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. (Fotos: ASCOM)
Exibição de 100 filmes, sessões presenciais e online, oficina e exposições compõem a programação gratuita e para todas as idades, de 9 a 19 de março em Videira-SC
A 4ª edição da Mostra de Cinema Chica Pelega - Migrações Contemporâneas traz uma intensa programação gratuita durante 10 dias para Videira, Meio Oeste catarinense, na Biblioteca Euclides da Cunha, no centro da cidade, ao lado de lugares históricos e turísticos como a Praça do Coreto, Museu da Uva e Igreja Matriz. Ao todo, serão exibidos 101 filmes de 17 estados brasileiros e 22 países, incluindo produções catarinenses e estreias mundiais.
A Mostra reúne filmes que exploram as experiências de pessoas em deslocamento, suas trajetórias, desafios e contribuições culturais, num olhar plural sobre as migrações contemporâneas e suas implicações humanas e sociais, aproximando o público de histórias que refletem realidades diversas e atuais. Não apenas nas temáticas, migrantes participaram da curadoria dos filmes selecionados e estarão presentes na mediação de sessões especiais e em diversas atividades da programação, incluindo oficina, exposição e como público.
As sessões acontecem pela manhã, tarde e noite, exibindo curtas e longas-metragens de ficção, documentário e animação. A abertura será na Sala de Cinema da biblioteca no dia 9, segunda, às 19h, com a exibição do curta convidado Kagpó Jó (A Origem), dirigido por Jucelino Senei Filho, animação realizada por uma equipe indígena Laklãnõ/Xokleng e Kaingang, que faz sua estreia mundial.
A Mostra de Cinema Chica Pelega é uma realização da VMS Produção e da Pupilo Digital com apoio da Prefeitura de Videira e faz parte da programação do aniversário da cidade. Projeto contemplado pelo Prêmio Catarinense de Cinema 2023, executado com recursos do Governo Federal e Lei Paulo Gustavo de Emergência Cultural, por meio da Fundação Catarinense da Cultura.
Esta 4ª edição recebeu um recorde de 2.389 inscrições. Reflexo do relevante tema central, as migrações, os filmes selecionados abordam diferentes realidades e similaridades com o Brasil, e vêm de uma grande diversidade de países, entre produções e coproduções: Alemanha, Austrália, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Espanha, França, Honduras, Indonésia, Líbano, Macedônia, México, Palestina, Peru, Portugal, Qatar, Suíça, Tadjiquistão e Uzbequistão.
Um dos destaques é a grande quantidade de estreias. Quase um terço dos filmes (29) terão sua primeira exibição na América do Sul e no Brasil, e entre os que estreiam mundialmente na Mostra Chica Pelega estão Ora e Trabalha, de Federico Bonani e Dentre Norte e Nordeste, de Andrea Mendonça.
A programação do domingo, dia 15, 18h, terá ainda uma sessão especial ao ar livre, no estacionamento da prefeitura, do filme convidado Betânia, de Marcelo Botta, produção do Maranhão, voltada para a tradicional comunidade maranhense de Videira. A sessão será mediada pelos curadores haitianos Wisnel Joseph e Charlot Jn Charles, que participaram da seleção dos filmes, e será seguida da exibição de Efapi Boul, de Daniela Farina e João Fernando Lucas, sobre o time de futebol de imigrantes haitianos de Chapecó.
Haverá também sessões especiais para crianças filhas de migrantes, para turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) compostas por migrantes e sessões para grupos de idosos do município.
Nesta 4ª edição, os filmes serão exibidos em cinco categorias:
Migrações Contemporâneas (Curtas e Longas), com 32 filmes que têm como tema migração no Brasil e no mundo, destacando desafios de adaptação, pertencimento e transformação cultural; Estudantil, composta por 16 filmes realizados em atividades pedagógicas, dentro ou fora da escola; Infâncias na Tela, com 28 filmes que apresentam perspectivas, vivências e sensibilidades de crianças e adolescentes; Contestado, em que serão exibidos três longas que abordam as revoltas da Primeira República, com foco especial para a Guerra do Contestado (1912–1916), Beira: além das margens do Rio Uruguai, de Daniela Farina, Pedaço de Chão, de Elias de Lima, e Acordo com Lampião? Só na boca do fuzil!, de Moacir Assunção; e Catarinense, composta por 14 filmes, realizados em Itajaí, Garopaba, Jaraguá do Sul, Florianópolis, Piçarras, Joinville e Maravilha.
