Ninguém, por mais otimista que fosse, poderia supor que a perda de uma safra inteira de melancias no ano de 2006 poderia mudar definitivamente a vida das 40 famílias do assentamento Anita Garibaldi, localizado no município de Ponte Alta (SC). Reunidas para a criação de uma sociedade que as tornassem mais fortes, as famílias fundaram a Associação de Cooperação Agrícola Terra Livre (Acatel), embrião da cooperativa que hoje orienta a produção, beneficiamento e comercialização dos produtos dessas e de outras 250 famílias associadas, assentadas na região: a Cooperativa Regional Agropecuária Terra Livre (Coopertel).
Dois anos após os reveses provocados na produção de melancias, incentivadas por uma proposta da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), de beneficiar principalmente produtos originados da moranga e da abóbora, as famílias decidiram empreender e obtiveram importante apoio do Incra/SC, por meio do Programa de Desenvolvimento Sustentável Integrado (PDSI) e do Programa de Desenvolvimento Rural Sustentável do Banco do Brasil que, juntos, encaminharam ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), uma proposta para a liberação, no ano de 2009, de R$1,27 milhão para a construção da agroindústria da Coopertel. Hoje, a cooperativa possui em seu mix uma diversificada e inovadora linha de produtos composta por farinhas e purês de abóbora, sementes de abóbora com coberturas de chocolate, sabor canela e sabor café (produtos ainda em fase de teste de mercado), além das tradicionais conservas de pepino, cenoura, cebola e beterraba, carros-chefe da cooperativa.
A fábrica, que está localizada em uma área de 10 mil metros quadrados, em terreno cedido pela Prefeitura de Ponte Alta (SC), administra a produção e logística desses produtos, especialmente das conservas, que possuem a marca Terra Viva. Esses produtos são distribuídos praticamente em todo o estado de Santa Catarina, onde possuem enorme aceitação do público consumidor.
No início deste ano, o Programa Terra Sol, do Incra, entregou à cooperativa, como apoio à industrialização, uma máquina rotuladeira, uma unidade de banho-maria, mesas classificadoras e máquinas para a higienização dos hortifrutigranjeiros processados. O presidente da Coopertel, Amauri Fracaro, informou que o projeto mais recente da cooperativa envolve o investimento na produção de ovos de codorna, produto de fácil penetração no mercado, e que poderá, além de ampliar a renda das famílias, utilizar os dejetos da criação para a adubação orgânica da produção das hortaliças. Para tanto, a Coopertel já encaminhou ao Incra/SC, por meio do Programa Terra Sol, um projeto para a produção de codornas nos assentamentos, num investimento estimado de R$600 mil, que aguarda parecer técnico para aprovação.
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