A um mês das eleições, TRE-SC orienta eleitor sobre candidatos, desinformação e dia da votação

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03/09/2026 17:14
Justiça Eleitoral

A um mês das eleições, TRE-SC orienta eleitor sobre candidatos, desinformação e dia da votação

Por Rita Lombardi

Fonte: Vanessa Karine

 Publicado 03/09/2026 17:00  – Atualizado 03/09/2026 17:13

 Presidente do TRE, desembargador Carlos Roberto da Silva, fala com exclusividade para o portal RCN Online
  • Presidente do TRE, desembargador Carlos Roberto da Silva, fala com exclusividade para o portal RCN Online (Fotos: Margarida Bonfim/Estagiária Jornalismo Adjori/SC)

Em 4 de outubro, catarinenses vão às urnas para escolher seis representantes; Justiça eleitoral recomenda buscar informação e estabelecer critérios para decidir

Em 30 dias, a escolha que hoje passa por debates, campanhas, propostas e informações nas redes sociais será registrada na urna eletrônica. Em 4 de outubro, os eleitores catarinenses irão às urnas para escolher deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República. Até lá, o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) reforça que existe uma etapa anterior ao voto: buscar informação e estabelecer critérios para decidir.

O presidente do TRE-SC, desembargador Carlos Roberto da Silva, afirma que o período de campanha deve ser aproveitado para conhecer as candidaturas e avaliar o que cada uma apresenta.

“O cidadão catarinense tem, nesse momento da campanha eleitoral, uma oportunidade muito interessante para conhecer as propostas. Nós temos um período de campanha nas rádios, na TV, na internet, nas ruas. É um momento importante, momento de analisar as propostas”, afirma.

A orientação da Justiça Eleitoral é que essa análise seja feita a partir de informações verificáveis e, principalmente, dos canais oficiais. O eleitor pode consultar dados das candidaturas no DivulgaCandContas, sistema da Justiça Eleitoral que reúne informações sobre candidatos, patrimônio, gastos de campanha, propostas e contas eleitorais.

Em Santa Catarina, a consulta pode ser feita pelo portal do TRE-SC, na opção “Conheça o seu candidato”. Para as candidaturas à Presidência da República, a pesquisa é realizada na área “Brasil”. O sistema é atualizado a cada 60 minutos.

Para Carlos Roberto da Silva, conhecer o candidato vai além de saber seu nome ou número na urna. A escolha deve considerar as propostas e o histórico de cada candidatura.

“A escolha deve ter esse critério, o currículo, aquilo que o candidato propõe, para ver o cidadão analisar se aquilo que o candidato propõe é realmente aquilo que ele pensa, aquilo que ele quer para a nação, para o nosso país”, explica.

Antes do voto, uma escolha

A 30 dias do pleito, a campanha eleitoral já ocupa diferentes espaços. Rádio, televisão, internet e ruas são ambientes nos quais o eleitor encontra discursos, promessas, críticas e propostas. Nesse cenário, quantidade de informação não significa, necessariamente, qualidade.

É justamente nesse ponto que a Justiça Eleitoral chama atenção para a necessidade de estabelecer critérios.

O TRE-SC lançou a mensagem institucional “Diálogo e Paz”, que orienta para uma participação eleitoral baseada no respeito e na análise das propostas, sem que a decisão seja conduzida por hostilidades.

“O TRE de Santa Catarina lançou a mensagem institucional intitulada Diálogo e Paz, exatamente sugerindo que o eleitor catarinense analise e faça sua soberana escolha a partir de propostas e não fundado em um ambiente de hostilidades”, afirma o desembargador.

A orientação não significa que o eleitor deva abrir mão de opinião ou preferência, mas que a decisão seja construída a partir de informações que possam ser verificadas.

Nesse processo, consultar as fontes é tão importante quanto conhecer os candidatos. O cuidado também deve se estender aos conteúdos compartilhados nas redes sociais, que precisam ser conferidos antes de serem repassados.

Desinformação também entra na disputa

A circulação de conteúdos falsos, manipulados ou fora de contexto continua sendo uma preocupação da Justiça Eleitoral. Em 2026, o cenário inclui ainda conteúdos produzidos ou alterados por ferramentas de inteligência artificial.

