-
O governador Raimundo Colombo desenhou cenário das origens da crise atual no Brasil (Fotos: Fernando Bond)
Colombo prega dimunição do tamanho do governo; países fazem acordos comerciais e tecnológicos e avaliam suas dificuldades
Com a presença de 1.200 empresários - entre eles 188 alemães - a abertura do Encontro Empresarial Brasil Alemanha, em Joinville, mesclou otimismo com os acordos bilaterais firmados ou que estão sendo encaminhados e uma profunda preocupação dos representantes dos dois países com a crise política e econômica brasileira e com a crise migratória que assola a Europa.
O evento foi aberto pelo governador Raimundo Colombo, pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro, pelo vice-ministro de Economia e Energia da Alemanha, Matthias Machnig, pelo presidente da Confederação Nacional das Indústrias, Robson Andrade, e pelo presidente da Fiesc, Glauco José Côrte. A Alemanha é o quarto parceiro comercial do Brasil, o maior dentro da União Europeia e tem 1.400 empresas no Brasil, representando 10% do PIB industrial brasileiro.
Como anfitrião, o presidente da Fiesc fez o discurso de abertura e aproveitou para fazer a defesa da integridade do Sistema S, com aplausos da plateia. Depois de o prefeito de Joinville, Udo Dohler, dar as boas vindas e lembrar a luta dos imigrantes alemães na construção da cidade.
Inovação - O presidente da CNI, Robson Andrade falou sobre o convênio que seria assinado logo depois entre o Senai e a Sociedade alemã Fraunhofer "para reduzir o gap tecnológico das indústrias brasileiras". A partir desta segunda-feira, 15 institutos Sinai de Inovação operacionais espalhados pelo Brasil poderão trabalhar em parceria e acessar as inovações produzidas pelos 67 institutos Fraunhofer da Alemanha. "Nossa previsão é de que a rede de institutos Senai tenha 26 unidades operacionais em 2017", anunciou o presidente da CNI.
Problemas - Já o presidente da Câmara Brasil-Alemanha de Indústria e Comércio, Wolfram Anders, lembrou que este é o terceiro encontro bilateral realizado em Santa Catarina, "numa região em ascensão, com estabilidade social e econômica", onde as famílias alemãs chegaram nos séculos 18 e 19. Fazendo um paralelo dos problemas atuais dos dois países, Anders reportou-se às "ondas de refugiados" que estão provocando uma grave crise na Europa e afirmou que "a Alemanha só dará conta desse problema com a ajuda dos vizinhos, mas é preciso controlar a migração mesmo para países organizados como o nosso".
E voltando-se para o Brasil disse que os problemas do país "são muito sérios", atribuindo isso "a um passado em que se apostou em matérias primas e não no investimento na indústria - na bonança não houve investimentos. O Brasil precisa diversificar a indústria e aumentar a competitividade", afirmou, ressaltando, porém, que "vemos no Brasil um aliado importante e a indústria alemã tem plena confiança no Brasil".
Reindustrialização - O vice-ministro de Economia e Energia da Alemanha, Matthias Machnig, corroborou com o discurso de Anders, garantindo que "o Brasil é um parceiro estratégico da Alemanha, um parceiro confiável, que passa por dificuldades de natureza econômica e também política". Incitou os brasileiros para que "comecem a fazer uma reforma" como a que a Alemanha promoveu a partir do ano 2000: "Comecem, façam as reformas estruturais. Vamos investir no futuro deste país", disse ele. Lembrou que a Inglaterra e os Estados Unidos estão iniciando processos de "reindustrialização" como os alemães já vêm fazendo. Afirmou que "a deixa é a digitalização da economia, que vai mudar o DNA da economia em busca de um surto de produtividade. Novos perfis profissionais surgirão dentro de cinco anos e é nisso que o Brasil precisa investir".
Reformas e ajuste - A crise brasileira abriu o discurso do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro, que afirmou que "o ajuste requer sacrifícios de curso prazo que são cruciais para a retomada do crescimento - é preciso encaminhar bem este momento, em busca das reformas estruturais que foram postergadas no período da bonança". Elogiou as medidas tomadas pela Alemanha, "eu promoveu a reforma trabalhista e social e uma política industrial, com um eficaz sistema de inovação e tecnologia". "A indústria representa quase 30% do PIB alemão, enquanto na Inglaterra é menos de 10%", lembrou. Depois fez um detalhado relatório das medidas que o Governo Federal está tomando para a retomada do crescimento, citando o Programa de Inovação Logística (PIL), "que prevê investimentos de 50 bilhões de dólares em portos, aeroportos, ferrovias e rodovias, e o Plano Nacional de Exportações, que dará um novo status ao comércio exterior, cujo grande lema é 'Mais Brasil no Mundo'".
Exemplo - O governador Raimundo Colombo desenhou cenário das origens da crise atual no Brasil: "Inchamos o estado, burocratizamos e desequilibramos o país", afirmou. "Levamos a previdência pública a patamares insuportáveis, que precisam ser revistos e agora é a hora de aproveitar para fazer as correções, diminuindo o tamanho do governo e sua presença na vida dos cidadãos", disse Colombo. "Precisamos seguir os exemplos da Alemanha", disse. Ao lembrar que "metade dos sobrenomes do nosso Estado são de origem alemã", disse que Santa Catarina tem "1,1% do território nacional, é o sexto maior PIB do Brasil, tem 3% de crescimento ao ano, taxa de desemprego de menos de 3%, e bons indicadores de saúde e educação". E finalizou: "Aqui em Santa Catarina quando se unem brasileiros e alemães, o sucesso é garantido".
Deixe seu comentário