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Professor e pesquisador da Universidad de la República, no Uruguai, apresenta como pastagens podem integrar sistemas modernos, eficientes e orientados por resultados. (Fotos: Divulgação)
Gabriel Menegazzi leva ao SBSBL uma análise sobre como pastagens, suplementação e manejo integrado podem fortalecer a competitividade das fazendas
O avanço tecnológico na pecuária leiteira não significa, necessariamente, reduzir a participação das pastagens na alimentação das vacas. Para o pesquisador Gabriel Menegazzi, o desempenho das fazendas depende da integração entre produção de forragem, manejo do pastejo e suplementação, com foco em produtividade e competitividade.
Essa visão será apresentada na palestra “O papel do pastejo na produção e competitividade de sistemas leiteiros modernos”, durante o 15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL), em Chapecó. Menegazzi atua na Universidad de la República, no Uruguai, e usa a experiência do país como referência para mostrar que o pasto continua estratégico mesmo em uma pecuária voltada ao mercado internacional.
O Uruguai exporta cerca de 70% da produção de leite e mantém a forragem como componente central da dieta dos rebanhos. Segundo o pesquisador, a eficiência não deve ser analisada apenas pelo volume produzido por vaca, mas também pelo uso da terra, pelos custos e pelo retorno econômico da propriedade.
Menegazzi destaca que uma vaca de alta produção individual não representa, sozinha, a eficiência de uma fazenda. Para avaliar o sistema de forma correta, é preciso observar quanto alimento foi necessário para chegar a esse resultado, como a área foi aproveitada e quais foram os custos envolvidos na produção.
Essa lógica amplia a leitura sobre desempenho e ajuda a identificar oportunidades de ganho em sistemas baseados em pasto. O foco passa a ser o conjunto da propriedade, e não apenas o resultado de cada animal isoladamente.
A palestra também vai abordar temas que ganharam importância nas decisões do setor, como bem-estar animal, condições de trabalho, emissões de metano e pegada de carbono. Para o pesquisador, esses indicadores precisam ser observados de forma conjunta, porque respondem a perguntas diferentes sobre o sistema produtivo.
Na avaliação dele, a sustentabilidade não está automaticamente associada a um único modelo de produção. O potencial das pastagens depende da capacidade da fazenda de produzir forragem, controlar a oferta aos animais, ajustar a suplementação e usar bem os recursos disponíveis.
A experiência uruguaia servirá como base para discutir possibilidades aplicáveis à realidade brasileira. Apesar das diferenças entre os dois países, questões como custo de produção, aproveitamento da terra, eficiência alimentar e menor impacto ambiental fazem parte da agenda comum da pecuária leiteira.
O 15º SBSBL faz parte da programação comemorativa dos 15 anos do evento e reunirá especialistas do Brasil e do exterior para debater sistemas de produção, sanidade, reprodução, gestão, qualidade do leite e nutrição de alta performance.
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