Levantamento mostra queda da confiança em quase todos os setores, portes e regiões, com o Nordeste destoando do cenário nacional

O pessimismo entre os segmentos industriais se intensificou em setembro, de acordo com levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na sexta-feira (25). O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) caiu em 24 dos 29 setores acompanhados, além de recuar em quatro das cinco regiões do país e entre empresas de todos os portes.

No consolidado, a indústria brasileira segue sem confiança há 21 meses. Em dois segmentos — impressão e reprodução e equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos — a queda levou o indicador para abaixo da linha de 50 pontos, nível que separa confiança de falta de confiança no índice da CNI.

Apesar do recuo generalizado, cinco dos 29 setores registraram alta no mês. Calçados e suas partes, assim como bebidas, conseguiram ultrapassar a linha divisória e passaram a demonstrar confiança. Ainda assim, o saldo de setembro repetiu o de agosto: 25 setores ficaram pessimistas e apenas quatro se mantiveram confiantes.

Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a perda de confiança está ligada à piora na avaliação dos empresários sobre as condições correntes e sobre as expectativas em relação à economia e às próprias empresas.

O ICEI também caiu em todos os portes empresariais. Entre as pequenas empresas, o índice recuou 2,2 pontos e chegou a 44,6 pontos. Nas médias, houve queda de 1,1 ponto, para 44,9 pontos. Já entre as grandes, a retração foi de 0,6 ponto, levando o indicador a 47 pontos.

Com isso, a falta de confiança ficou mais intensa em setembro do que em agosto em todas as faixas de porte analisadas. O movimento reforça a percepção de desaceleração do otimismo entre industriais de diferentes tamanhos.

Por região, a desconfiança também se aprofundou. O ICEI caiu no Norte, Sudeste, Sul e Centro-Oeste, enquanto o Nordeste foi a única exceção e registrou alta. No Norte, o índice recuou 3,7 pontos, para 44,3 pontos. No Sudeste, caiu 1,9 ponto, para 44,4 pontos, e no Sul, 0,8 ponto, para 42 pontos.

No Centro-Oeste, o indicador diminuiu 1,3 ponto e fechou em 48,6 pontos. Já no Nordeste, houve avanço de 0,3 ponto, com o ICEI alcançando 51,4 pontos. A região se manteve como a única do país a demonstrar confiança entre os empresários industriais.

O ICEI setorial desta edição foi calculado com base em entrevistas realizadas pela CNI com 1.705 empresas entre 1º e 11 de setembro. Dentre elas, 702 eram de pequeno porte, 612 de médio porte e 391 de grande porte.

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