Evento reúne lideranças que defendem educação, capacitação e mais oportunidades para ampliar a presença feminina em posições estratégicas

A qualificação profissional e a confiança no próprio potencial estão entre os fatores que podem ampliar a presença de mulheres em cargos de liderança na indústria. O avanço passa pela formação continuada e pela preparação de profissionais para assumir posições de maior responsabilidade e poder de decisão.

A avaliação foi feita pela diretora de Governança Interna e Externa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Danusa Costa Lima, durante o evento Elas Lideram, promovido pela Academia FIESC de Negócios.

Para a presidente do Grupo Lunelli, Viviane Lunelli, o desenvolvimento de lideranças femininas deve começar desde os primeiros níveis de gestão. Segundo ela, criar oportunidades de crescimento desde o início da carreira ajuda a formar profissionais preparadas para assumir funções estratégicas. “Embora as mulheres estejam muitas vezes mais preparadas do que imaginam, elas não se sentem preparadas. É um desafio constante trabalhar essas questões internamente para dar às mulheres essa condição de se reconhecerem como parte importante desse processo”, afirmou.

Mulheres avançam em cargos de gestão e áreas tecnológicas

Dados do Observatório FIESC mostram que a presença feminina em posições de liderança na indústria catarinense aumentou nos últimos anos. Entre 2022 e 2025, o número de mulheres ocupando cargos de direção e gerência cresceu 13,2%, passando de 7.256 para 8.216 vínculos.

No mesmo período, a participação feminina também avançou em áreas ligadas à tecnologia e à engenharia. O número de mulheres em ocupações técnicas relacionadas à ciência e tecnologia cresceu 8%, enquanto a presença feminina em cargos de engenharia aumentou 13%. O crescimento foi superior ao registrado entre os homens nessas funções.

Para o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Gilberto Seleme, a maior presença feminina representa uma transformação importante no perfil das profissões tecnológicas. Engenheiro de formação, Seleme relembrou sua experiência na universidade para destacar a mudança ocorrida nas últimas décadas. “Na minha graduação, na década de 1980, tive apenas duas colegas. Esse avanço tem sido muito importante para uma maior diversidade nas profissões tecnológicas. O protagonismo feminino se destaca como um vetor indispensável para o desenvolvimento da indústria”, afirmou.

O avanço das mulheres em posições de liderança não se limita ao setor industrial. A participação feminina também vem ganhando espaço no agronegócio brasileiro, tanto na produção quanto em áreas de gestão e negócios. Segundo dados apresentados pela empresária rural e pecuarista Teresa Cristina Vendramini, as mulheres estão à frente de 31% das propriedades rurais brasileiras.

O país reúne cerca de 11 milhões de mulheres atuando no agronegócio, em atividades que abrangem produção rural, gestão, indústria, logística, pesquisa, comercialização e prestação de serviços. A participação feminina representa aproximadamente 33% da mão de obra do setor, de acordo com os dados apresentados durante o evento.

Teresa Vendramini, primeira mulher a presidir a Sociedade Rural Brasileira e ex-presidente da Federação das Associações Rurais do Mercosul, destacou a importância da educação e da capacitação para ampliar a participação feminina no setor. “Educação e capacitação têm tudo a ver com esta casa e com o que vocês estão fazendo. É nisso que eu acredito”, afirmou.

O encontro Elas Lideram reuniu lideranças femininas para compartilhar experiências e discutir caminhos para ampliar a participação das mulheres em posições estratégicas na indústria e em outros setores da economia.

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