entre as iniciativas destacadas está um álbum de figurinhas personalizado inspirado na Copa do Mundo, criado para fortalecer a visão sistêmica da organização e aproximar colaboradores de diferentes áreas. Segundo pesquisa realizada após a ação, 89% dos participantes afirmaram ter conhecido pessoas de outros setores.

A superintendente de Desenvolvimento Humano da CNI, Flavia Morais, ressaltou a importância do alinhamento entre comunicação e Recursos Humanos para fortalecer a estratégia institucional, o engajamento e a jornada do colaborador.

Entre as iniciativas realizadas em conjunto estão a divulgação de fotos de novos colaboradores nas TVs internas, comunicados sobre mudanças organizacionais e a integração dos calendários de comunicação interna e externa.

Além da experiência da CNI, o encontro apresentou outros três projetos. O gerente de Comunicação da FIEC, Paulo Nóbrega, mostrou o processo de criação de um aplicativo personalizado para ampliar o engajamento dos colaboradores.

O analista de Multimídia da FINDES, Rogério Campos, apresentou ações da Semana da Integridade e o uso de uma plataforma corporativa de IA para abordar temas técnicos de compliance a partir de referências relacionadas à Copa do Mundo.

Já a analista de Comunicação da FINDES, Lorena Zanon, apresentou a Sofi, uma assistente de inteligência artificial personalizada para apoiar os colaboradores da federação.

Comunicação em transformação

Ao longo de dois dias, o Encontro Nacional de Comunicadores mostrou que os desafios da comunicação do Sistema Indústria passam por diferentes frentes: compreender melhor os públicos, integrar áreas, explorar novas tecnologias, adaptar linguagens e fortalecer a conexão entre colaboradores e instituições.

Mais do que acompanhar tendências, as experiências compartilhadas reforçam a importância de transformar conhecimento em prática, aproximando estratégia, criatividade, tecnologia e relacionamento para comunicar melhor a indústria e seus impactos na sociedade.

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  • O especialista Fernando Morgado enfatizou que cada meio tem seu papel. (Divulgação)

  • A mesa-redonda sobre a Comunicação do SESI, SENAI e IEL reuniu diretores, superintendentes e gerentes para compartilhar experiências, apresentar resultados e alinhar expectativas para os próximos desafios. (Divulgação)

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