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A gerente de Comunicação e Marketing da FIEG, Sandra Tokarski, apresentou um case de sucesso no evento. (Fotos: Divulgação)
Cases apresentados em Brasília mostram como mudanças de processo e novos formatos estão transformando a forma de informar e engajar
Adaptar formatos, inovar na apresentação de temas nas redes sociais e até transformar a maneira de apresentar e vender produtos e serviços. Esses são alguns dos desafios enfrentados pelas federações das indústrias em diferentes estados do país — e que vêm impulsionando novas formas de comunicar, informar e se relacionar com os públicos.
Experiências nesse sentido foram compartilhadas durante a segunda edição do Encontro de Comunicadores do Sistema Indústria, realizado nos dias 17 e 18 de agosto, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. O evento, promovido anualmente, reuniu profissionais de comunicação das federações para apresentar iniciativas, trocar experiências e discutir mudanças de processos que já fazem diferença na forma como as pessoas recebem e consomem informações sobre a indústria.
Há três anos, a comunicação da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) recebeu o desafio de ampliar a interação do público com os conteúdos produzidos pela instituição. A resposta veio com um planejamento voltado à expansão da produção audiovisual e à adaptação dos conteúdos para diferentes plataformas.
Segundo a gerente corporativa de Comunicação da FIERN, Juliska Azevedo, a mudança não veio acompanhada de aumento de equipe ou orçamento. Foi preciso repensar processos e, principalmente, a forma de construir as pautas. “Não aumentamos equipe e nem orçamento, mas tivemos que adaptar o processo e mudar a forma de pensar. Começamos a pensar não só na pauta jornalística, mas também na produção multiplataforma”, explicou.
Entre os resultados estão parcerias com a Inter TV, afiliada da Rede Globo no estado. Um dos projetos é o FIERN em Destaque, informativo semanal que nasceu para as redes sociais e passou a ocupar também espaço na televisão, no intervalo do programa Bom Dia.
Outro exemplo é o Termômetro da Economia, produzido a partir de dados do Observatório da Indústria da FIERN. O quadro apresenta mensalmente os principais indicadores e informações sobre a economia potiguar.
A aproximação com a emissora também levou à criação do quadro Nossa Economia. A oportunidade surgiu depois que representantes da televisão conheceram o trabalho do Observatório da Indústria MaisRN e perceberam o potencial dos dados produzidos pela instituição. “A partir daí, um representante da instituição passou a participar de um quadro na emissora, quinzenalmente, para explicar dados e estudos do Observatório da Indústria MaisRN”, contou Juliska.
Entre os produtos desenvolvidos pela FIERN estão:
FIERN em Destaque: boletim semanal com os principais acontecimentos da federação, criado para as redes sociais e posteriormente levado à televisão;
Podcast Fala, Indústria: entrevistas quinzenais com empresários e autoridades, transmitidas pela Jovem Pan News Natal, Band RN e pelo YouTube da FIERN;
FIERN – Por uma Indústria Mais Forte: série de matérias semanais sobre projetos e ações da federação;
Nossa Economia: boletim mensal exibido no Bom Dia da Globo local, no qual o gerente do Observatório da Indústria apresenta dados e indicadores da economia potiguar e interage com o apresentador.
Nem sempre uma boa ideia nasce de uma demanda formal. Na Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (FINDES), uma conversa informal durante um café da tarde deu origem a um dos conteúdos institucionais de maior repercussão da equipe de comunicação.
A gerente de Comunicação e Relações Públicas da FINDES, Beatriz Seixas, apresentou o projeto “Explicando a FINDES para Gerações”, lançado em abril de 2026 com quatro episódios publicados em formato de carrossel no Instagram e no LinkedIn.
A proposta foi aproximar a comunicação institucional de diferentes gerações a partir de referências presentes no repertório cultural do público. Séries e personagens conhecidos, como Stranger Things e Harry Potter, foram utilizados para explicar, de maneira mais leve e acessível, a atuação da federação.
Segundo Beatriz, a iniciativa não nasceu de uma solicitação específica, mas de um exercício espontâneo de criação da própria equipe. “A partir desse brainstorming despretensioso surgiu um dos nossos conteúdos institucionais que teve um dos melhores resultados entre todos os nossos materiais”, contou.