O público de todo o país também poderá assistir aos filmes de forma online entre os dias 9 de março a 9 de abril na plataforma play.pupilo.tv.br.
A primeira edição da Mostra Chica Pelega, que homenageia a personagem histórica Chica Pelega, líder cabocla e combatente da Guerra do Contestado, foi realizada em Joaçaba, em 2021. No ano seguinte, expandiu-se para Caçador, Campos Novos, Curitibanos, Timbó Grande e Fraiburgo, e em 2023, chegou às comunidades remanescentes de quilombos Invernada dos Negros e Campo dos Poli e às cidades de Fraiburgo, Capinzal, Monte Carlo e Campos Novos. Desde 2021, foram 101 sessões de cinema, alcançando um público de 7 mil pessoas.
“A 4ª edição é a concretização de um sonho: transformar uma cidade do interior em uma grande janela para o mundo. Neste ano, ampliamos a programação para mais que o dobro das edições anteriores, consolidando a Mostra como um espaço ainda mais potente de circulação e encontro. Serão 10 dias de evento presencial e 30 dias de exibição online, garantindo que, mesmo a partir do interior, todos os filmes possam ser vistos também pelo público conectado de diferentes regiões. Além disso, realizaremos oficinas e, pela primeira vez, conseguimos estrear alguns dos filmes na programação”, afirma Rudolfo Auffinger, curador da Mostra.
Sessões infantis
As manhãs e tardes são de matinê infantil na Mostra Chica Pelega, com sessões voltadas para crianças desde a pré-escola até adolescentes do ensino médio, com distribuição gratuita de pipoca. Na primeira semana, a Mostra recebe escolas do município. Para a segunda semana, os agendamentos de escolas ainda estão abertos, pelo e-mail [email protected].
As crianças vão selecionar os melhores filmes, que receberão o troféu Pequenos Críticos.
Exposições
Cinema Mulher: correntes e confluências do cinema catarina - exposição interativa que convida o público a navegar pela história do cinema catarinense a partir da trajetória de mulheres. Dispositivos interativos, brinquedos ópticos e jogos educativos convidam à participação ativa, permitindo que cada visitante descubra e experimente processos de criação, percepção e projeção de imagens em movimento. O cinema analógico também é celebrado com projeções em Super 8mm e 16mm, e outros equipamentos de cinema históricos, revelando as tecnologias e práticas de produção e exibição que moldaram o cinema ao longo do tempo.
A curadoria e realização são de Blenda Trindade, Fernanda Ozório e Gabi Bresola a partir da pesquisa “Realizadoras do cinema em SC: pioneirismos” (projeto idealizado pela Volo Filmes e realizado em 2025 por Ally Collaço, Blenda Trindade, Fernanda Ozório, Gabi Bresola e Juliano Nunes).
A casa é um mar cheio de portos - Exposição multimídia que convida a mergulhar nas trajetórias de quem atravessou fronteiras para fazer de Chapecó o seu novo lar. Através de vídeo-cartas íntimas, três imigrantes compartilham os desafios no processo de fazer morada no Brasil. Além da escrita, eles escolheram como gostariam de ser retratados em fotografia, como gostariam de ser vistos e lembrados pela família que ficou no seu país de origem.
Nesta obra em movimento, o público também assume o papel de artista e é convidado a responder cartas, deixando sua própria mensagem numa galeria digital, num diálogo entre quem chegou e quem já estava aqui, transformando a exposição em uma construção viva e coletiva.
Oficina Cinematográca - O minuto que foi
Experiência intensiva de criação audiovisual conduzida pelo cineasta cubano Yasser Socarrás, voltada a pessoas migrantes a partir de 14 anos. Realizada no dia 14/03, na Biblioteca Euclides da Cunha, das 16h às 19h, em parceria com a Secretaria de Assistência Social de Videira.
Os participantes irão vivenciar na prática as principais etapas da produção audiovisual, desde a ideia ao roteiro, captação de imagem e som e organização do material, com a realização coletiva de um curta-metragem ao final. A proposta é experimentar o cinema como ferramenta de expressão, criando um filme a partir das vivências, memórias, sonhos e percepções dos participantes sobre deslocamento, pertencimento e futuro.
Yasser S. González é realizador audiovisual, professor e pesquisador, formado pelo Instituto Superior de Arte (Cuba) e mestre em Antropologia Social pela UFSC. Trabalha como produtor, roteirista e diretor na Filmes de Apartamento.
Confira a programação completa no site https://site.chicapelega.com.br/programacao/ e no Instagram e Facebook @mostra.chicapelega.
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