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Encontro empresarial destaca oportunidades em alimentos, celulose, máquinas e produtos farmacêuticos, em um contexto de expansão de 76,7% do comércio entre Brasil e Itália na última década. (Fotos: Gilberto Sousa / CNI)
Encontro reuniu governo e empresários para discutir comércio, investimentos e parcerias estratégicas
Representantes do governo e do setor privado dos dois países se reuniram na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, para discutir novas oportunidades de negócios, tecnologia e investimentos. O encontro empresarial Brasil-Itália marcou a etapa final da missão italiana pela América Latina, que também passou por Buenos Aires e São Paulo.
A iniciativa foi realizada em parceria com a Confindustria, a ApexBrasil, a Agência Italiana de Comércio Exterior (ICE) e a Embaixada da Itália em Brasília. Segundo os participantes, a aproximação entre Brasil e Itália ganha ainda mais relevância em um cenário de mudanças globais e busca por cadeias produtivas mais resilientes.
Durante a abertura, o vice-presidente da CNI e presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Jamal Bittar, afirmou que o diálogo entre os países deve avançar para gerar conexões duradouras. Ele destacou que a Itália já ocupa posição de destaque como parceira comercial do Brasil dentro da União Europeia.
O dirigente também ressaltou o potencial do Acordo Mercosul-União Europeia para impulsionar a integração entre mercados complementares. Para ele, o sucesso do tratado depende da capacidade das empresas de identificar oportunidades, formar parcerias e desenvolver projetos inovadores.
Bittar citou áreas com forte sinergia entre os dois países, como farmacêutico, tecnologia digital, energia, infraestrutura, máquinas e mineração. Na avaliação da CNI, esses segmentos podem ganhar competitividade com maior cooperação empresarial e com o avanço das negociações comerciais entre os blocos.
Representando a indústria italiana, Barbara Cimmino, vice-presidente da Confindustria para Exportação e Atração de Investimentos, afirmou que a presença em Brasília é estratégica para entender as diretrizes de crescimento e as decisões políticas que influenciam o ambiente de negócios.
A programação do evento também contou com uma apresentação sobre a indústria brasileira. Constanza Negri, gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, informou que o setor responde por 23,4% do PIB, por 67,7% das exportações de bens e serviços e por 66,8% do investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento.
Ela destacou ainda que cada R$ 1 produzido na indústria gera R$ 1,44 na economia, reforçando o peso do setor na atividade nacional. Em seguida, Mario Sérgio Telles, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, falou sobre prioridades para os próximos 25 anos e defendeu ações para reduzir o Custo Brasil, atrair investimentos e fortalecer a defesa comercial.
O embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, afirmou que o momento é favorável para aprofundar as relações bilaterais e destacou o Acordo Mercosul-UE como um impulso importante para essa agenda. Ele também mencionou a criação de um grupo de trabalho pelos governos para ampliar o intercâmbio comercial e os investimentos.
Ao final, o encontro reforçou a ideia de que a cooperação entre Brasil e Itália pode avançar de forma concreta se vier acompanhada de articulação entre empresas, governos e entidades de promoção comercial. O foco, segundo os participantes, está em transformar a afinidade diplomática em resultados econômicos duradouros.
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