Nicole Goulart afirmou que inclusão depende de formação, infraestrutura segura e atuação conjunta entre governo, empresas e entidades

A ampliação da presença feminina no setor de transporte depende de qualificação profissional, infraestrutura adequada e articulação entre poder público, empresas e instituições de formação. A avaliação foi apresentada pela diretora executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart, durante o painel “Governança em Setores Regulados: poder, articulação institucional e impacto territorial”, realizado na quarta-feira (12), em Brasília.

O debate integrou a programação do Elas em Ação: Mulheres que Transformam o Futuro e reuniu representantes de diferentes setores para discutir como governança, políticas públicas, investimentos e cooperação institucional podem contribuir para o desenvolvimento regional e o fortalecimento das cadeias produtivas.

Além de Nicole Goulart, participaram do painel a diretora de Relações Governamentais da Sanofi, Tatiana Porto; a gerente-geral do Cenpes, Centro de Pesquisas da Petrobras, Roberta Mendes; a advogada e professora Celita Oliveira Sousa; e a palestrante Jaqueline Rodrigues.

Durante a apresentação, Nicole destacou a atuação do SEST SENAT na qualificação profissional e na promoção da saúde dos trabalhadores do transporte. Segundo ela, a formação contribui tanto para preparar profissionais quanto para ajudar as empresas a atender às exigências regulatórias do setor.

Ao abordar a participação feminina, a diretora ressaltou que a inclusão das mulheres exige mais do que políticas específicas: é necessário criar condições concretas para que elas possam ingressar e permanecer nas profissões do transporte.

Entre os desafios está a ampliação da infraestrutura de apoio aos motoristas profissionais nas rodovias. Para Nicole, a existência de pontos de parada seguros e adequados deve fazer parte das estratégias para aumentar a participação feminina no transporte rodoviário.

“Não adianta trazer dados que dizem faltar cerca de 1,5 milhão de motoristas profissionais no nosso setor e dizer que a gente precisa incluir mulheres sem olhar para uma colaboração entre entes governamentais, empresas privadas e entidades formadoras”, afirmou.

Nicole também defendeu que políticas de inclusão sejam acompanhadas de investimentos em capacitação e desenvolvimento profissional. “Políticas de inclusão precisam estar acompanhadas de formação e de condições concretas para o exercício das atividades. Não adianta ter política de cotas, por exemplo, se a gente não capacita a mulher para ocupar esse espaço”, afirmou.

Para a diretora, instituições de ensino e qualificação profissional também têm papel importante na mudança da percepção sobre as carreiras do transporte, especialmente em atividades historicamente associadas aos homens.

“O meu papel, enquanto instituição formadora, é diminuir esse espanto. Tem que ser normal ver mulheres ocupando funções que, historicamente, foram associadas aos homens”, destacou.

Realizado nos dias 11 e 12 de agosto, no Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília, o Elas em Ação: Mulheres que Transformam o Futuro reuniu lideranças dos setores público e privado, indústria, agronegócio e sociedade civil.

O encontro, de caráter independente e apartidário, abordou temas como liderança feminina, inovação, ESG, comunicação estratégica, desenvolvimento institucional e políticas públicas.

A programação teve como objetivo ampliar a participação das mulheres em espaços de decisão e promover a troca de experiências entre profissionais de diferentes áreas estratégicas para o desenvolvimento do país.

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