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Aos 82 anos, Sueli Cordeiro encontrou na EJA um espaço para aprender, conviver e continuar realizando sonhos. (Fotos: Divulgação)
No Carianos, estudantes de 23 a 82 anos retomam os estudos em uma turma que une alfabetização, pesquisa e acesso a direitos
Entre cadernos, conversas e descobertas, 10 mulheres estão reconstruindo a relação com a escola por meio da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJA) da rede municipal de Florianópolis. A turma 20 do Núcleo EJA Sul 1 funciona no Centro de Saúde do bairro Carianos, no Sul da Ilha, e reúne estudantes de 23 a 82 anos, com trajetórias marcadas por interrupções, responsabilidades e diferentes desafios.
Algumas estão em fase de alfabetização, enquanto outras buscam concluir o ensino fundamental. Para todas, o retorno aos estudos representa mais do que uma chance de aprender: é a possibilidade de ampliar conhecimentos, fortalecer a autonomia e exercer direitos que ficaram pelo caminho ao longo da vida.
As aulas acontecem duas vezes por semana, com acompanhamento das professoras Janete Elenice Jorge e Emiliana Correa. O trabalho é planejado coletivamente pelo núcleo e desenvolvido em uma dinâmica de docência compartilhada, que acompanha de perto os percursos de aprendizagem e as pesquisas realizadas pelas estudantes.
Na prática, a sala de aula se conecta com a realidade de cada uma. A proposta pedagógica parte da pesquisa como princípio educativo, estimulando as alunas a observar o território, conversar com pessoas da comunidade, formular perguntas e buscar respostas sobre os serviços e as condições de vida no bairro.
Os relatos das estudantes mostram transformações concretas no dia a dia. Evageslaine Marques Brites, de 75 anos, conta que sempre sonhou em voltar a estudar e chegar ao ensino superior. Já Nara Regina Coelho de Avila diz ter descoberto que é capaz de aprender muito além da escrita e de desenvolver a própria inteligência.
Irene Maria da Silva Cordeiro destaca a independência que a EJA proporciona às mulheres, enquanto Rafaela Ivanilda da Silva afirma que a experiência elevou sua autoestima e ampliou sua confiança. Maria Antoninha Bertusso ressalta o ambiente acolhedor construído com as professoras, e Margarete Iris de Souza comemora avanços práticos, como resolver questões no banco e acompanhar melhor o celular.
A mais idosa do grupo, Sueli Cordeiro, de 82 anos, resume a experiência com entusiasmo: para ela, a EJA é “a oitava maravilha do mundo”.
Em 2025, as secretarias municipais de Educação e Saúde firmaram um protocolo para encaminhar usuários da Atenção Primária à Saúde para a EJA. A medida passou a integrar o prontuário eletrônico de pessoas a partir de 15 anos que não concluíram o ensino fundamental ou não foram alfabetizadas, ampliando as chances de retorno à escola por indicação dos profissionais de saúde.
A rede municipal também mantém matrícula aberta durante todo o ano, com inscrição pela internet, por meio do portal da Prefeitura. As aulas são oferecidas de segunda a sexta-feira, nos turnos matutino, vespertino e noturno, com escolarização gratuita, alimentação e, nos casos previstos em lei, passe escolar para estudantes que se enquadrem nos critérios estabelecidos.
Mais do que recuperar conteúdos, a EJA tem se mostrado um espaço de transformação pessoal e social. Ao relacionar educação, território e cidadania, o núcleo ajuda mulheres a enxergarem novas possibilidades para a própria vida e para a comunidade em que vivem. Mais informações podem ser obtidas em um núcleo da EJA ou pelo telefone da Secretaria Municipal de Educação: (48) 3239-1579.
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Na EJA, o retorno à escola abre caminhos para novos aprendizados, mais autonomia e sonhos que seguem vivos em diferentes fases da vida. (Divulgação)
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Entre conversas, afeto e aprendizados, a EJA também se constrói nos vínculos e na troca de experiências entre as estudantes. (Divulgação)
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Estudantes da EJA compartilham aprendizados e descobertas durante encontro com o escritor Ricardo Medeiros, autor das obras apresentadas na atividade. (Divulgação)
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Sueli e Irene, mãe e filha, companheiras de uma jornada de sonhos, coragem e educação na EJA. (Divulgação)
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Sueli e Irene compartilham na EJA uma experiência que vai muito além da sala de aula: a alegria de aprender juntas. (Divulgação)
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