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Adoção de BIM por 50% empresas brasileiras elevaria o PIB da construção em 7%. (Fotos: FIESC/Divulgação)
Especialistas defendem mudanças profundas no setor para elevar produtividade, reduzir desperdícios e enfrentar a falta de mão de obra
A transformação da construção civil deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade diante dos desafios enfrentados pelo setor. A busca por mais eficiência, agilidade e previsibilidade tem impulsionado a adoção de novas tecnologias, processos de industrialização e estratégias de valorização profissional.
O tema foi discutido durante o seminário ReConstruir, promovido pelo Instituto SENAI de Tecnologia em Cerâmica, em Criciúma. Especialistas que participaram do evento destacaram que a combinação entre inovação tecnológica e capital humano pode ajudar a enfrentar problemas históricos da construção civil, como a escassez de mão de obra e a imprevisibilidade dos custos.
Para os participantes, os desafios do setor exigem mais do que soluções pontuais. A avaliação é de que é necessária uma mudança na forma de planejar, gerenciar e executar os empreendimentos.
O engenheiro civil Lucas Morelle Oliveira, da MRV, destacou que a consolidação de novos modelos produtivos depende de investimentos contínuos em métodos de gestão desde as etapas iniciais dos projetos. Segundo ele, a valorização dos profissionais também é fundamental para a retenção de talentos em um mercado cada vez mais competitivo.
A busca por maior escala aliada ao uso eficiente dos recursos também foi ressaltada pelo coordenador do Instituto SENAI de Tecnologia em Cerâmica, Anselmo Medeiros Marcelino. Para ele, a combinação de novas metodologias pode contribuir para que o setor produza mais, com maior qualidade e em menos tempo, utilizando menos recursos.
Entre as ferramentas com potencial para transformar o setor está o BIM (Building Information Modeling), sistema que permite criar e gerenciar modelos digitais de empreendimentos e integrar informações de diferentes etapas da construção.
Segundo estudo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), caso a adoção do BIM alcance 50% das empresas brasileiras, o PIB da construção civil poderá crescer 7%. Dados da FGV IBRE mostram que, em março de 2024, 20,6% das empresas do setor no Brasil já utilizavam a tecnologia.
A diretora da Conexão BIM, Kesia Alves da Silva, avaliou que a ferramenta representa uma mudança na maneira de planejar e executar obras, principalmente por permitir a identificação antecipada de problemas e a análise de diferentes cenários antes da execução.
Nesse contexto, a tomada de decisões baseada em dados também ganha espaço com o avanço da Inteligência Artificial (IA) aplicada aos negócios.
Quando integrada à modelagem virtual, a IA pode acelerar a análise de cenários e apoiar diferentes processos empresariais, desde o gerenciamento de insumos até o atendimento de requisitos regulatórios.
A CIO da Starian, Carla Cristina de Souza, destacou que essas ferramentas já representam um diferencial estratégico para empresas que buscam ampliar a eficiência, a precisão e a governança dos processos.
Para Anselmo Medeiros Marcelino, a integração entre BIM e processos de industrialização pode contribuir diretamente para o aumento da produtividade na construção civil. “Isso vai ao encontro do propósito do SENAI de ajudar o setor a produzir mais, melhor e mais rápido, utilizando menos recursos”, afirmou.
A adoção de processos mais industrializados também pode contribuir para reduzir desperdícios, aumentar a padronização e melhorar o planejamento das obras, especialmente em um cenário de pressão por produtividade e maior controle de custos.
O Instituto SENAI de Tecnologia em Cerâmica conta com laboratórios acreditados pelo Inmetro/CGCRE para a realização de ensaios relacionados a diferentes etapas da cadeia produtiva da construção.
Os serviços abrangem desde a análise de matérias-primas, como minerais, até a avaliação de produtos acabados, incluindo cerâmicas e concretos. Também são realizados testes em insumos e materiais utilizados na construção civil, além de análises relacionadas ao desempenho das edificações.
A estrutura permite apoiar empresas no desenvolvimento, na avaliação e no aprimoramento de materiais e soluções para o setor, aproximando inovação tecnológica das necessidades práticas da construção civil.
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Seminário em Criciúma destaca gargalos e desafios da Construção Civil. (FIESC/Divulgação)
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