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Vanir Zanatta,Presidente do Sistema OCESC (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina). (Fotos: Divulgação)
OCESC diz que a medida pode elevar custos, reduzir produção e dificultar contratações em um estado com desemprego muito baixo
A redução da carga horária semanal de trabalho, em análise no Congresso Nacional, pode gerar um impacto estimado em R$ 10,8 bilhões por ano para as cooperativas de Santa Catarina, segundo levantamento da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC). O estudo considera o cenário em que a jornada caia de 44 para 40 horas semanais sem redução proporcional de salários.
De acordo com a entidade, a mudança exigiria 12.394 novas contratações para manter o funcionamento atual das atividades, com custo mensal estimado em R$ 74,3 milhões. Para a OCESC, o setor não teria recursos para absorver essa despesa adicional sem comprometer a operação e a competitividade.
O presidente da OCESC, Vanir Zanatta, afirma que o mercado de trabalho catarinense já opera em cenário de escassez de mão de obra. No terceiro trimestre de 2025, a taxa de desemprego no estado foi de 2,3%, o que caracteriza situação de pleno emprego e limita a disponibilidade de trabalhadores para preencher novas vagas.
Segundo ele, setores como agricultura, comércio e serviços podem enfrentar dificuldades para contratar, o que afetaria linhas de produção, lojas, granjas e frigoríficos. Sem reforço no quadro de pessoal, a redução da jornada tenderia a cortar produção e faturamento, com reflexos diretos no desempenho das cooperativas.
Zanatta sustenta que a redução da jornada sem diminuição dos salários elevaria o custo da hora de trabalho e, com isso, pressionaria os preços ao consumidor final. Na avaliação da OCESC, o efeito combinado seria a perda de competitividade e o aumento da inflação, com reflexos no custo de vida da população.
A entidade também prevê crescimento da informalidade caso empresas não consigam suportar o aumento dos custos formais. Nesse cenário, parte dos postos de trabalho poderia migrar para relações menos protegidas, o que, segundo a OCESC, seria especialmente prejudicial ao trabalhador rural.
O dirigente classifica a proposta como um movimento “irresponsável” e “eleitoreiro”, afirmando que a mudança vem sendo conduzida sem análise de impacto, debate amplo ou estudos técnicos suficientes. Para ele, a decisão sobre a jornada deveria ser construída por meio de acordos coletivos entre empregadores e empregados.
Vanir Zanatta também destaca que o Brasil ainda apresenta baixa produtividade e ocupa a 94ª posição no ranking de produtividade da OIT entre 184 países. Na avaliação da OCESC, o cenário econômico já é pressionado por infraestrutura deficiente, alta carga tributária, excesso de regulamentação, encargos trabalhistas e insegurança jurídica, fatores que compõem o chamado custo-Brasil.
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