Para o presidente do TRE-SC, o eleitor precisa assumir uma postura de verificação antes de compartilhar qualquer informação.

“O cidadão hoje está checando, ele está verificando a fonte daquilo que chega, normalmente pelo celular, e antes dele divulgar, antes de ele propagar aquela notícia, ele está checando”, afirma.

Uma das ferramentas disponíveis é o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (SIADE), desenvolvido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Por meio dele, qualquer pessoa pode comunicar conteúdos relacionados à desinformação e ao discurso de ódio.

Entre os exemplos estão informações falsas sobre urnas eletrônicas, apuração dos votos, horários e locais de votação e conteúdos manipulados por inteligência artificial em desacordo com a legislação eleitoral.

O eleitor também pode denunciar propaganda irregular pelo aplicativo Pardal. A ferramenta é gratuita e permite o envio de fotos, áudios e vídeos. Crimes eleitorais podem ser comunicados ao Ministério Público Eleitoral, enquanto os cartórios eleitorais também recebem demandas relacionadas ao processo eleitoral.

A participação do eleitor, segundo Carlos Roberto da Silva, não termina quando o voto é depositado na urna.

“Nós acreditamos muito que o eleitor é o nosso principal fiscal, porque ele está em todas as partes, ele verifica as situações e ele pode municiar a Justiça Eleitoral de informações muito importantes”, destaca.

Seis votos, uma ordem

TRE/SC alerta para a Ordem de votação
  • TRE/SC alerta para a Ordem de votação (Fotos: Jornalismo Adjori/SC)

No dia 4 de outubro, o eleitor catarinense terá seis escolhas para fazer na urna eletrônica. A sequência definida pela Justiça Eleitoral é:

deputado federal – quatro dígitos;
deputado estadual – cinco dígitos;
primeiro senador – três dígitos;
segundo senador – três dígitos;
governador – dois dígitos;
presidente da República – dois dígitos.

Os dois votos para o Senado são uma particularidade desta eleição. Em 2026, serão escolhidos dois senadores por estado. Por isso, o eleitor deverá escolher dois candidatos diferentes. Se o mesmo candidato for digitado nas duas oportunidades, o segundo voto será anulado.

A ordem completa de votação foi divulgada pelo TRE-SC, que recomenda que o eleitor leve de casa um lembrete com os números das candidaturas. A anotação pode ser utilizada dentro da cabine, mas o celular não.

Para Carlos Roberto da Silva, a chamada “colinha”, atualmente denominada lembrete, pode ajudar a tornar a votação mais rápida e evitar que o eleitor esqueça ou confunda os números.

“É uma votação um pouco mais longa e, por isso, nós recomendamos que o eleitor catarinense leve o seu lembrete, leve a sua anotação com os números dos seus candidatos para agilizar nesse momento ali da cabina”, orienta.

Manual do Eleitor

O material preparado pela Justiça Eleitoral reúne orientações sobre o dia da votação, documentos, título eleitoral, ordem de votação, cargos em disputa, direitos, deveres, proibições e procedimentos eleitorais.

Não é preciso levar o título

Outra preparação que pode ser feita nos próximos 30 dias é conferir a documentação.

O eleitor não precisa apresentar o título eleitoral impresso para votar. É necessário apresentar um documento oficial com foto ou o e-Título com fotografia.

O aplicativo reúne serviços eleitorais e permite consultar informações como situação eleitoral e local de votação. A Justiça Eleitoral recomenda que o aplicativo seja baixado antecipadamente.

Uma atualização recente do e-Título passou a oferecer novas funcionalidades. Para quem possui biometria cadastrada e fotografia disponível no aplicativo, o e-Título com foto pode ser utilizado para identificação no momento da votação. Quem não possui biometria deve apresentar documento oficial com foto.

Em Santa Catarina, nove em cada dez eleitores já possuem biometria registrada, segundo o presidente do TRE-SC.

“Isso é importante porque agiliza ali no momento da identificação do eleitor, além do aspecto da segurança”, explica.

Também é possível consultar antecipadamente o local de votação. O TRE-SC informou que a consulta já está disponível e deve ser conferida antes do dia da eleição, especialmente por quem solicitou transferência temporária ou teve alteração de zona eleitoral.

