IBCR-SC interrompe sequência de seis meses de crescimento e acende alerta sobre a desaceleração no estado

A atividade econômica de Santa Catarina registrou um recuo de 1,3% em julho de 2026 na comparação com junho, interrompendo uma sequência de seis meses de crescimento. Os dados do IBCR-SC analisados pela Federação das Indústrias de SC apontam que essa foi a maior retração desde abril de 2025, quando o índice caiu 2,2%. O indicador, considerado uma prévia do PIB, apresentou declínio superior ao registrado no Brasil, de 0,2% no mesmo período.

Na avaliação da FIESC, a retração é parte de um processo longo de desaceleração e o resultado negativo já era esperado diante dos efeitos da SELIC sobre o crédito. O presidente da entidade, Gilberto Seleme, explica que o elevado nível de comprometimento da renda das famílias, combinado ao ritmo lento de queda da taxa básica de juros, estão entre os principais fatores para o desempenho.

“O juro alto dificulta o acesso ao crédito, não só para as indústrias que querem investir, mas também para as famílias, com impactos no consumo”, disse Seleme.

Entre os setores acompanhados, o volume de vendas do comércio varejista ampliado caiu 1,2% e o de serviços recuou 0,9%. A produção industrial permaneceu praticamente estável, com uma variação de -0,02%.

Na comparação com igual período do ano anterior, no entanto, o resultado é de crescimento de 1,6%. O economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, pondera que a despeito do indicador em alta na comparação com julho de 2025, os dados mostram uma tendência de arrefecimento produtivo.

"O avanço do comércio e dos serviços, mais moderados do que no passado recente, contrasta com o desempenho contido da indústria. O endividamento das famílias e a manutenção da SELIC em patamares elevados continuarão a limitar o crescimento da economia de SC a taxa próxima a 2% até o final do ano”, avalia Bittencourt.

No acumulado em 12 meses até julho de 2026, a economia catarinense registra crescimento de 1,6%, enquanto o índice nacional aponta avanço de 1,5%, demonstrando que, embora siga em expansão interanual, o estado está em claro processo de perda de dinamismo.

Texto por Comunicação FIESC.

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