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Produção de móveis teve recuo de 10,2%. (Fotos: Magnific)
Móveis e vestuário puxaram a queda, enquanto o setor automotivo teve desempenho positivo
A atividade da indústria de Santa Catarina teve queda de 0,7% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo IBGE. O resultado mostrou perda de ritmo em boa parte dos segmentos acompanhados e reforçou o sinal de desaceleração no estado.
Entre os setores com pior desempenho, o destaque negativo ficou com móveis, que recuaram 10,2%, e com confecções de artigos do vestuário e acessórios, que caíram 9,5%. No caso dos móveis, a FIESC atribui a retração ao retorno de restrições às exportações para os Estados Unidos, fator que ajudou a pressionar a produção no mês.
No acumulado dos últimos 12 meses, a queda do segmento de móveis chega a 14,6%, evidenciando um cenário mais prolongado de dificuldade. Ao todo, nove dos 14 segmentos analisados pelo IBGE registraram desempenho negativo em julho, enquanto cinco apresentaram alta.
Na contramão da maior parte da indústria, o setor de veículos automotores, reboques e carrocerias avançou 13,8% na comparação anual. Segundo a FIESC, o resultado pode estar relacionado à transição dos veículos a combustão para modelos elétricos, além da ampliação gradual do conteúdo nacional nos veículos produzidos no país.
Esse desempenho positivo ajudou a compensar parcialmente as perdas observadas em outros ramos, mas não foi suficiente para evitar o recuo geral da atividade industrial catarinense no período.
O economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, alerta que a elevação da inadimplência e o maior comprometimento da renda das famílias com dívidas exigem mais cautela das empresas na gestão de liquidez e endividamento. O cenário ganha ainda mais relevância diante das eleições de outubro, que devem influenciar os rumos da política econômica a partir de 2027.
Por outro lado, a possível redução dos juros e o crescimento acumulado da renda disponível podem favorecer a indústria catarinense, ao sustentar o consumo das famílias e melhorar as condições de financiamento das empresas nos próximos meses.
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