Justiça Eleitoral prepara locais de votação

Enquanto o eleitor se prepara, a Justiça Eleitoral trabalha na organização das seções. Segundo Carlos Roberto da Silva, os locais de votação foram revisitados e vistoriados. Uma das preocupações para este ano é o tempo necessário para que cada eleitor registre os seis votos.

“Nós temos uma preocupação, por exemplo, com filas, dado esse cenário de seis votos que nós acabamos de falar”, afirma.

De acordo com o presidente, foram feitas revisões em algumas seções eleitorais para reduzir o número de eleitores e diminuir o impacto de eventuais filas.

“Nós fizemos uma revisão em várias sessões eleitorais, até para limitar o número de eleitores, para diminuir esse impacto das filas”, explica.

A Justiça Eleitoral também conta com mesárias e mesários para organizar o atendimento e o funcionamento das seções. Em Santa Catarina, os treinamentos para essas funções ocorrem durante o mês de setembro.

Transporte para quem precisa

Entre as novidades das Eleições 2026 está o programa “Seu Voto Importa”, destinado a eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida, além de indígenas e quilombolas que não tenham meios próprios de locomoção.

O programa prevê transporte individual gratuito no dia da votação. Para o primeiro turno, a solicitação deve ser feita até as 23h59 de 14 de setembro, por meio da Ouvidoria dos Tribunais Regionais Eleitorais. A confirmação pode ocorrer até 48 horas antes da votação.

Em caso de segundo turno, se houver, o prazo para solicitar o transporte será até as 23h59 de 5 de outubro.

O que pode e o que não pode no dia da eleição

A votação ocorre das 8h às 17h, no horário de Brasília, em todo o país. O primeiro turno será em 4 de outubro. Se houver segundo turno, a data prevista é 25 de outubro.

No dia da eleição, é proibida a propaganda eleitoral. O eleitor pode demonstrar individualmente e de forma silenciosa sua preferência por candidato, partido ou federação, utilizando itens como bandeiras, broches, adesivos e camisetas.

Não é permitida manifestação coletiva e ruidosa com o objetivo de influenciar outros eleitores.

Também não é permitido utilizar o celular dentro da cabine de votação. O aparelho deverá ser deixado no local indicado pelos mesários.

Uma escolha que começa agora

A um mês do primeiro turno, a Justiça Eleitoral concentra parte das orientações em um ponto que antecede todas as outras etapas: o eleitor precisa chegar ao dia da votação sabendo o que vai fazer.

Conhecer os candidatos não significa apenas memorizar números. Significa consultar propostas, observar históricos, conferir informações e desconfiar de conteúdos que chegam sem fonte ou que apelam para o compartilhamento imediato.

Para Carlos Roberto da Silva, o eleitor deve aproveitar este período para fazer uma análise criteriosa.

“Uma análise criteriosa de quais são as melhores propostas, qual é o candidato que esse eleitor se identifica, pensa como ele, propõe algo que esse eleitor entenda que é o melhor para o nosso Estado, para o nosso país”, afirma.

O presidente do TRE-SC reforça que a preparação da Justiça Eleitoral ocorre durante todo o ciclo eleitoral, e não apenas na semana da votação.

“A Justiça Eleitoral trabalha ininterruptamente, ela não trabalha só às vésperas da eleição. Terminada uma eleição, nós começamos a trabalhar na próxima”, afirma.

Para o eleitor, porém, os próximos 30 dias representam uma etapa decisiva: é o intervalo entre receber a informação e transformá-la em critério para escolher.

“Queremos que o cidadão tenha informação fidedigna, informação qualificada, informação verdadeira, é isso que desejamos”, conclui o presidente do TRE-SC.

Em 4 de outubro, a decisão será registrada na urna. Até lá, conhecer, conferir e questionar também fazem parte do processo de votar.

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  • O presidente do TRE-SC, desembargador Carlos Roberto da Silva, afirma que o período de campanha deve ser utilizado justamente para conhecer as candidaturas e avaliar o que cada uma apresenta. (Margarida Bonfim/Estagiária Jornalismo Adjori/SC)

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