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O objetivo é uma das principais demandas do setor produtivo que busca caminhos para transformar os desafios climáticos em competitividade. (Fotos: Gabriel Pinheiro / CNI)
Debate em São Paulo destacou caminhos para transformar sustentabilidade em investimento, inovação e crescimento econômico
A agenda climática foi apresentada como um vetor de desenvolvimento sustentável e econômico para o país durante o 2º Fórum de Finanças Sustentáveis, realizado na Semana de Clima de São Paulo. O debate reuniu representantes da indústria, do agronegócio e do setor financeiro em torno de um mesmo ponto: transformar a transição climática em competitividade, investimento e inovação.
Entre os principais temas discutidos, estiveram a necessidade de segurança jurídica, regras claras e mecanismos que facilitem o acesso ao crédito, especialmente para pequenas e médias empresas. Os participantes defenderam que a sustentabilidade já deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a influenciar diretamente o acesso a mercados e a atração de capital.
O superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, destacou que os planos de descarbonização colocaram a sustentabilidade no centro da estratégia industrial. Segundo ele, o setor produtivo busca uma regulação de alto nível para gerar confiança e ampliar investimentos nacionais e internacionais.
Bomtempo chamou atenção para a necessidade de instrumentos de garantias coletivas que ajudem pequenas e médias indústrias a superar barreiras no financiamento. Ele também afirmou que o Brasil tem potencial para se consolidar como destino de powershoring, mas que isso exige avanços em políticas públicas, tecnologia e qualificação profissional.
Na visão de Giuliano Alves, do IEAG/ABAG, o agronegócio faz parte da solução para a transição climática, com destaque para o papel dos biocombustíveis. Ele defendeu que a união entre os setores é essencial para que soluções sustentáveis ganhem escala e se convertam em oportunidades reais de negócios.
Rosana Santos, CEO da E+ Transição Energética, reforçou que a agenda climática precisa caminhar junto com medidas para a prosperidade econômica. Para ela, o Brasil deve investir em tecnologias adequadas à sua realidade e fortalecer a colaboração entre governo e iniciativa privada para preservar a competitividade industrial.
O powershoring foi apontado como um dos principais trunfos brasileiros para atrair empresas interessadas em produzir com menor emissão de carbono. No entanto, os debatedores ressaltaram que esse diferencial depende de energia renovável de qualidade, segura e com custos compatíveis com a indústria, especialmente em regiões com grande potencial, como o Nordeste.
Ao final do encontro, prevaleceu a avaliação de que o Brasil já possui ativos importantes para liderar a economia verde, mas ainda precisa alinhar infraestrutura, financiamento e política industrial. A conclusão foi que a agenda climática pode impulsionar crescimento e desenvolvimento, desde que seja tratada como projeto de país e não como ação isolada.
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