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Os eventos climáticos extremos deixaram de ser uma possibilidade distante para se tornarem parte da realidade das empresas (Fotos: Divulgação)
Durante palestra promovida pelo Núcleo de Sustentabilidade da ACIC, coordenador da Defesa Civil de Chapecó defendeu que resiliência deve fazer parte da estratégia das organizações e afirmou que desastres naturais já não podem ser tratados como exceção.
Os eventos climáticos extremos deixaram de ser uma possibilidade distante para se tornarem parte da realidade das empresas. A necessidade de incorporar a gestão de riscos ao planejamento dos negócios foi o principal tema da palestra ministrada pelo coordenador da Defesa Civil de Chapecó, Walter Parizotto, na noite desta quarta-feira (1º), durante encontro promovido pelo Núcleo de Sustentabilidade da Associação Comercial, Industrial, Agronegócios e Serviços de Chapecó (ACIC). A ação ainda realizou a arrecadação de alimentos não perecíveis, leite e achocolatado para o projeto Mesa para Todos.
Parizotto apresentou um panorama sobre a ocorrência dos eventos climáticos extremos e defendeu que empresários, gestores e cidadãos precisam desenvolver uma cultura permanente de prevenção. “Ouço muito as pessoas comentarem que a frequência de enchentes e tornados, por exemplo, aumentou, no entanto eles sempre ocorreram, agora é que temos acesso a informação em tempo real do que acontece”, frisou.
O coordenador utilizou experiências acumuladas em mais de três décadas de atuação em grandes tragédias nacionais como Mariana, Brumadinho e as enchentes no Rio Grande do Sul, para demonstrar que os prejuízos vão muito além dos danos materiais. “Os eventos extremos alteram a dinâmica econômica das cidades, mudam o comportamento do consumo e podem comprometer a continuidade das empresas”, pontuou.
Para Parizotto, a discussão deixou de ser exclusivamente ambiental e passou a fazer parte da gestão das organizações. “A nossa função hoje é proteger as pessoas, sejam elas físicas ou jurídicas. E não é só o cidadão que sofre quando não está preparado. As empresas também têm sido profundamente afetadas pelos desastres. O número de empresas que não suportam ou não atravessam esses eventos é extremamente significativo”, afirmou.
Com base em dados apresentados durante o encontro, Parizotto destacou que 40% das pequenas empresas atingidas por desastres não conseguem reabrir e 25% encerram definitivamente as atividades em até um ano após o evento. Para ele, esses números evidenciam que a preparação precisa ser tratada como investimento e não como custo.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de abandonar a ideia de que desastres são imprevisíveis. Conforme explicou, atualmente é possível conhecer áreas sujeitas a alagamentos, regiões com risco de deslizamentos, estimativas de volume de chuva e a intensidade dos ventos. O desafio está em transformar essas informações em planejamento. Parizotto também chamou atenção para a importância da educação preventiva. Na avaliação dele, a população ainda carece de orientações básicas sobre como agira diante de eventos severos, conhecimento que deveria fazer parte da formação desde a infância.
Ao abordar o cenário climático, o coordenador lembrou que fenômenos continuarão ocorrendo de forma cíclica e reforçou que a adaptação é inevitável. "Não é o El Niño que vem até nós. Somos nós que nos estabelecemos no território dele. Precisamos aprender a conviver com esses fenômenos", salientou. Na avaliação do palestrante, a resiliência deve fazer parte tanto da vida das pessoas quanto da estratégia das empresas. Para ele, organizações preparadas conseguem reduzir perdas, responder com mais rapidez às crises e, em muitos casos, sair fortalecidas.
O presidente da ACIC, Carlos Klaus, participou do momento e sublinhou a relevância dos Núcleos Empresarias promoverem encontros que geram conhecimento para as empresas, fortalecem o empreendedor e trazem benefícios para a comunidade. A coordenadora do Núcleo de Sustentabilidade, Edinéia Cassiano, ressaltou que os impactos das mudanças climáticas deixaram de ser uma preocupação futura para fazer parte do cotidiano das empresas e da população. Ela observou que discutir prevenção, gestão de riscos e resiliência é uma forma de fortalecer a capacidade de resposta da comunidade diante dos eventos extremos. "A informação e a prevenção são as melhores formas de proteger vidas, patrimônios e a nossa comunidade. Informação, prevenção, solidariedade e sustentabilidade caminham juntas", enfatizou.
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