O desafio foi transformar um tema institucional em um conteúdo com linguagem mais próxima do público. “A gente trouxe a questão de explicar a FINDES, criar identificação, mas também encontramos o timing, porque buscamos referência cultural tentando mirar no repertório das pessoas com o que estava sendo falado fora da linguagem institucional”, explicou a comunicadora.
SENAI como inspiração
“De que forma a gente pode usar as nossas marcas ao nosso favor?” A pergunta orientou um estudo de reposicionamento de marca, produção de conteúdo e presença digital realizado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), dentro da estratégia do Sistema Indústria 360º.
A gerente de Comunicação e Marketing da FIEG, Sandra Tokarski Persijn, explicou que um dos desafios era ampliar a percepção sobre as diferentes áreas de atuação do SENAI. “O SENAI é uma marca muito forte quando se fala em cursos profissionalizantes e ao chão de fábrica. A nossa dor, em Goiás, era levar as outras faces do SENAI, tecnologia e inovação, para outros cantos”, relatou.
Para compreender melhor essa percepção, a FIEG realizou uma pesquisa com mais de 580 pessoas, entre professores, colaboradores, alunos e ex-alunos do SENAI.
Os resultados ajudaram a identificar como diferentes públicos enxergavam a instituição e quais atributos poderiam ser trabalhados para ampliar a conexão com pessoas que ainda não tinham contato com o SENAI.
Segundo Sandra, a pesquisa também revelou um forte vínculo entre os públicos que já faziam parte da instituição. Entre os alunos entrevistados, cerca de 91% afirmaram ter orgulho do SENAI.
A partir dos dados, a comunicação passou a trabalhar novas estratégias para apresentar outras dimensões da marca, especialmente relacionadas a tecnologia e inovação.
Comunicação também é autoconhecimento
Em 2024, a área de mídias sociais da FIEG identificou um problema que ia além da produção de conteúdo: a própria estrutura de gestão dos perfis digitais da instituição precisava ser reorganizada.
Um grande número de páginas vinculadas às unidades do sistema estava enfrentando quedas ou problemas relacionados às plataformas da Meta, gerando sucessivas solicitações de suporte.
A situação revelou também um desafio interno: a comunicação não tinha conhecimento completo de todas as páginas que estavam ativas. “A gente descobriu o número de páginas que tínhamos ativas nas unidades, porque não era de conhecimento da comunicação. Várias unidades, escolas e até projetos internos tinham páginas que começaram a cair”, explicou Luciana Oliveira, coordenadora Digital da FIEG.
A solução foi estruturada por meio do Projeto Guarda-Chuva, que criou um portfólio empresarial do SESI/SENAI Goiás para ampliar a segurança, a organização e o controle sobre os perfis e conteúdos digitais.
Com apoio de uma consultoria especializada, a federação concentrou cerca de 30 perfis relacionados à atuação do Sistema Indústria no estado e trabalhou na recuperação de dados perdidos durante os problemas registrados em 2024.
Mas surgiu uma nova questão: como organizar e alinhar a comunicação de aproximadamente 30 canais diferentes sem perder a identidade e as particularidades de cada unidade?
Foi nesse contexto que nasceu o Projeto RDs (Representantes Digitais). A partir do mapeamento realizado, foram contratados profissionais para produzir conteúdos específicos para cada unidade e oferecer suporte às equipes locais.
Cerca de 24 representantes passaram a atuar vinculados à comunicação da FIEG, prestando consultoria e apoiando as instituições na produção e gestão de seus conteúdos digitais.
“Fazemos uma padronização de todos os materiais, preparamos relatórios e entregamos para os diretores de cada unidade. É um trabalho de formiguinha, nutrição da decisão e de suporte para as vendas”, reforçou Luciana.
As experiências apresentadas no Encontro de Comunicadores do Sistema Indústria mostram que inovar em comunicação não significa necessariamente criar novos canais. Muitas vezes, a transformação começa pela capacidade de reorganizar processos, conhecer melhor os públicos e encontrar novas formas de apresentar conteúdos que já existem.
Da televisão às redes sociais, dos dados econômicos às referências da cultura pop e da gestão de dezenas de perfis digitais à criação de conteúdos personalizados, as iniciativas apresentadas durante o encontro revelam diferentes caminhos para aproximar a indústria das pessoas.
Mais do que mudar formatos, trata-se de entender como cada público consome informação — e adaptar a comunicação para que a mensagem chegue mais longe, seja compreendida e, principalmente, gere conexão.
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